Sandra Pimenta

Natal | Os ‘Invisíveis’

Natal | Os ‘Invisíveis’

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Invisíveis ao olhar


 

 

Na nossa sociedade, como em tantas outras, existem grupos minoritários ou indivíduos que são invisíveis aos olhos do mundo. Muitas vezes – demasiadas – são conhecidos pela nacionalidade – “o Espanhol” -, pela etnia – “o Cigano” -, ou pelo lugar onde vivem – “o Sem-Abrigo”. Poucas vezes o são pelos nomes próprios, frequentemente desconhecidos.

No entanto, continuamos a ignorar os sucessivos casos de discriminação e de segregação a que estas pessoas são sujeitas, bem como a tendência crescente da extrema-direita a envolver as mentes menos atentas, qual polvo a lançar os seus tentáculos sobre a presa.

Os “Invisíveis” mais não passam de pessoas consideradas irrelevantes e indiferentes para as entidades públicas, a quem compete garantir condições condignas de vida aos cidadãos e cidadãs. Um misto de indiferença e preconceito leva a que esta franja da população seja marginalizada e ignorada. Não fossem as instituições e associações e muitas destas pessoas ficariam sem qualquer apoio, presas na solidão da sua própria vida.

Curioso é assistir ao fenómeno do Natal. Por breves momentos, eis que como se uma névoa se levantasse, e o invisível torna-se visível, quanto mais não seja na foto das redes sociais, onde lá aparece a entrega do cabaz.

A hierarquização de prioridades das políticas locais está assustadoramente invertida. Existem carências estruturais no que diz respeito à habitação social, aliadas a uma ineficiência no acompanhamento social por parte dos organismos públicos, a que se junta a falta de respostas para a resolução de problemas
gravíssimos que atentam contra a dignidade da pessoa humana e, no entanto, a prioridade continuam a ser as rotundas, as pavimentações, as requalificações de praças e pracetas e os outdoors de propaganda eleitoral camuflada. Isto enquanto existem cidadãos e cidadãs deixados à sua própria sorte, lá no canto da freguesia, onde só se passa em ano de eleições ou aquando da entrega do cabaz “maravilha” pelo Natal.

E se os responsáveis políticos aproveitassem antes esta época, sobretudo num ano
tão difícil como este, para rever a ordem de trabalhos?

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Imagem: Daniel van der Berg

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Categorias: Crónica, Política

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