Pedro Maia Martins à conversa com Pedro Pinto e Daniel Mizrahi, gestores de sol e de ondas na praia de Ofir

Salt Flow: surfar as ondas é para todos (e durante todo o ano)

Salt Flow: surfar as ondas é para todos (e durante todo o ano)

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São 10 da manhã. Um grupo de crianças olha com entusiasmo para o mar. O aquecimento tinha acabado poucos minutos antes e os novos surfistas não conseguem resistir a correr em direção às ondas. Todos avançam deitados nas suas pranchas, usando as suas mãos como remos até se levantarem e deslizarem em direcção às ondas. A maioria cai pouco depois. Alguns tentam manter-se em pé, enquanto se ouvem as orientações de Pedro, o instrutor. A aula acaba às 12:30 e todo o equipamento da Salt Flow é devolvido, até à chegada dos alunos das 15 horas. Mas 31 pranchas e 80 fatos devem ser suficientes toda a gente.

Essa abundância de equipamento não existia aquando do nascimento da escola de surf, em 2015. Pedro e Daniel tinham ainda 23 anos. Surfistas desde os 14, a dupla juntou-se ao seu amigo Jorge, um fãozense de gema, para abrir uma escola de surf em Ofir, onde costumavam passar férias. Graças ao Forum Esposendense, conseguiram que a Câmara Municipal lhes concedesse o espaço em frente ao Hotel Axis Ofir, onde a escola se encontra. O projecto arrancou a 22 de Julho com o apoio da associação sem fins lucrativos. Contudo, Daniel admite entre risos que os pais dos três surfistas “também foram financiadores”.

Tudo começou num pré-fabricado

Com as suas primeiras instalações “num pré-fabricado de um primo do Jorge”, o trio arrancou com um investimento baixo, de apenas 12 pranchas e 20 fatos. Apesar do carinho por esta freguesia de Esposende, os três atletas não escondem a estranheza da população local. Nas palavras de Daniel, “o surf ainda não estava muito implementado, embora já houvesse algumas escolas, como a Onda Magna ou a mais antiga de todas, a H3O”.

Daniel, Jorge e Pedro com Beni, um dos instrutores @ Salt Flow

Porém, a entrada do surf no mainstream social levou a população de Fão a “ir na onda”. Em pouco tempo, os fãozenses começaram a ajudá-los na reparação das pranchas ou avisá-los quando havia algum acidente. “Há pouco tempo houve uma tempestade e o nosso contentor virou. Se não fosse o pessoal daqui a avisar-nos, só saberíamos no dia seguinte”, relata Daniel.  A integração da Salt Flow no tecido da freguesia atingiu o pico quando a escola participou nas festas da Nossa Senhora da Bonança, padroeira dos pescadores. Os surfistas foram os responsáveis por levar as flores ao mar em agosto de 2019.

Salt Flow I

Os elementos da Salt Flow levam as flores até ao mar durante as festas da Nossa Senhora da Bonança. @ Salt Flow

Haverá algum motivo específico para a população desta freguesia gostar cada vez mais das escolas de surf? Os donos da Salt Flow apontam para dois.  De acordo com Daniel, “quanto mais surfistas houver no mar, menos acidentes haverá na praia. Pedro acrescenta ainda “todas as pessoas de fora trazidas pela escola”, das quais “os cafés locais têm tirado partido”.

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Acerca do Autor

Pedro Maia Martins

Esposendense de nascimento, barcelense de criação e conimbricense por hábito. Licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Colaborou no passado com o Jornal Universitário de Coimbra - a Cabra e com a Revista Via Latina - Ad Libitum. Foi o último editor de País e Mundo do referido jornal. Colabora neste no momento com a Vila Nova Online e a Revista Bica.

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