‘Já não valerá a pena / saber de teus avós / quando amanhã vires / por mero acaso / este granito / se ele existir’

Quando amanhã vires

Quando amanhã vires

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1.

Quando amanhã vires

por mero acaso

este granito

se ele existir

fica a saber

que o gravei

a correr

com a alma a doer

na palma da mão

rotos os dedos

ensanguentados

para nele durar

no seu sono longo

a memória do homem

e de mim te lembrar

 

2.

Não sei se haverá

ainda alguém

da minha espécie a esvair-se

na loucura insana

de se imolar entregue

às mãos da demência

que governa a terra

 

3.

Mas se vires alguém

foragido de medo

com falta de ar a mover-se

no último reduto

das fendas da pedra

para se entalhar

escondido nela

Terás de fazer

o gesto indizível

que ele entenda

ser um dar a mão

para assim poder

no limite extremo

se já não souberes

falar-te de amor

 

4.

Saberás então

que o tempo é de pedra

se grava na pedra

e o homem também

E mais saberás que

no espírito do penedo

se entranhou por osmose

o espírito de deus e do homem

 

5.

Se quiseres saber

ajoelha e reza

se não, deixa lá

já não valerá a pena

saber de teus avós

quando amanhã vires

por mero acaso

este granito

se ele existir

e ficarás

sem raízes e só

Assírio & Alvim (re)antologia Luís Miguel Nava com ‘Poesia’

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Não gosto de poemas

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Categorias: Cultura, Literatura, Poesia

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António Mota

Professor. Braga.

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