Anabela Ramos

Paladares | Favas contadas!

Paladares | Favas contadas!

Pub

 

O tempo das favas está a acabar. Semearam-se no início do Outono, acarinharam-se ao longo do Inverno e, chega a Maio, tornam-se iguaria alimentar. Fazem parte da alimentação mediterrânica desde há milhares de anos. Os gregos deixaram receitas e o romano Apício apresenta-as no seu livro de cozinha. E por cá se mantiveram neste tão rico quadro alimentar dos países do sul a que hoje chamamos dieta mediterrânica. Secas ou verdes comem-se ao longo de todo ano, mas é na Primavera, acabadas de sair da horta, que se tornam rainhas. E vão bem com o alho, que também floresce na horta por esta altura, com os coentros, com o chouriço e a carne de porco que se guardam no pote e na salgadeira desde a matança. E esta combinação encontramo-la já em Gil Vicente e continua pelos séculos seguintes. Mas nos mosteiros comiam-se favas estufadas com alfaces, ervas aromáticas, pimenta, azeite, cebola e guarnecidas, no final, com ovos escalfados, tornando-se comida para dias de peixe.

E falando de favas esclareçamos ainda uma curiosidade: as favas contadas. Esta expressão está ligada à vida monástica e às suas grandes reuniões capitulares, onde se decidia a vida em comunidade. Assembleias que também se realizavam nas irmandades e misericórdias. Nestas reuniões, as decisões eram feitas por voto secreto. E a melhor forma de o fazer era com favas. Brancas e pretas, duas variedades que se cultivavam. E porque, muitas vezes, havia decisões importantes a tomar elas eram previamente negociadas. Quando se ia para a eleição já se sabia quem iria votar contra ou a favor. Eram favas contadas! “(… ) e votando-se por favas brancas e pretas, saiu vencido que assim se observasse(…)”. O que, aliás, também acontece no nosso parlamento na actualidade e em outras situações da vida política e social. E houve um tempo que se negociou com um queijo…

E assim as favas contadas foram passando para o linguajar popular! Mas agora, das favas sobejam apenas as brancas que se vão comendo de vez em quando!

Imagens: Anabela Ramos

**

*

Se chegou até aqui é porque provavelmente aprecia o trabalho que estamos a desenvolver; e não pagou por isso.

Vila Nova é cidadania e serviço público: diário digital generalista de âmbito regional, independente e pluralé gratuito para os leitores. Acreditamos que a informação de qualidade, que ajuda a pensar e a decidir, é um direito de todos numa sociedade que se pretende democrática.

Como deve calcular, a Vila Nova praticamente não tem receitas publicitárias. Mais importante do que isso, não tem o apoio nem depende de nenhum grupo económico ou político.

Você sabe que pode contar connosco. Estamos por isso a pedir aos leitores como você, que têm disponibilidade para o fazer, um pequeno contributo.

A Vila Nova tem custos de funcionamento, entre eles, ainda que de forma não exclusiva, a manutenção e renovação de equipamento, despesas de representação, transportes e telecomunicações, alojamento de páginas na rede, taxas específicas da atividade.

Para lá disso, a Vila Nova pretende produzir e distribuir cada vez mais e melhor informação, com independência e com a diversidade de opiniões própria de uma sociedade aberta e plural.

Se considera válido o trabalho realizado, não deixe de efetuar o seu simbólico contributo – a partir de 1,00 euro – sob a forma de donativo através de netbanking ou multibanco. Se é uma empresa ou instituição, poderá receber publicidade como forma de retribuição.

Se quiser fazer uma assinatura com a periodicidade que entender adequada, programe as suas contribuições. Estabeleça esse compromisso connosco.

Contamos consigo.

*

NiB: 0065 0922 00017890002 91

IBAN: PT 50 0065 0922 00017890002 91

BIC/SWIFT: BESZ PT PL

Obs: Envie-nos o comprovativo da transferência e o seu número de contribuinte caso pretenda receber o comprovativo de pagamento, para efeitos fiscais.

*

Pub

Categorias: Crónica, Cultura, Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Anabela Ramos

Historiadora.

Escreva um comentário

Apenas utilizadores registados podem comentar.