Luís Filipe Sarmento

(Re)Agir | Comentar é…

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Comentar é bom. Um comentário a um texto mostra o interesse de quem lê. Por vezes concordando, por vezes discordando. Um comentário não é um insulto. Mas por vezes esconde muitas coisas que nada têm a ver com o que se propõe.

O que demonstra um comentário? O que provoca o texto? Por que razão, nas redes sociais ou nos meios de comunicação social, a maioria dos comentários revelam com transparência que o texto comentado não foi entendido? Não foi entendido porque não se entendeu. Não foi entendido porque não se quis entendê-lo. Não foi entendido porque o texto nem sequer seria relevante para o comentador. Na minoria dos casos, o comentário ao texto demonstra que ele foi entendido, concorde com ele ou não.

Quererá o comentador comentar um texto ou tão-só aproveitar o seu conteúdo para falar de si próprio? Se no meu texto há uma praia que no contexto faz todo o sentido por que razão o comentador escreve que no dia anterior esteve numa praia acompanhado por não sei quantas pessoas, que almoçou sardinhas e bebeu sangria e que o pôr-do-sol estava espectacular?

É certo que o estímulo provocado pela leitura de um texto pode mover-se em todas as direcções. E se o texto provoca o comentador por que não falar de si próprio quando o comenta? Se quem comenta um texto não quer comentá-lo, mas apenas falar de si, negligencia o rigor que se lhe exige quando se propõe comentar um texto.

A maioria dos comentários nas redes sociais constitui uma colecção fantástica de lugares-comuns em que apresenta o comentador como possibilidade artística. O meu poema pode gerar outro. O que é bom. Se não for plágio.

Será que alguns comentadores constatarão secretamente como lhes é difícil escrever, como lhes é penoso articular ideias, configurar textos legíveis? A leitura diária poderá ser um bom remédio que ajude a estruturar ideias e a formular opinião crítica. É tudo uma questão de leitura.

Comentar é ponderar, observar, interpretar e expor um ponto de vista sobre o que se lê ou o que se vê e não uma extrapolação de um objecto para outro que nada tem a ver. Dito de uma maneira popular: o que é que o cu das calças tem a ver com a feira de Beja?

É natural que este texto provoque uma greve legítima de comentadores ao que foi dito. É assim a vida.

 

Obs: pré-publicação do livro ‘Rouge – Utopie’ (2020).

Imagem: José Lorvão

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Categorias: Crónica, Sociedade

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