Parte mais importante da sua obra incorpora motivos da memória dos tempos de infância

Sarah Affonso, pintora do Minho e da família

Sarah Affonso, pintora do Minho e da família

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Sarah Affonso, pintora nascida em Lisboa, no seio de uma família relativamente modesta, viveu em Viana do Castelo entre os 5 e os 15 anos de idade. “Estes primeiros anos da sua vida marcariam indelevelmente a sua obra, desenvolvida nos trilhos dessa memória das paisagens minhotas, dos azuis, dos pinhais e das praias, do seu quotidiano e das tradições”. Os seus pais eram Francisco Marcelino Afonso, militar natural de Valença e Alexandrina Rosa Gomes Afonso, doméstica, de Lisboa, filha de pai argentino.

Das Belas-Artes à A Brasileira

Estudou pintura na Escola de Belas-Artes de Lisboa, onde foi aluna de Columbano Bordalo Pinheiro. Esteve em Paris em 1923-1924 e, de novo, em 1928-1929. Como modo de sustento sobrevive trabalhando num atelier de costura. Expõe no Salon d’Automne de 1928.

De regresso a Lisboa, integra-se no ambiente artístico e intelectual lisboeta. Pertencente à segunda geração de pintores modernistas portugueses, contemporânea de Bernardo Marques, Mário Eloy ou Carlos Botelho, expõe no I Salão dos Independentes (SNBA, 1930) e em outras mostras colectivas. Expõe individualmente e frequenta as tertúlias de A Brasileira, o que até então era um território exclusivamente masculino.

Sarah Affonso e o casamento com Almada Negreiros

Em 1934, a pintora casa-se com Almada Negreiros tentando, a partir daí, conciliar a vida de mãe de família e de pintora. Nos primeiros anos de casamento desenvolve o que será a parte mais importante da sua obra pictórica. “Dos retratos de meninas e mulheres e das paisagens urbanas passa para composições que incorporam motivos antes utilizados nos bordados, oriundos da cultura e imaginário populares. Evoca, a partir da memória da infância passada no Minho, costumes (procissões, festas, alminhas) e mitologias populares”.

A vida familiar na sua obra

Celebraria também a sua vida pessoal em pinturas como Família, 1937, um dos seus trabalhos mais emblemáticos, onde se figura com o marido e o primeiro filho. Neste auto-retrato alargado à sua família e que funciona também como metáfora para a lenda do “menino-deus”, Sarah Afonso faz uma síntese de vários aspetos da sua obra: “a qualidade do traço, o cromatismo, o desenho implícito na composição narrativa, como se tratasse de um sonho acordado, elementos tradicionais da cultura popular, como os bordados, os brinquedos e as lendas. É comum verificarmos esta associação lírica sobre a realidade, em que o tema se funde com a vivência dos retratados”.

Opção pelas artes decorativas

Foram várias as razões que a levaram a abandonar a pintura em finais dos anos de 1940. “Às razões pessoais juntavam-se a insegurança profissional e a falta de condições de trabalho. Continuou, no entanto, com um trabalho menos visível nas artes decorativas e de apoio a Almada Negreiros. Em finais dos anos 50, retomou algumas das direções interrompidas, como a ilustração infantil, entre outros de A Menina do Mar, 1958, de Sophia de Mello Breyner Andresen e o desenho”.

Amante incondicional de gatos, a pintora Sarah Afonso nasceu em Lisboa, no Beato, a dia 13 de Maio de 1899, e faleceu no Campo Grande, na mesma cidade, em 15 de Dezembro de 1983.

Exposições

Expôs individualmente em 1932 e 1939. Participou na Exposição do Mundo Português, 1940. Em 1944 recebeu o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso (8ª Exposição de Arte Moderna, SPN). Em 1953 participou na Bienal de S. Paulo, Brasil.

Foram realizadas mostras retrospetivas da sua obra em 1953 e 1962, na Galeria de Março em Lisboa e na Academia Dominguez Alvarez no Porto respetivamente. Encontra-se colaboração sua na revista Sudoeste datada de 1935.

Por ocasião do centenário do seu nascimento, em 1999, realizaram-se exposições comemorativas em Viana do Castelo e Porto.

História | ‘Paixões Alegres’ e Revoluções

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Categorias: Arte, Cultura, Pintura

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Margarida Vale

Deram-me o nome de Margarida e, sem terem essa intenção, fiquei ligada à terra e aos seus modos. Margarida do Vale. Mistura de culturas que se sabem entrosar, entre o sul e as ilhas, assim cresci entre gente culta e estudiosa e pessoas simples que sabiam o valor da labuta diária. Sou uma amálgama de tudo e de vontades, por isso, a mente que me foi dada é irrequieta. Já tive várias profissões e agora estacionei no ensino. Que existe de melhor do que estar com gente jovem, com pequenos diamantes que precisam de ser lapidados e polidos? Os desafios são enormes mas a recompensa é bem maior. O crescimento é recíproco e salutar. A História é uma paixão, assim como a escrita, que esteve parada durante uns anos e cuja gaveta foi reaberta sem data para encerrar. O passado coletivo é a nossa herança e não pode ficar esquecido. para tal existem as letras que lhe tentam fazer justiça e testemunho. Afinal de que somos feitos? De sonhos e de quereres e ainda de várias vidas que se vão vivendo conforme os obstáculos vão surgindo e necessitam de ser ultrapassados. Viver é uma arte que se renova e que encanta. Talvez seja por isso que o Tejo me acompanha e vivo bem perto dele e do local onde os barcos foram feitos para zarparem e descobrirem novos mundos.

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