Governo apresenta plano de combate direto à propagação da doença em Portugal

Coronavírus | Há vacinas contra a Covid-19 em janeiro, sim

Coronavírus | Há vacinas contra a Covid-19 em janeiro, sim

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As pessoas com 50 ou mais anos, com doença coronária, renal ou pulmonar, os residentes em lares e em unidades de cuidados continuados e respetivos profissionais, os profissionais de saúde e dos serviços essenciais, representando um conjunto de cerca de 950 mil pessoas, serão os beneficiários  da primeira ronda de vacinação contra a Covid-19 em Portugal, divulgou hoje o Governo.

Ainda assim, “a disponibilização de vacinas, quando acontecer a e ao ritmo a que acontecer, vai continuar a precisar de ser acompanhada, durante largos meses, pelo cumprimento das demais regras imprescindíveis para mantermos os nossos sistemas sociais e económicos a responder no período em que ainda não se tenha alcançado a imunidade», disse Marta Temido, a Ministra da Saúde, na apresentação do plano de vacinação contra a Covid-19.

Marta Temido afirmou que «as vacinas a distribuir terão carácter universal e gratuito» e «disponibilizadas no Serviço Nacional de Saúde (…) e depois eventualmente expansível a outros pontos do sistema» de saúde, com logística segura e registos que permitam monitorizar o processo.

A Ministra assinalou ainda as incertezas técnicas, de produção pela indústria farmacêutica e de aprovação pelas entidades técnicas, que continuam a existir em torno da vacina.

Preservar capacidade de resposta dos serviços universais

Os grupos prioritários foram definidos a partir dos dados conhecidos, que mostram que as pessoas mais de 50 anos são 97% dos óbitos, 91% dos internamentos hospitalares e 81% dos internamentos em cuidados intensivos. Outros fatores de risco importante, que serão tomados em linha de conta, são as doenças coronárias, renais e pulmonares.

A esse propósito, Francisco Ramos, o coordenador do grupo de trabalho que elaborou o plano, deixou claro que os objetivos do plano são «reduzir a mortalidade e o internamento em Unidades de Cuidados Intensivos, controlar os surtos nas populações mais vulneráveis, e preservar a capacidade de resposta dos serviços universais».

Faseamento da aplicação de vacinas

Na primeira fase, segundo o plano, serão vacinadas as pessoas com 50 ou mais anos, com uma das doenças referidas acima, os residentes em lares e em unidades de cuidados continuados e respetivos profissionais, os profissionais de saúde e dos serviços essenciais, representando no conjunto 950 mil pessoas.

Na segunda fase, serão vacinadas dois grupos de pessoas: as com mais de 65 anos sem doenças, e as com entre 50 e 65 que tenham diabetes, cancro, insuficiência hepática e renal, obesidade e hipertensão, representando, o primeiro subgrupo, 1,8 milhões e o segundo mais 900 mil.

Na terceira fase, será vacinado o resto da população, se a indústria conseguir produzir vacinas à velocidade suficiente; se não o conseguir, serão criados novos subgrupos prioritários, que serão vacinados ao ritmo a que as vacinas sejam produzidas.

A vacinação em Portugal deverá começar no início de janeiro, como em toda a União Europeia, uma vez que a vacina será distribuída a todos os países a mesmo tempo, dependendo apenas da aprovação das vacinas e do ritmo de produção.

No tempo, a primeira fase deverá decorrer em janeiro e fevereiro dependendo do ritmo de abastecimento das vacinas, podendo estender-se até abril. A segunda deverá decorrer no segundo trimestre.

Locais de distribuição das vacinas

Os pontos de vacinação serão os do Serviço Nacional de Saúde, que tem 40 anos experiência, circuitos e rotinas estabilizados e 1.200 pontos distribuídos por todo o País.

Os residentes em lares e internados em unidades de cuidados continuados serão vacinados nesses locais, pelas próprias equipas de enfermagem ou por equipas dos centros de saúde, os profissionais, serão vacinados pelos respetivos serviços de saúde ocupacional. Os restantes 400 mil portugueses do primeiro grupo, serão vacinados nos 1.200 pontos do SNS.

Não há ainda plano detalhado para a segunda fase, que implica a expansão da rede de vacinação, dependendo do ritmo de abastecimento de vacinas.

Haverá um registo muito apertado, robustecendo o registo de vacinas eletrónico comum, pois os serviços de saúde têm de ter a certeza de que quem toma uma primeira dose fica imediatamente com a segunda dose marcada, com data, local e a garantia que é administrada a mesma vacina na segunda dose.

Na primeira fase, o sistema será a chamada das 400 mil pessoas pelos serviços de saúde, através dos centros de saúde, ou, para as que não usam o SNS por declaração médica.

Devido à novidade da vacina, haverá estudos de seguimento clínico e de efetividade.

Na logística, ao contrário da descentralização normal do SNS, haverá um comando e controlo de toda a operação no Ministério da Saúde, apoiado pelas Forças Armadas e pelas forças de segurança.

Confiança na administração

O Governo irá montar uma campanha de comunicação muito ampla, com o objetivo de ganhar a confiança na população, desde logo um site com toda a informação relevante e linhas telefónicas de apoio à população e aos profissionais.

Francisco Ramos, tal como a Ministra da Saúde, destacou a incerteza que existe em todo o processo, referindo que até à aprovação de uma vacina pela autoridade britânica do medicamento, a única informação sobre as vacinas provinha das empresas farmacêuticas que as estão a produzir.

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Categorias: Sociedade

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