Agostinho Fernandes

Questionário de Proust | Júlio Manuel Fontes de Sá

Questionário de Proust | Júlio Manuel Fontes de Sá

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Júlio Manuel Fontes de Sá é natural de Cabeçudos e residente em Calendário, Vila Nova de Famalicão.

Licenciado em História, pela Faculdade Letras da Universidade do Porto, e em Humanidades, pela Faculdade Filosofia de Braga da Universidade Católica.

Júlio Sá começou por ser professor de História e Português do 2º Ciclo de Ensino Básico de História e Português, vice-presidente da Comissão Instaladora da Escola E.B. 1,2,3 de Arnoso Santa Maria, Coordenador Concelhio da Educação Recorrente e Extraescolar (Educação de Adultos) de Vila Nova de Famalicão, membro do Conselho Municipal de Educação de V. N. de Famalicão. É atualmente professor de Português na Escola E.B. 2/3 Júlio Brandão, estabelecimento de ensino integrado no Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco.

Ao longo da sua vida profissional tem desempenhado as mais diversas funções: membro do Grupo Executivo do Rendimento Mínimo Garantido, membro do Conselho Local de Ação Social e do Grupo Executivo da Rede Social, coordenador pedagógico de diversos cursos orientados para adultos, membro do Conselho Pedagógico, coordenador da Biblioteca Escolar e foi fundador e dinamizador da Biblioteca Popular de coordenador do Jornal Escolar e da Revista Escolar do AECCB. Como orador e palestrante tem participado nos mais diversos eventos, sendo ainda colaborador regular de diversas publicações, entre as quais revistas de educação e da imprensa regional e escolar.

 

 

1. Qual é para si o cúmulo da miséria moral?

A ingratidão, a falta de memória e a hipocrisia.

 

2. O seu ideal de felicidade terrestre?

Penso não existir essa felicidade, pois ela é constituída por momentos efémeros, por instantes fugidios, por etapas. No entanto, os momentos de felicidade estão quase sempre associados à família, à profissão, a pequenas coisas, a sorrisos, a paisagens, a certas leituras, a um poema, a uma música, a um filme, a uma viagem… São fogachos de emoção que provocam arrepios, estremecimentos, batimentos acelerados do coração, cabelos arrepiados, sorrisos e, muitas vezes, lágrimas de alegria.

 

3. Que culpas, a seu ver, requerem mais indulgência?

As culpas provocadas por momentos de desespero, por fraqueza e pela miséria humana.

 

4. E menos indulgência?

As que são premeditadas e planeadas friamente. Os crimes contra a Humanidade, contra as crianças, contra os idosos, contra os “farrapos” humanos, enfim aqueles que são cometidos contra os mais vulneráveis.

 

5. Qual a sua personagem histórica favorita?

Madre Teresa de Calcutá e Leonardo da Vinci.

 

6. E as heroínas mais admiráveis da vida real?

As mulheres, as mães, as esposas, as intelectuais, porque, apesar de tudo, apesar de todos os avanços culturais e de todas as transformações das mentalidades, a mulher ainda é muito injustiçada e menorizada.

 

7. A sua heroína preferida na ficção?

Escolho a anti-heroína, Madame Bovary por aquilo que ela representa, a sociedade de consumo do Século XIX e a rejeição dos valores burgueses e materialistas de sua época.

 

8. O seu pintor favorito?

Destaco Monet e, em Portugal, Júlio Resende.

 

9. O seu músico favorito?

Roger Waters e David Gilmour, dos Pink Floyd.

 

10. Que qualidade mais aprecia no homem?

 A inteligência e a generosidade.

 

11. Que qualidade prefere na mulher?

A inteligência, a jovialidade e a sedução.

 

12. A sua ocupação favorita?

Uma coisa muito simples: de manhãzinha, tomar um café e isolar-me em qualquer café para ler os meus jornais.

 

13. Quem gostaria de ter sido?

Um homem das artes do Renascimento.

 

14. O principal atributo do seu carácter?

A frontalidade.

 

15. Que mais apetece aos amigos?

Estar com eles, conversar, partilhar experiências de vida e conviver.

 

16. O seu principal defeito?

Talvez a teimosia e não gostar de ser contrariado.

 

17. O seu sonho de felicidade?

Estar junto dos meus, ter saúde, ter conforto e poder viajar pelo mundo.

 

18. Qual a maior das desgraças?

Perder a saúde, perder o conforto e ser rejeitado por aqueles que mais amo.

 

19. Que profissão, que não fosse a de escritor, gostaria de ter exercido?

Já a exerço, sou professor. Mas também gostaria de experimentar a área dos recursos humanos.

 

20. Que cor prefere?

Azul.

 


21. A flor que mais gosta?

Flores silvestres, sobretudo margaridas.

 

22. O pássaro que lhe merece mais simpatia?

O melro e o rouxinol.

 

23. Os seus ficcionistas preferidos?

Vergílio Ferreira, Miguel Torga, David Mourão-Ferreira, Agustina Bessa-Luís, Marguerite Duras, Milan Kundera, Umberto Eco, Ernest Hemingway, John Steinbeck, entre muitos outros.

 

24. Poetas preferidos?

Fernando Pessoa, sobretudo Álvaro de Campos, Maria do Rosário Pedreira, Sophia de Mello Breyner Andresen, Filipa Leal, Eugénio de Andrade, Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro, entre tantos outros.

 

25. O seu herói?

Não cultivo o culto do herói. Prefiro os heróis anónimos que se entregam ao bem comum e contribuem para um mundo mais justo e mais solidário.

 

26. Os seus heróis da vida real?

Todos aqueles que fazem voluntariado, numa perspetiva de missão, junto das populações mais desfavorecidas.

 

27. As suas heroínas da história?

Madre Teresa de Calcutá, Joana D`Arc, Rainha Santa Isabel e Inês de Castro.

 

28. Que mais detesta no homem?

A ganância, o materialismo e a hipocrisia.

 

29. Caracteres históricos que mais abomina?

Todo o tipo de despotismo e de totalitarismo

 

30. Que facto, do ponto de vista guerreiro, mais admira?

A crise de 1385 protagonizada pelo Mestre de Avis e por D. Nuno Álvares Pereira.

 

31. A reforma política que mais ambiciona no mundo?

 Aquela que permita um Mundo sem fronteiras, igualitário e justo e garanta a dignidade humana, onde os ricos sejam menos ricos e os pobres possam viver do seu trabalho sem precisarem da mendicidade nem da esmola.

 

32. O dom natural que mais gostaria de possuir?

O da generosidade e o da transformação das injustiças.

 

33. Como desejaria morrer?

Em paz comigo e com os outros; sem sofrimento e de forma serena.

 

34. Estado presente do seu espírito?

Tranquilidade.

 

35. A sua divisa?

Para ser grande, sê inteiro. (…) Põe quanto és no mínimo que fazes.

 

36. Qual é o maior problema em aberto do concelho?

 

O desequilíbrio urbanístico e as desigualdades sociais.

 

37. Qual a área de problemas que se podem considerar satisfatoriamente resolvidos no território municipal?

 A oferta educativa e cultural.

 

38. Que obra importante está ainda em falta entre nós?

 As ciclovias e mais habitação social.

 

39. De que mais se orgulha no seu concelho?

Da qualidade de vida, da tranquilidade, do equilíbrio existente entre o mundo urbano e o rural.

 

40. Qual é o livro mais importante do mundo para si?

Não sei se é o mais importante, mas é o livro que gostaria de ter escrito: Para Sempre, de Vergílio Ferreira, acompanhado pelo poema dos poemas: Tabacaria, de Álvaro de Campos

 

 

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Categorias: Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Agostinho Fernandes

Agostinho Peixoto Fernandes nasceu em Joane, em 1942. Após a instrução primária, ingressou na austera Ordem do Carmo, em Viana do Castelo, tendo terminado a licenciatura em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Como professor do ensino Secundário ocupou, a partir de 1974, vários cargos de gestão em estabelecimentos de ensino. Entre 1980 e 1982 foi vereador da Cultura, pelo Partido Socialista, na Câmara Municipal de Famalicão, sendo Presidente Antero Martins do PSD, onde alicerçou uma política inovadora nesta área. Promoveu os Encontros Municipais e de Formação Autárquica, fundou o Boletim Cultural. Dinamizou o movimento associativo local. Em 1983 foi eleito presidente da Câmara de Famalicão, cargo que ocupou até 2001. O seu trabalho de autarca a favor da educação, ensino e acção social (foi um dos primeiros autarcas do país a criar no seu concelho uma rede pública de infantários) foi reconhecido em 1993 pela UNICEF, que o declarou “Presidente da Câmara Amigo das Crianças”. Ao longo dos seus sucessivos mandatos – que se estenderam por um período de quase 20 anos – o concelho transfigurou-se. A ele se deve a implantação de importantes infra-estruturas como o Citeve, Matadouro Central, Universidade Lusíada, Escola Superior de Saúde do Vale do Ave, Biblioteca Municipal, Artave, Centro Coordenador de Transportes, Casa das Artes, Museu da Indústria Têxtil e piscinas municipais. Também tomou decisões polémicas, como a urbanização da parte dos terrenos de Sinçães, a instalação de grandes e médias superfícies comerciais à entrada da cidade e a demolição do Cine-Teatro Augusto Correia. Foi um dos fundadores da Associação de Municípios do Vale do Ave, tendo, neste âmbito, enfrentando a maior contestação popular dos seus mandatos com a construção da ETRSU de Riba de Ave. É sócio de inúmeras associações cívicas, culturais e de solidariedade social e foi mandatário concelhio de Mário Soares e Jorge Sampaio (1º mandato) nas suas campanhas à Presidência da República.

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