OXFAM: 1.000 mais ricos já recuperaram da crise da Covid-19

Rendimento | Mais pobres precisarão de mais de 10 anos para recuperar da crise financeira da Covid-19

Rendimento | Mais pobres precisarão de mais de 10 anos para recuperar da crise financeira da Covid-19

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Pobres vs. ricos

As 1.000 pessoas mais ricas do planeta – lideradas por uma dezena de personalidades incluindo os nomes de Jeff Bezos, Elon Musk, Bernard Arnault e família, Bill Gates, Mark Zuckerberg, Larry Ellison, Warren Buffett, Zhong Shanshan, Larry Page e Mukesh Ambani – recuperaram as suas perdas devidas à crise de COVID-19 em apenas nove meses. Poderá, no entanto, levar mais de uma década para que os mais pobres do mundo se recuperem dos impactos económicos da pandemia, revela um relatório da OXFAM divulgado esta segunda-feira. ‘The Inequality Virus’ (‘O Vírus da Desigualdade’) foi publicado em simultâneo com a abertura da ‘Agenda de Davos’ do Fórum Económico Mundial.

As fortunas destes bilionários beneficiaram da recuperação dos mercados de ações e outros ativos financeiros de caráter especulativo, apesar da contínua recessão vivida na economia real. A sua riqueza total atingiu 11,95 biliões de dólares em dezembro de 2020, o equivalente aos gastos totais de recuperação da COVID-19 pelos governos do G20.

O relatório mostra que a pandemia de COVID-19 teve o potencial de aumentar a desigualdade económica em quase todos os países ao mesmo tempo, sendo esta a primeira vez em que tal acontece desde que os registos desta natureza começaram a ser efetuados há mais de um século. O aumento da desigualdade significa que pode levar pelo menos 14 vezes mais tempo para que o número de pessoas que vivem na pobreza retorne aos níveis pré-pandémicos do que levou para as fortunas dos mil bilionários, constituídas principalmente por homens brancos, se recuperarem.

Aprofundamento de desigualdades

O relatório da OXFAM mostra como a manipulação do sistema económico está a permitir que uma elite super-rica acumule riqueza durante a pior recessão desde a Grande Depressão, enquanto bilhões de pessoas lutam para sobreviver. O estudo revela como a pandemia está a aprofundar as anteriores divisões económicas, raciais e de género.

Para uns a recessão acabou, para outros resta o subemprego ou o desemprego

Entretanto, para os mais ricos a recessão acabou. Os dez homens mais ricos do mundo viram sua riqueza combinada aumentar em meio trilião de dólares desde o início da pandemia – mais do que o suficiente para pagar uma vacina COVID-19 para todos e garantir que ninguém seja empurrado para a pobreza pela pandemia. Ao mesmo tempo, a pandemia deu início à pior crise de emprego em quase 100 anos, com centenas de milhões de pessoas subempregadas ou desempregadas.

“Mulheres e grupos raciais e étnicos marginalizados estão arcando com o impacto desta crise. Eles são mais propensos a serem empurrados para a pobreza, mais propensos a passar fome e mais propensos a serem excluídos dos cuidados de saúde”, sustenta Gabriela Bucher, Diretora Executiva da Oxfam International.

Mulheres são mais atingidas

As mulheres são as mais atingidas, mais uma vez. Globalmente, as mulheres estão super-representadas nas profissões precárias de baixa remuneração que foram as mais afetadas pela pandemia. Se as mulheres fossem representadas na mesma proporção que os homens nesses setores, 112 milhões de mulheres não mais estariam em alto risco de perder os seus rendimentos ou empregos. As mulheres também representam cerca de 70 por cento da força de trabalho global de saúde e assistência social – empregos essenciais, mas muitas vezes mal pagos, que as colocam em maior risco de contraírem COVID-19.

Pobreza aumenta risco de morte

A desigualdade está a custar vidas. Os afrodescendentes no Brasil têm 40 por cento mais probabilidade de morrer de COVID-19 do que os brancos, enquanto quase 22.000 negros e hispânicos nos Estados Unidos ainda estariam vivos se experimentassem as mesmas taxas de mortalidade COVID-19 que os seus homólogos brancos. As taxas de infeção e mortalidade são mais altas nas áreas mais pobres de países como França, Índia e Espanha, enquanto as regiões mais pobres da Inglaterra apresentam taxas de mortalidade que são o dobro das áreas mais ricas. “Assistimos ao maior aumento da desigualdade desde o início dos registros. A profunda divisão entre ricos e pobres está a revelar-se tão mortal quanto o vírus”, afirma Gabriela Bucher.

Economias mais justas são indispensáveis

Economias mais justas são a chave para uma rápida recuperação económica da COVID-19. Um imposto temporário sobre os lucros excedentes feitos pelas 32 empresas globais que mais lucraram durante a pandemia poderia ter arrecadado 104 biliões de dólares em 2020. Esta verba seria suficiente para fornecer subsídios de desemprego a todos os trabalhadores e apoio financeiro para todas as crianças e idosos com rendimentos baixos e medianos. “Economias complicadas canalizam riqueza para uma elite que está a enfrentar a pandemia com luxos, enquanto aqueles que trabalham na linha da frente da pandemia lutam para pagar as contas e colocar comida na mesa”, acrescenta.

Desigualdade é uma escolha política

“A extrema desigualdade não é uma inevitabilidade, mas uma escolha de política. Os governos de todo o mundo devem aproveitar esta oportunidade para construir economias mais igualitárias e inclusivas que acabem com a pobreza e protejam o planeta ”, constata a líder da OXFAM.

“A luta contra a desigualdade deve estar no centro dos esforços de resgate e recuperação económica. Os governos devem garantir que todos tenham acesso à vacina contra a COVID-19 e suporte financeiro caso percam o emprego. Devem investir em serviços públicos e setores de baixo carbono para criar milhões de novos empregos e garantir que todos tenham acesso a uma educação, saúde e proteção social decentes”. Tal só será possível se conseguirem “garantir que os indivíduos e empresas mais ricos contribuam com a sua parte justa dos impostos para financiá-lo”, remata Gabriela Buchner.

 

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Categorias: Sociedade

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