Bruno Machado

Presidenciais | Oportunidade perdida

Presidenciais | Oportunidade perdida

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Presidenciais


 

 

O âmbito de intervenção do Estado na economia e na sociedade é, provavelmente, o que há de mais fundamental e distintivo nos partidos políticos. Podem ser ecologistas, populistas, monárquicos, europeístas ou euro-céticos, o grau de regulação estatal é o que subsiste quando já depenámos todo o programa das restantes bandeiras, dos discursos e das questões meramente conjunturais. Como é sabido, esse grau de regulação reduz-se à medida que nos deslocamos para a direita do espectro político-partidário, até chegarmos ao Estado mínimo, meramente assistencialista.

Ora, num país em que a maioria das pessoas ganha menos de 1.000 euros por mês e precisa do Estado Social, os partidos mais liberais, defensores desse Estado mínimo, só conseguem atrair uma pequena minoria privilegiada.

Assim, face à necessidade de alargar a sua base eleitoral, e com um CDS-PP à deriva, a elite neoliberal viu-se obrigada a mudar a sua estratégia, lançando uma dupla ofensiva: se a Iniciativa Liberal afugenta muita gente ao dizer claramente ao que vem, então o Chega tem de ser a sua versão pimba que atua sorrateiramente, distraindo os trabalhadores por conta de outrem, os reformados, os precários e os funcionários públicos (incluindo as forças de segurança), recorrendo ao populismo mais descarado, ao discurso securitário e à retórica racista… Tudo vale para que ninguém se aperceba da taxa única de IRS (que só penaliza os salários mais baixos enquanto beneficia os mais elevados), da destruição dos direitos laborais, ou ainda, da privatização do Estado Social que, apesar das suas carências, permitiu um acesso generalizado à saúde e à educação depois do  25 de Abril. E se, para engrossar fileiras, for preciso namorar com os neo-nazis frustrados com a impotência eleitoral do PNR, namora-se!

Definida a estratégia, faltava selecionar um relações públicas eficaz…

Não se sabe se o nome de André Ventura surgiu num restaurante chique de Lisboa ou na sala de espera da Finpartner, o certo é que a elite económica viu logo neste ex-inspector tributário reconvertido na evasão fiscal (!) um hábil orador, capaz de impingir aos “portugueses comuns” uma receita neoliberal que sempre rejeitaram, mas agora, e seguindo a tal estratégia, distraindo-os com ruído, polémica e fake news, difundidos pela comunicação social e pelos vídeos embrutecedores em que “André Ventura ARRASA” este ou “DESTRÓI” aquele.

A campanha para as presidenciais foi uma ilustração disso mesmo. Desde as mentiras sobre o RSI ao batom de Marisa Matias, mais uma vez, tudo serviu para Ventura distrair os eleitores. E sempre que houve a tentativa de o confrontar com as suas incoerências, refugiou-se, sistematicamente, na política dos “casos e casinhos”, recorrendo à verborreia habitual para falar de tudo e de todos, aproveitando o espaço mediático…  sem nunca responder à pergunta!

Até para justificar o jantar-comício, que juntou 170 pessoas num restaurante de Braga em pleno pico da pandemia, André Ventura teve o desplante de culpar a DGS! Tão irresponsável quanto insultuoso para com os profissionais de saúde, o evento, apesar das polémicas, sempre permitiu mais uns minutos de exposição mediática.

Esta campanha eleitoral podia ter sido mais esclarecedora para muitas pessoas. Pessoas desamparadas, desiludidas e desmotivadas que, não sendo racistas, nem fascistas, nem ignorantes, já nem conseguem ser recetivas às provas mais flagrantes de charlatanice política. A campanha podia ter mostrado que, quando André Ventura aponta para os ciganos, os afro-descendentes, a corrupção ou o “politicamente correto”, é para melhor desmobilizar a defesa dos direitos sociais e da justiça fiscal.

Sim, esta campanha era uma oportunidade para tornar pública uma agenda neo-liberal que André Ventura tanto se esforça em dissimular. Outras campanhas virão…

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Categorias: Crónica, Política

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