‘Na única participação na I Divisão, 21 futebolistas representaram o Riopele, entre eles Jorge Jesus’

Os 10 jogadores do Riopele com mais jogos na I Divisão

Os 10 jogadores do Riopele com mais jogos na I Divisão

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Fundado a 14 de setembro de 1958 pela seus proprietários  e por um grupo de trabalhadores da empresa têxtil Riopele, o Grupo Desportivo Riopele teve uma existência curta, de cerca de 27 anos, mas fez o que muitos emblemas centenários não conseguiram: chegar à I Divisão.

A agremiação desportiva sediada em Pousada de Saramagos, no concelho de Vila Nova de Famalicão, disputou o primeiro escalão do futebol português em 1977-78, não indo além do 15.º e penúltimo lugar, que ditou a despromoção no final dessa temporada.

Inicialmente, o clube era destinado aos trabalhadores da empresa ou aos habitantes da região, mas a administração mudou a política desportiva e passou a investir mais forte no futebol na década de 1970. Porém, em 1985 teve lugar a extinção. “Tivemos de resguardar o bom nome da empresa. O futebol é um mundo de emoções e percebemos que estávamos a entrar em lutas que não nos interessavam. Vou ser direto: a mim preocupam-me é os postos de trabalho e o bom funcionamento da companhia”, explicou José Alexandre Oliveira, à data vice-presidente e homem forte do futebol, ao Maisfutebol.

Nessa única participação na I Divisão, 21 futebolistas representaram o Riopele. Vale por isso a pena recordar os dez que o fizeram por mais vezes.

10. Jó (18 jogos)

Médio que já tinha jogado na I Divisão pelo Tirsense em 1971-72, quando ainda tinha idade de júnior, continuou no emblema de Santo Tirso até 1977, quando se transferiu para o Riopele.

No clube-empresa disputou 18 jogos (11 a titular) no primeiro escalão em 1977-78, não evitando a despromoção.

Haveria ainda de continuar no clube por mais uma época, ajudando a formação famalicense a obter um 6.º lugar na II Divisão – Zona Norte, voltando depois ao Tirsense.

9. Fonseca (18 jogos)

Disputou 18 jogos tal como Jó, mas amealhou mais 580 minutos em campo – 1577 contra 997.

Extremo ainda jovem, mas já com experiência de I Divisão adquirida ao serviço de Benfica e Montijo, foi contratado pelo Riopele no verão de 1977, aquando da promoção ao primeiro escalão, tendo disputado 18 jogos (todos a titular) e apontado três golos no campeonato, frente a Académica, Sporting e Varzim.

Após a despromoção continuar a jogar na I Divisão em clubes como Estoril, BenficaVitória de Guimarães e Varzim. Pelas águias conquistou uma Taça de Portugal em 1979-80, após ter vencido o título nacional em 1975-76 durante a primeira passagem pelo clube.

8. Barros (25 jogos)

Médio com uma longa ligação ao clube, começou pelas camadas jovens e chegou a equipa principal em 1970-71, tendo estado perto da promoção à I Divisão em 1972. Porém, a tão desejada subida à elite do futebol português só haveria de ser conseguida cinco anos depois.

Na única temporada que Barros e o Riopele disputaram o primeiro escalão, o centrocampista atuou em 25 jogos (todos a titular), não conseguindo evitar a despromoção.

O jogador haveria de continuar no clube até 1983, tendo saboreado uma descida à III Divisão em 1981 e uma subida à II Divisão no ano seguinte.

Depois prosseguiu a carreira no Trofense, nos distritais da AF Porto.

7. Joca (25 jogos)

Disputou 18 jogos tal como Jó, mas amealhou mais 580 minutos em campo – 1577 contra 997.

Lateral direito natural de Timor Leste e que fora do futebol desempenhava funções de eletricista na fábrica têxtil fundadora do clube, estreou-se na I Divisão em 1968-69, com a camisola do Sp. Braga, clube pelo qual voltaria a jogar no primeiro escalão em 1975-76.

No verão de 1976 mudou-se para Pousada de Saramagos, contribuindo para a promoção ao patamar maior do futebol português. Em 1977-78 atuou em 25 partidas (todas a titular), sem evitar a descida de divisão.

Após a despromoção continuou no Riopele até 1980.

6. Piruta (28 jogos)

O capitão de equipa, um homem que passou mais de dez anos ao serviço do emblema famalicense. Médio formado no FC Porto ao lado do malogrado Pavão, reforçou o Riopele no verão de 1968, proveniente do União de Lamas.

Em 1970 ajudou o clube-empresa a subir à III Divisão e dois anos depois esteve perto de contribuir para a promoção ao primeiro escalão, um sonho que ficou adiado por mais meia década.

Entre os grandes do futebol português Piruta atuou em 28 encontros (25 a titular) e apontou cinco golos, diante de Académica, Vitória de Setúbal, Varzim, Estoril e Sp. Espinho, ainda assim insuficientes para evitar a despromoção. Na deslocação ao terreno do Sporting, na 23.ª jornada, desperdiçou nos últimos minutos uma grande penalidade que daria o 2-2.

Haveria de continuar no clube enquanto jogador até 1980. Depois tornou-se treinador e orientou o Riopele nas duas derradeiras épocas de atividade, 1982-83 e 1983-84.

5. Jorge Jesus (28 jogos)

Disputou 28 jogos tal como Piruta, mas amealhou mais 151 minutos em campo – 2.442 contra 2.291.

Mais conhecido pelo seu trabalho como treinador, Jorge Jesus foi um médio de características ofensivas que, após concluir a sua formação no Sporting, procurou o seu espaço na I Divisão. Após ter estado emprestado ao Olhanense, regressado sem sucesso a Alvalade e jogado no Belenenses, assinou pelo Riopele no verão de 1977.

Em 1977-78 disputou 28 jogos (27 a titular) e marcou três golos, diante de Vitória de Setúbal, Sp. Espinho e Académica, não evitando a despromoção. “Já naquele tempo, tinha o Jesus uns vinte e tal anos, já via ali um rapazinho que podia dar bom treinador. Jesus estava sempre muito atento a todos os pormenores, era um dos mais interessados nas minhas palestras. Sabe, às vezes há futebolistas que nós topamos logo que estão ali meio distraídos, que as coisas entram por um ouvido e saem por outro. Mas com o Jesus era diferente, era interessado, estava sempre focado”, recordou ao Diário de Notícias o treinador do Riopele nessa época, Ferreirinha.

“Ele mesmo sendo muito novo já dava indicações aos colegas, mas sempre com o maior respeito, nunca o vi zangar-se com ninguém. Ele procurava fazer dentro do campo aquilo que eu lhe pedia. Mas às vezes improvisava. Aparecia noutras posições no campo, porque às vezes as estratégias que montamos não se adequam ao jogo, e eu lembro-me de que às vezes dizia “puxa, o Jesus hoje está de todo’”, acrescentou o técnico dos famalicenses em 1977-78.

“Ele vivia na Pousada de Saramagos, e ali praticamente não havia nada. A vida dele era treino/casa, casa/treino. Depois lia muito. Não só os jornais desportivos, mas também livros sobre futebol. Agora, a esta distância, pode parecer que o digo apenas porque ele se tornou o que é hoje, mas a verdade é que há 40 anos pensava que devido à sua dedicação podia vir a dar um bom treinador”, frisou Ferreirinha.

Apesar de muito utilizado, na época seguinte rumou ao Juventude de Évora, então na II Divisão.

4. António Luís (29 jogos)

Extremo que passou sem sucesso pelo FC Porto e ganhou experiência na I Divisão ao serviço de Tirsense e Farense, reforçou o Riopele no verão de 1976, proveniente do Salgueiros.

Na primeira época no Parque de Jogos José Dias de Oliveira contribuiu para a promoção ao primeiro escalão, tendo atuado em 29 partidas (21 a titular) e apontado sete golos entre a elite do futebol português em 1977-78. Sporting (dois golos), Vitória de Guimarães, Feirense, Boavista, Portimonense e Benfica foram as vítimas de António Luís, o melhor marcador de sempre do clube na I Divisão.

Após a despromoção continuou no clube por mais dois anos, rumando depois ao Fafe.

3. Luís Pereira (30 jogos)

Um dos três jogadores que participaram nas 30 jornadas do campeonato em 1977-78.

Médio formado no FC Porto e que chegou a jogar pela equipa principal dos dragões, chegou a Pousada de Saramagos no verão de 1973, proveniente do Tirsense.

Na quarta temporada ao serviço do Riopele contribuiu para a subida à I Divisão, tendo na época seguinte disputado 30 jogos na condição de titular e apontado quatro golos no primeiro escalão, diante de Sp. Braga, Feirense e Sp. Espinho (dois).

Numa equipa que pautava por um estilo de jogo baseado no passe curto e em muitas movimentações, Luís Pereira desempenhava um papel fundamental. “O maestro era o Luís Pereira, o nosso Xavi”, disse ao Maisfutebol um dos guarda-redes do Riopele na altura, Carlos Padrão.

Após a despromoção continuou mais uma temporada no clube-empresa, rumando depois ao União de Lamas. Na década de 1980 voltou à I Divisão, desta feita com a camisola do Salgueiros.

2. Vitorino (30 jogos)

Disputou 30 jogos tal como Vitorino, mas amealhou mais 249 minutos em campo – 2.639 contra 2.390.

Defesa central que representou o Riopele ao longo de 12 anos, entre 1972 e 1984, esteve no melhor e no pior do clube-empresa.

Se por um lado subiu à I Divisão em 1977 e somou 30 jogos e marcou um golo ao Belenenses no primeiro escalão, esteve na despromoção à III Divisão em 1981 e na derradeira temporada de atividade do emblema famalicense em 1983-84.

Após a extinção da agremiação desportiva despediu-se do futebol no Grupo Desportivo do Louro, nos distritais da AF Braga.

1. Teixeira (30 jogos)

Disputou 30 jogos tal como Vitorino e Luís Pereira, mas amealhou mais minutos em campo: 2.684.

Formado no Benfica ao lado de António Bastos Lopes, Fernando Santos, Shéu, João Alves e Norton de Matos, mudou-se para o Riopele no verão de 1972, assim que subiu a sénior.

Em nove anos em Pousada de Saramagos viveu os melhores momentos no final da década de 1970, quando contribuiu para a promoção à I Divisão em 1977 e disputou 30 jogos (todos a titular) no primeiro escalão em 1977-78.

Em 1981 mudou-se para o vizinho Famalicão, mas foi com a camisola do Ginásio de Alcobaça que regressou ao patamar maior do futebol português, em 1982-83.

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Categorias: Desporto, Famalicão, Futebol

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David Pereira

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