Margarida Vale

Viajar | Astorga

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Passear por Astorga é sentir 2.000 anos de história sob os seus pés.


 

 

Asturica Augusta, designação usada durante o período romano é um município da Espanha da província de Leão, comunidade com cerca de 11 mil habitantes. Situa-se na área de transição entre as planícies leonesas e a zona montanhosa, sendo o principal polo económico das comarcas histórico-culturais da Maragateria, La Cepeda e Ribera del Órbigo.

Astorga é a sede de uma das dioceses mais antigas de Espanha e a sua jurisdição abarca metade da província de Leão e parte das províncias de Ourense e de Zamora.

De acampamento militar a cidade

A cidade começou por ser um acampamento militar romano e só mais tarde é que passou a ser a cidade de Asturica Augusta. Era um importante nó de comunicações do noroeste da Península Ibérica e teve alguma prosperidade nos primeiros séculos da era cristã graças à extração do ouro, tendo sido definida por Plínio, o Velho como vrbs magnifica.

Sede episcopal no Século III

Em meados do século III d.C. tornou-se sede episcopal e Basílides foi o seu primeiro bispo. Com as invasões bárbaras, fez parte do Reino Suevo e em 714 foi tomada pelas tropas muçulmanas de Tárique. Foi reconquistada pelo Reino das Astúrias poucas décadas depois, mas em finais do século X voltou a ser atacada em três ocasiões pelos muçulmanos comandados por Almançor.

Desenvolvimento graças a Santiago

Desde o século XI, graças ao Caminho de Santiago, a cidade foi-se desenvolvendo progressivamente, com o apoio da Igreja. Em 1465, Henrique IV de Castela concedeu o título de Marquês de Astorga a Álvaro Pérez Osorio, Conde de Trastâmara, pelo que a cidade perdeu a sua autonomia para passar a seu um feudo.

Invasões francesas passaram por ali

No início do século XIX, Astorga foi alvo duma invasão francesa e foi uma das primeiras cidades espanholas a rebelarem-se contra os ocupantes, com os camponeses a amotinarem-se em 2 de maio de 1808. Contudo, em 31 de Dezembro as tropas francesas entraram novamente na cidade até que capitularam em 17 de Agosto de 1812.

Desenvolvimento industrial

O caminho de ferro teve bastante influência no desenvolvimento industrial que teve o seu apogeu com a indústria chocolateira. Esta, felizmente, continua ativa, bem como a pastelaria e indústrias de carne. Contudo o turismo é o maior incremento económico da cidade e região.

Que visitar?

Fazendo parte do Caminho de Santiago, é frequente encontrar-se os vários tipos de peregrinos. Uns são os puros e duros e fazem-no a pé, com todas as dificuldades que possam surgir, outros aventuram-se de bicicleta sendo esta a forma mais recente de peregrinação. Ainda restam os outros, os que o fazem de carro e param em todas as estações sagradas para as contemplar.

O património histórico-artístico, a catedral, o Palácio Episcopal, da autoria de Gaudí, a Casa Consistorial, os paços do concelho e o ergástulo romano, estão classificados como bens de interesse cultural nacional e são os maiores pólos de atração turística.

Mas a cidade cresceu e tornou-se moderna. É frequente encontrar pequenos cafés, apetecíveis, com pastelaria que até faz doer a vista de tão atrativa. O cheiro a chocolate não se sente, mas as várias casas mostram-no com orgulho e gosto. Foi nesta cidade que vi a mais bela saia de todas. Olhei para o preço e percebi como era tão miserável pois não a pude comprar.

O Palácio é realmente interessante a deve ser visto de vários ângulos, como todas as obras do grande Gaudí. As perspetivas são deliciosas e a sua postura, de conto de fadas, mostrava-se real e verdadeira. Das escadarias em espiral, das torres às peças de cerâmica, Gaudí não deixou nada ao acaso. O aspeto de castelo pede um fosso que não existe. No fundo está a muralha romana.

Perca-se pelos museus da Catedral, com os seus muitos tesouros, o dos Caminhos, mostra os percursos e os vários peregrinos e ainda o da Semana Santa. Não se esqueça do museu Romano e, para se deliciar ainda mais, visite o museu do Chocolate.

A catedral é dedicada a Santa Maria e foi erigida em cima de outras pré-românica e românica. Agora é um edifício gótico, nas naves e capelas com duas capelas renascentistas e a fachada de estilo barroco. Sofreu várias obras de melhoramentos e é uma casa que convida à visita e recolhimento. Imponente, chama os fiéis e os curiosos para ouvir o que as paredes têm para contar.

Sentir Astorga, viver a história

Abra os olhos, sinta a cidade, oiça as vozes, aprecie os sabores e tente imaginar as milhentas vidas que já pisaram o mesmo solo e que viveram em épocas distantes e deram o seu contributo para tudo o que existe hoje em dia.

 

Imagens: (0) Guía Repsol, (1) Diario de Leon (2) Município de Astorga (3) DavidT

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Categorias: Crónica, Sociedade

About Author

Margarida Vale

Deram-me o nome de Margarida e, sem terem essa intenção, fiquei ligada à terra e aos seus modos. Margarida do Vale. Mistura de culturas que se sabem entrosar, entre o sul e as ilhas, assim cresci entre gente culta e estudiosa e pessoas simples que sabiam o valor da labuta diária. Sou uma amálgama de tudo e de vontades, por isso, a mente que me foi dada é irrequieta. Já tive várias profissões e agora estacionei no ensino. Que existe de melhor do que estar com gente jovem, com pequenos diamantes que precisam de ser lapidados e polidos? Os desafios são enormes mas a recompensa é bem maior. O crescimento é recíproco e salutar. A História é uma paixão, assim como a escrita, que esteve parada durante uns anos e cuja gaveta foi reaberta sem data para encerrar. O passado coletivo é a nossa herança e não pode ficar esquecido. para tal existem as letras que lhe tentam fazer justiça e testemunho. Afinal de que somos feitos? De sonhos e de quereres e ainda de várias vidas que se vão vivendo conforme os obstáculos vão surgindo e necessitam de ser ultrapassados. Viver é uma arte que se renova e que encanta. Talvez seja por isso que o Tejo me acompanha e vivo bem perto dele e do local onde os barcos foram feitos para zarparem e descobrirem novos mundos.

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