Mudança de atitude acontece ‘perante a evolução positiva dos mercados’

Trabalho | Continental recua na reorganização de turnos e salários

Trabalho | Continental recua na reorganização de turnos e salários

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A Continental Mabor, produtora alemã de pneus, que emprega 2.300 pessoas em Lousado, Famalicão, recuou na intenção de reduzir fortemente os salários dos 675 trabalhadores afetos aos turnos de fim de semana. Após uma longa maratona negocial entre a Comissão de Trabalhadores e a Administração da empresa, ontem, 16 de junho de 2020, empresa e sindicatos anunciaram que, aquando do final do período de lay-off, tudo voltaria a ser como era antes da crise pandémica.

Este acordo, no fundo, passa pela suspensão da intenção inicial da administração, face às melhores perspetivas de retoma das encomendas, o que poderá levar, em breve, à retoma da laboração ao fim de semana, uma vez que “perante a evolução positiva dos mercados”, está agora à espera da chamada da casa-mãe para retomar a laboração aos sábados e domingos, refere Rui Neves, citando a administração, no Jornal de Negócios.

Por outro lado, as previsões fazem antever o levantamento do lay-off no final deste mês de junho e a retoma da laboração ao fim de semana no princípio de julho, o que deverá ser confirmado no decorrer desta semana, confirmou também, ao Jornal de Negócios, Vítor Sampaio da Comissão de Trabalhadores, afeta ao Sindeq, filiado na UGT.

Do outro lado, a administração da empresa assinala também que “para já, sim”, fica tudo na mesma. Mas houve acordo com a comissão de trabalhadores, uma semana depois de cerca de 150 dos 2.300 funcionários da empresa terem promovido uma concentração à porta da instalações da fábrica, em Lousado, Famalicão, contra a proposta de redução de horários e rendimentos efetuada pela administração.

“Estavam a decorrer reuniões com a Comissão de Trabalhadores sobre a reorganização da equipa que trabalhava ao fim de semana”, sendo que estas negociações “tinham por base a falta de encomendas que na semana passada apontavam perspetivas muito difíceis para a retoma no nosso setor de atuação (automóvel) e por isso indicavam ser necessário reorganizar estas equipas”, explica a mesma fonte a Rui Neves, no Jornal de Negócios.

“As reuniões sucederam-se e estiveram em cima da mesa para estudo e análise alguns cenários”, contou, revelando que, esta segunda-feira, 15 de junho, “foi estabelecido um compromisso entre a Comissão de Trabalhadores e a administração”.

O acordo passa pela suspensão da intenção inicial da administração, face às melhores perspetivas de retoma das encomendas, o que poderá levar, em breve, à retoma da laboração ao fim de semana.

“É o que todos esperamos. Mas previsões, hoje em dia, são muito difíceis”, ressalvou a mesma fonte da empresa que, ainda no passado dia 8, tinha afirmado ao Jornal de Negócios que “não se trabalha ao sábado nem ao domingo, pois não temos encomendas que chegue para este turno trabalhar como estava”.

A Comissão de Trabalhadores da multinacional, maioritariamente representada pelo SINDEQ, afeto à UGT, cujo coordenador é Victor Sampaio, considera, por seu turno, que o acordo foi possível porque, nesta fase de resposta à pandemia, os trabalhadores aceitaram mais flexibilidade para a troca de turnos, folgas e trabalho extraordinário, mas também conseguiram demonstrar a justeza das razões que estavam em negociação, conseguindo  o compromisso da administração em que que os horários e as remunerações não sofreriam nenhuma alteração, voltando tudo, no final do período em lay off, a ser como era antes da crise pandémica.

João Ferreira, o eurodeputado do PCP que esteve presente na empresa no início desta semana a apoiar os trabalhadores na sua luta, salienta que este é um dos “notáveis exemplos de resistência de unidade e de luta dos trabalhadores, em que os trabalhadores unidos fizeram frente às intenções da administração de usar como pretexto a situação que vivemos para atacar salários, retirar direitos, desregular horários. O exemplo notável da ação destes trabalhadores aponta o caminho: no combate ao vírus, nem um direito a menos. Combater o vírus sim, agravar a exploração não”.

 

Obs: Artigo atualizado em 17062020, 10H08, com declarações de João Ferreira.

Fontes: JN, Sindeq, PCP; Imagem: Sindeq

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