Joana Gonçalves

Infância | E se o seu bebé se engasgar? Sabe o que fazer?

Infância | E se o seu bebé se engasgar? Sabe o que fazer?

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Quando o nosso bebé se encontra ainda na primeira infância, colocamos muitas vezes a questão: ‘E se o meu bebé se engasgar?’

Trata-se de uma questão bem pertinente, mas também um risco que pode ser minimizado.

 

Um dos grandes receios da maioria dos pais quando têm filhos pequeninos é o risco de engasgamento. Por este motivo, o tema da desobstrução das vias aéreas é sempre um assunto pertinente, não só para quem cuida de bebés, mas para toda a população. Todos deveríamos ter formação em primeiros socorros e ter prática simulada em desobstrução das vias aéreas na escola primária, repetir na preparatória e novamente no ensino secundário. Se assim fosse, em apenas uma geração, teríamos toda a população formada num assunto tão relevante que ensina a salvar vidas em apenas alguns segundos e com técnicas simples de aplicar.

Apostar na prevenção

Seja com comida ou por ingestão de objetos pequenos, não apenas pela curiosidade natural dos bebés em colocar tudo na boca, uma vez que “provar o mundo” que o rodeia é também uma forma de o conhecer, é um facto que os bebés e crianças pequenas estão mais suscetíveis de se engasgarem. Além disso, as vias aéreas dos bebés têm um diâmetro mais reduzido, a sua língua é, em proporção com o adulto, de maior dimensão e estes motivos fazem com que um bebé tenha maior probabilidade de sofrer uma obstrução das vias respiratórias do que o adulto.

Assim, a minha sugestão é a aposta na prevenção. Todos os cuidadores de bebés e crianças pequenas devem garantir que estas não tenham fácil acesso a objetos pequenos, da mesma forma que devem fazer um curso prático de primeiros socorros. Desse modo, saberão manter a calma e atuar prontamente em situação de emergência.

Treinar até à exaustão

Quando um bebé, uma criança ou até um adulto se engasga, mas ainda consegue tossir, a atitude mais correta do socorrista é “apenas” incentivar a tosse, não devendo realizar qualquer outra manobra, uma vez que esta iria interferir e atrasar a resolução da obstrução parcial das vias aéreas!

Por outro lado, quando reparamos que um bebé está acordado, mas não está a respirar, devemos agir imediatamente no sentido de desobstruir as suas vias aéreas começando pela aplicação de pancadas interescapulares (até 5), seguindo-se as compressões torácicas (até 5) e repetimos estas manobras até que a obstrução seja solucionada. A técnica com que se realizam esta manobras deverá ser demonstrada, repetida e treinada para que seja eficazmente aplicada num momento de necessidade.

Gestos simples salvam vidas

Este é o tipo de formação em que eu não abdico da versão presencial, porque faz toda a diferença treinar num manequim, aplicar as manobras com a supervisão e correção do formador. Desta forma, quem está a aprender vai sentir-se mais seguro e capaz de realizar corretamente uma desobstrução das vias aéreas. Esta confiança será muito importante para viver os primeiros anos da criança com uma atitude mais segura e não ter tanto receio de, por exemplo, iniciar a introdução de alimentos sólidos, uma vez que a alimentação, apesar do risco de engasgamento, é sempre uma atividade supervisionada por adultos que, estando treinados, saberão o que fazer em situações de emergência.

Quando alguém sofre uma obstrução das vias aéreas, a pessoa que nos pode salvar é aquela que está ali ao lado, porque infelizmente quase nunca há tempo para esperar pela ambulância, mesmo que esta chegue em apenas alguns minutos.

Estes são realmente os gestos simples que salvam vidas, pelo que este tipo de preparação deveria ser obrigatório para toda a população. Se assim fosse, qualquer pessoa poderia salvar vidas em apenas alguns segundos…

E salvar vidas não tem preço.

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Imagem: Dimitris Vetsikas / Pixabay

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Categorias: Sociedade

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Joana Gonçalves

Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia. Pós-Graduação em Emergência e Catástrofe. Orientadora nas 'Conversas com Barriguinhas', espaço online destinado a grávidas para responder a dúvidas, ouvir experiências e partilhar histórias maternas.

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