‘No Público de um domingo de 2018, Rita Pimenta escrevia sobre ‘abstinência’ no auge de polémica à volta de palavras proferidas por D. Manuel Clemente, o Cardeal Patriarca de Lisboa’

Truca-truca

Truca-truca

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‘Ler jornais é saber mais’. Há, por isso, textos, crónicas, críticas e comentários (alguns de nomes famosos) publicados nos nossos jornais e revistas que não devíamos deixar de ler.

“Palavras, expressões e algumas irritações” era uma rubrica semanal dominical do jornal “Público” que nos ensinava o significado de algumas palavras e expressões proferidas em determinado contexto que, nunca deixando de expressar o seu significado correto, introduziam alguns “condimentos” laterais que nos levavam a esboçar um largo sorriso. No Público de um domingo, dia 11 de fevereiro de 2018, Rita Pimenta escrevia sobre a palavra “abstinência”, no auge da polémica que as palavras de D. Manuel Clemente, o Cardeal Patriarca de Lisboa, provocaram ao abordar a “situação matrimonial” dos casais católicos que se divorciam e voltam a casar-se.

Escrevia assim Rita Pimenta na rubrica referida:

«“Privação voluntária da satisfação de uma necessidade ou de um desejo, por motivos religiosos ou morais”, escreve o dicionário sobre “abstinência”. Mas o maior entendido na matéria é o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, que defendeu “o dever de a igreja propor a vida em continência, isto é, sem relações sexuais, aos recasados cujos anteriores matrimónios não possam ser declarados nulos”. Enfim, casados não praticantes.

Se os casamentos anteriores forem anulados na secretaria, então já se pode quebrar o “jejum” e amar-se à vontade. A confissão e a comunhão têm sempre “via verde”.

Nem todos os bispos portugueses se pronunciam no mesmo sentido, sendo os casos de D. Jorge Ortiga, de Braga, e de D. Ilídio Leandro, de Viseu, os mais visíveis, sendo que este último até fez uma afirmação bonita à publicação Vida Cristã: “O casamento é um sacramento e as relações sexuais são um bem. Por esse princípio não vou.”

“Tudo isto nos fez lembrar – continuava Rita Pimenta – (e que nos perdoem as almas católicas mais sensíveis) o famoso e divertido poema de Natália Correia Truca-truca. Estava-se em 1982 e discutia-se pela primeira vez na Assembleia da República a interrupção voluntária da gravidez. A dada altura, João Morgado, deputado do CDS, afirmou que “o ato sexual é para fazer filhos”.

Resposta da deputada do PSD (a que se seguiu uma interrupção dos trabalhos, por pândega geral):

“Já que o coito – diz Morgado – tem como fim cristalino,

preciso e imaculado fazer menino ou menina;

e cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca – truca.

Sendo pai só de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou – parca ração!

– uma vez. E se a função

faz o órgão – diz o ditado –

consumada essa exceção,

ficou capado o Morgado.”

Faz falta “comedimento” (sinónimo de “abstinência”) nas imposições da Igreja. O Papa Francisco sabe.»

É assim: depois destas palavras do Cardeal Patriarca, “doutrinando” que os divorciados-recasados não podiam fazer “truca-truca” até que a sua situação “administrativa” estivesse devidamente solucionada e de acordo com os “cânones”, “caiu o Carmo e a Trindade” e o caso não era para menos.

Depois vieram os desmentidos, dizendo que o Cardeal Patriarca não queria dizer o que disse e que as pessoas é que o estavam a interpretar mal. Até pode ser, mas o que está dito, dito está e, nestas coisas, o que conta é a primeira impressão. Depois, por mais que se queira emendar, é sempre “pior a emenda que o soneto”!

Em qualquer dos casos, “tiro o chapéu” a Rita Pimenta que nos presenteava a todos com estas belas reflexões em belos textos…

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Imagem: Público + Adriano Miranda / ed VN

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Categorias: Crónica, Sociedade

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