Poder ou não poder, eis a questão

Verão | Saborear a liberdade de conduzir em tronco nu

Verão | Saborear a liberdade de conduzir em tronco nu

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O ato de conduzir automóvel está repleto de alguns mitos urbanos. Agora que é chegado o verão, um dos mais comuns diz respeito à prática da condução em tronco nu. Com o calor e a ida às praias, é frequente vermos condutores de peito ao léu, em pose que pode variar entre o trolha atlético-felpudo, o faz-de-conta gigolo e o tasqueiro barrigudo, entre tantos outros e diversos personagens que povoam a fauna máscula portuguesa. Sim, que isto de andar a conduzir em tronco nu é apanágio da masculinidade. Ou já viram por aí alguma senhora a embarcar na mesma prática?

Não sendo o único, é um dos mais conhecidos e continua a preencher não apenas o imaginário de muitos condutores em vacances, mas, na verdade, o veículo de tantos condutores vestidos em ar de ‘saída de praia’, praticamente ao melhor estilo de ‘O rei vai nu’, bem à moda de momento para mais tarde recordar.

Osbons costumes e aliberdade no vestir

Nos idos de 1940, a Europa  estava em guerra. Portugal recebeu, então, milhares de refugiados em fuga de países bem mais tolerantes nos costumes. As mulheres estrangeiras fumavam, usavam saias curtas e iam sozinhas paras os cafés, deixando os portugueses de boca aberta com tanta modernidade.

‘Ditadura e regulamentação da liberdade no vestir andam muitas vezes de mãos dadas, lembra Manuela Goucha Soares, no Expresso. Porque os portugueses ‘deveriam manter os bons costumes’, no ano seguinte, o Governo de Salazar tratou de prevenir corpos excessivamente à mostra e de legislar sobre os fatos de banho a utilizar nas nossas praias, antes que os portugueses, em especial as mulheres, adotassem as indumentárias dos refugiados estrangeiros no nosso país. ‘Nos termos da Constituição, pertence ao Estado zelar pela moralidade pública e tomar todas as providências no sentido de evitar a corrupção dos costumes’.

Das praias para as ruas vai apenas um passo e o tronco nu, hoje em uso nas praias – pela totalidade dos homens e apenas algumas mulheres, em especial no mais conservador norte do país –  é condenado pela maior parte dos cidadãos se esse uso der daí um salto para as ruas. Algumas esplanadas de praia proíbem mesmo o uso exclusivo de fato de banho e chinelo. Mas atenção: não é proibido passear-se em tronco nu, em plena via pública, conquanto não se trate de exibicionismo puro e duro de natureza sexual.

Conduzir em tronco nu é legal

Assim, como não pode deixar de ser, no que diz respeito à condução em tronco nu, nada existe, de facto, na legislação que condene tal prática. Não é ilegal conduzir em tronco nu, faça-o ou não ‘ao melhor estilo de Holywood’. Assim, tal prática, ainda que mais habitual em pleno verão, não será considerada um atentado ao pudor, muito menos uma contraordenação de trânsito. O nosso Código da Estrada nada regista de indicativo quanto ao vestuário que deve ser usado quando ao volante do um Lamborghini ou, tão só e mais prosaicamente, do alternativo Citroën 2CV descapotável. Assim, qualquer condutor poderá conduzir sem recurso a uma peça de vestuário que cubra o tronco.

Há, no Código da Estrada, apenas uma norma genérica que faz a apologia de uma conduta previdente e segura ao volante. “Os condutores devem, durante a condução, abster-se da prática de quaisquer atos que sejam suscetíveis de prejudicar o exercício da condução com segurança”, refere-se no Artigo 11º.

 

Fontes: GNR, Expresso, Motor24, Deco-Proteste; Imagem: GNR

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Categorias: Sociedade

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