Dois terços dos custos anuais com a doença são suportados pelos doentes e respetivas famílias

Saúde | Duzentos mil portugueses sofrem formas graves de Dermatite Atópica

Saúde | Duzentos mil portugueses sofrem formas graves de Dermatite Atópica

 

 

A Dermatite Atópica, vulgarmente conhecida por Eczema, atinge de forma grave cerca de 200.00 pessoas em Portugal. A doença tem um elevado impacto na população e na economia, representando um custo anual de 1.018 milhões de euros, dois terços dos quais suportados pelos doentes que recorrem maioritariamente aos serviços de saúde privados devido aos tempos de espera no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Estes dados são revelados pelo Jornal Médico, que dá conta da existência de um estudo realizado pela primeira vez no nosso país divulgado hoje, 14 de setembro, no âmbito do Dia Mundial da Dermatite Atópica.

A dermatite atópica (DA), ou eczema atópico, é uma doença crónica, imunomediada e atualmente incurável, determinada por fatores genéticos e ambientais, com um impacto muito relevante na qualidade de vida dos doentes, destaca a OnFM.

Sendo certo que se trata de uma patologia multifatorial complexa, as causas da doença não estão ainda totalmente estudadas. Vermelhidão, edema (inchaço), prurido (comichão), xerose (secura cutânea), fissuras, lesões descamativas, crostas e exsudação são alguns dos sintomas físicos associados, que surgem a par de outros de cariz psicológico, tais como ansiedade e depressão.

“Na maioria das pessoas, acrescem ainda outras comorbilidades que fazem piorar ainda mais” o estado de saúde, tais como asma, rinite alérgica e alergias alimentares e “agravar a qualidade de vida que nalguns casos é inexistente”, disse a presidente da ADERMAP, Joana Camilo, portadora da doença, em declarações divulgadas pela Lusa. Para Joana Camilo, a Dermatite Atópica, está na altura de a doença “ser valorizada, pelos doentes, pelas famílias e pelo Estado”.

As terapêuticas mais utilizadas tratam apenas os sintomas e não a doença em si, restaurando a barreira da pele, minimizando o agravamento da doença, reduzindo o seu grau e duração e diminuindo o surgimento de crises.

Elevado impacto social da Dermatite Atópica 

Em média, o estudo realizado pela NOVA IMS da Universidade Nova de Lisboa, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV) e a Associação Dermatite Atópica Portugal (ADERMAP), estima que cada doente gaste 1.818,00 euros por ano na gestão da sua doença, nomeadamente em produtos, consultas, medicamentos, deslocações e tratamentos complementares.

Só em gastos com medicamentos, um doente com Dermatite Atópica gasta em média 530,00 euros, valor que aumenta para 2.054,00 euros nos casos mais graves, assinala o Jornal Médico.

A investigação pretendeu avaliar os impactos sociais, laborais e económicos desta doença inflamatória crónica da pele. Pedro Simões Coelho, o coordenador do “primeiro estudo desta natureza em Portugal”, sublinha, em declarações prestadas à Lusa, que a Dermatite Atópica “tem um impacto muito significativo, em alguns casos dramático, na qualidade de vida dos doentes, manifestando-se com níveis de intensidade diferentes [ligeiro, moderado e grave]”. Em todos estes níveis há “impactos sociais significativos”, nomeadamente devido aos sentimentos de “vergonha, ansiedade e frustração” que cerca de um terço dos doentes manifesta, cita o Jornal Médico.

Em média, estes doentes gastam três quartos de hora por dia a tratar da doença. No entanto, nos casos mais graves chegam a gastar 81 minutos, refere o estudo que envolveu 204 doentes e decorreu entre junho de 2019 e janeiro de 2020.

Estes doentes perdem, em média, dois dias de trabalho por ano, chegando aos nove dias nos casos mais severos. “Mas, mais importante do que o absentismo são os dias de trabalho perdidos” de forma indireta por perda de produtividade, porque “a pessoa se sente mal”, sublinhou. Neste caso, estima-se uma perda equivalente a 50 dias de trabalho por ano, o que tem “uma expressão económica muito significativa”.

O prejuízo para a vida pessoal dos doentes é de tal forma elevado que estariam mesmo dispostos a abdicar de 21% do seu rendimento anual para conseguirem eliminar a doença, cujo diagnóstico surge, em média, dois anos após os primeiros sintomas, revela o estudo. Em 10% dos doentes o diagnóstico demorou mais de seis anos.

Os investigadores calculam que, no total, entre dias faltados, perda de produtividade, e também dias faltados por familiares ou cuidadores, que haja um impacto económico total na sociedade de perto de 1.500 milhões de euros. No que se refere aos custos diretos, os encargos anuais para o Estado rondam os 218 milhões de euros e para os doentes um total aproximado de 800 milhões de euros.  O investimento nesta doença tem “um significativo retorno positivo para a sociedade, que se traduz em qualidade de vida do doente, e numa importante mitigação do seu impacto económico”.

SNS coloca problemas de falta de equidade no acesso a tratamento

Embora o Jornal Médico não adiante prazos, destaca que o tempo de espera por uma consulta de Dermatologia no Serviço Nacional de Saúde é superior em 8 vezes à espera para uma consulta da especialidade no sistema de saúde privado. Tal facto faz com que a grande maioria dos doentes recorre a serviços particulares,  o que demonstra existirem “questões de equidade que necessitam ser garantidas para um acesso à saúde justo para todos”, defende o presidente da SPDV, Miguel Peres Correia.

Estima-se que existam cerca de 440 mil pessoas em Portugal com DA, das quais 46% apresentam formas mais graves da doença, que tem como sintomas vermelhidão na pele, edema, comichão, pele seca, fissuras, lesões descamativas, crostas e exsudação.

O estudo será apresentado ao público, pelas 16h00, não sendo necessária pré-inscrição.

 

Fontes: Jornal Médico, OnFM; Imagem: James Heilman

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