Pedro Maia Martins à conversa com Pedro Pinto e Daniel Mizrahi, gestores de sol e de ondas na praia de Ofir

Salt Flow: surfar as ondas é para todos (e durante todo o ano)

Salt Flow: surfar as ondas é para todos (e durante todo o ano)

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As mudanças forçadas pela pandemia

O Coronavírus chegou a Portugal no início de 2020. Para evitar o contágio, o Governo português incentivou os portugueses a manterem-se em casa e acabou por decretar o Estado de Emergência a 18 de março. Seis dias antes, a impossibilidade de os clientes irem até à escola de surf levara Daniel, Jorge e Pedro a fechar o seu espaço. Começavam então os dois meses “sem saber o que iria acontecer”, como os descreve Daniel. Não sabiam se poderiam adaptar o surf ao “novo normal” ou se seriam completamente proibidos de voltar ao ativo.

Mas os fundadores da Salt Flow nunca pretenderam ficar de braços cruzados. Aos poucos e poucos, o trio foi fazendo planos de contingência, planeando tudo o que teriam de comprar para receber os alunos em segurança e todos os processo que teriam de adoptar. Aproveitando a parceria com a Federação Portuguesa de Surf e a Associação das Escolas de Surf de Portugal, assim como as informações dadas pela Direcção-Geral de Saúde e pela Capitania de Viana do Castelo, a escola de surf foi obtendo as indicações necessárias para voltar a exercer a sua actividade

Salt Flow III

Daniel com alunas de Agosto @ Salt Flow

Menos estrangeiros no Verão, mais portugueses para o resto ano

A escola reabriu no dia 15 de maio, num momento que Daniel descreveu como “uma explosão”. “Foi como se as pessoas tivessem passado a quarentena enjauladas, sem nunca ter visto a luz do Sol”, acrescenta. Após tanto tempo de confinamento, todos queriam voltar a realizar atividades ao ar livre. A Salt Flow ganhava mais alunos, sem nunca baixar os cuidados. As turmas eram divididas de forma a não juntar muita gente. Ao mesmo tempo, o atendimento era sempre feito com máscara ou viseira. O facto de o público de Verão ser mais jovem criava algumas dificuldades. Como aponta Daniel, “as crianças não estão habituadas ao distanciamento social”. No entanto, a insistência dos instrutores acabou por surtir efeito. Com o cumprimento das normas sanitárias, o regresso à normalidade tornou-se fácil.

A maior surpresa resultante da pandemia foi a origem dos novos alunos. Os turistas alemães, holandeses e belgas passaram de 70 a 30 por centro, enquanto os turistas portugueses e espanhóis se tornavam na maioria. Apesar do fluxo menor de emigrantes em férias, chegaram pupilos de outras cidades do distrito de Braga, como Barcelos, Braga, Guimarães e Famalicão, aos quais se juntaram muitos aprendizes de Lisboa, do Algarve e de Vila Real.

Salt Flow IV

Os elementos da Salt Flow com os turistas que anteriormente frequentavam as aulas. @ Salt Flow

Ao contrário dos turistas estrangeiros que, de acordo com Pedro, “enchiam as aulas da Salt Flow”, estes recém-chegados pretendem saber se a escola continuará aberta depois da época balnear. “Eles perguntam-nos se fazemos surf camps e como faremos no Inverno. Vê-se que querem continuar”, afirma. No final, as circunstâncias atípicas trouxeram-lhes um público que ficará com a escola durante o ano inteiro.

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Acerca do Autor

Pedro Maia Martins

Esposendense de nascimento, barcelense de criação e conimbricense por hábito. Licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Colaborou no passado com o Jornal Universitário de Coimbra - a Cabra e com a Revista Via Latina - Ad Libitum. Foi o último editor de País e Mundo do referido jornal. Colabora neste no momento com a Vila Nova Online e a Revista Bica.

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