‘O que é isso de, a um sábado à tarde, juntar na rua antigos trabalhadores da Fábrica Confiança para ouvir as suas estórias, fazer uma visita guiada, e escutar quem dedicou anos a estudar a fábrica bracarense?’

O rigorosíssimo critério da Câmara de Braga no fecho de ruas

O rigorosíssimo critério da Câmara de Braga no fecho de ruas

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O complexo da antiga Fábrica Confiança foi adquirido pelo Município de Braga em razão da sua importância histórica. Foi iniciativa, então, de Ricardo Rio. Todavia, o entusiasmo pelo património esfumou-se rapidamente e, em 2019, a Câmara Municipal não quis assinalar os 125 anos da fundação da Saboaria.

Perante a falta de vontade de quem a tinha adquirido, a Plataforma Salvar a Fábrica Confiança – recordo – decidiu organizar e suportar a comemoração. Fê-lo com os trabalhadores antigos e atuais, com várias iniciativas e com todos os interessados [e foram mais do que o número de anos]. À Câmara pedimos, na ocasião, 2 coisas bem simples: permissão para fazer uma visita guiada ao interior da fábrica e fecho temporário de uns metros de rua em frente à fachada [mantendo-se o atravessamento dos TUB]. Afinal era um sábado à tarde, a UM estava encerrada e há várias alternativas àquele pequeno percurso para os automobilistas.

Da Câmara de Braga, sem qualquer simpatia ou telefonema para chegar a um consenso, veio a resposta inacreditável, mas previsível: visita ao edifício municipal nem pensar que está tudo a cair [menos em cima dos potenciais compradores que lá foram com a CMB!]; e fecho da rua também não, proclamou o Vereador, pois “o trânsito must – sempre – go on!”

Porém, nunca é preciso aguardar muito para ver a Câmara demonstrar como as suas intransigências e convicções são como os interruptores [com a devida vénia ao Humor de Perdição do Herman].

Assim, temos, há mais de 2 meses, parte da R. Gonçalo Pereira fechada ao trânsito. Não há obras, nem decorre de qualquer plano de mobilidade. Visa-se apenas dar largueza aos bares da rua [para os quais, pelos vistos, não chegava libertar todo o espaço reservado a estacionamento]. Disse o vereador João Rodrigues, em nota de imprensa, que o espaço público deve ser “um local de convívio social por excelência” [e estaria totalmente de acordo… se percebesse o critério]. Ou seja, é bem mais fácil encerrar uma rua 1488 horas do que fechar apenas 3 horas!

Percebo que no espírito da CMB talvez faltasse grandeza [ou lata] às nossas comemorações dos 125 anos da Confiança. De facto o que é isso de, a um sábado à tarde, juntar na rua antigos trabalhadores para ouvir as suas estórias, fazer uma visita guiada, e escutar quem dedicou anos a estudar a fábrica bracarense?

Se fôssemos uma dúzia de coletes amarelos e nos propuséssemos encerrar, em dia útil, a circular norte de Braga [com a ajuda descarada da Câmara Municipal de Braga], se pretendêssemos trazer para o espaço público o negócio dos nossos estabelecimentos ou se quiséssemos fechar a rodovia toda para andar a disparar tintas às cores uns aos outros certamente que a Câmara e o Sr. Vereador piscar-nos-iam o olho abrindo-nos todas as portas!

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Obs: artigo previamente publicado na página facebook de Luís Tarroso Gomes, tendo sofrido ligeiras adequações na presente edição.

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Categorias: Braga, Comunidade, Crónica

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