Obra integra a coleção ‘elogio da sombra’ coordenada por Valter Hugo Mãe

Livros | Reeditado primeiro volume da obra poética do surrealista Cruzeiro Seixas

Livros | Reeditado primeiro volume da obra poética do surrealista Cruzeiro Seixas

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A 18 de junho, chega às livrarias o primeiro volume da Obra Poética de Artur do Cruzeiro Seixas, que a Porto Editora decidiu agora republicar integrado na elogio da sombracoleção de poesia coordenada por Valter Hugo Mãe.

Decano da arte portuguesa, Artur do Cruzeiro Seixas é um dos nomes incontornáveis do movimento surrealista, do qual foi um dos principais precursores em Portugal. Com um vasto trabalho nas artes plásticas, Cruzeiro Seixas é também um poeta prolífico, um homem com o tamanho de cem anos.

Em 2020, ano em que se comemora o centenário do nascimento do autor, a elogio da sombra inicia a publicação da produção poética do autor, numa recolha organizada por Isabel Meyrelles, também ela uma referência do panorama artístico do nosso país.

“Nesta vasta obra se encontra um surrealismo pleno, a relação mais indomável que ao espírito humano revela sobretudo o que tem de inexplicável e, ainda assim, profundamente necessário”, escreve Valter Hugo Mãe. Para o curador da coleção, Artur do Cruzeiro Seixas “ergue a poesia como “a boca que olha”. Tão feita do improvável quanto de presciência”.

‘Cada poema
cada desenho
são os marinheiros que navegaram na minha cama
são uma revolução não só gritada na rua
são urna flor nascendo nos campos
e é o luar e a sua magia
e é a morte que não me quer
e é UMA MULHER
surpreendente como um marinheiro
luminosa como a palavra REVOLUÇÃO
tão natural como o malmequer
tão metafísica como o luar
tão desejada como a morte hoje
A MINHA MÃE
infinita e profunda
como o mar.

Áfricas’

 

 

 

 

 

Obra poética, por Valter Hugo Mãe

“Artur do Cruzeiro Seixas é agora um homem com o tamanho de cem anos. Cada um dos seus gestos é um século em movimento. Penso nisso em todos os encontros, penso em como os génios sempre independem do tempo e se definem pelo incrível.

Na ansiedade de Cruzeiro Seixas, essa imparável pulsão começadora, nada se exclui. Tantas vezes lhe ouvi o protesto contra qualquer existência estúpida, aquela incapaz do sensível e do criativo, aquela incapaz da humanização que a arte e o conhecimento comportam. Para o grande e genial mestre a vida é uma gula que se revela em todas as formas de maravilha, a partir do fascínio ou do susto, a partir do belo e do que se torna belo em seu genuíno tremendismo.

A elogio da sombra repõe agora os volumes organizados por Isabel Meyrelles e que atónito, há umas décadas, encontrei inéditos na casa do mestre, ainda na carismática casa da Rua da Rosa. Mais adiante, daremos à estampa um quarto volume recolhendo os poemas dispersos.

Nesta vasta obra se encontra um surrealismo pleno, a relação mais indomável que ao espírito humano revela sobretudo o que tem de inexplicável e, ainda assim, profundamente necessário. Uma das figuras maiores do surrealismo do mundo, Artur do Cruzeiro Seixas ergue a poesia como “a boca que olha”. Tão feita do improvável quanto de presciência. Graça alquímica. A transcendência dos que foram eleitos para ver”.

O autor

Decano da arte portuguesa e um dos grandes nomes do Surrealismo português e europeu, Artur do Cruzeiro Seixas nasceu em 1920, na Amadora. No seu longo percurso artístico, conta com uma fase expressionista, outra neo-realista e outra, com início no final dos anos 40, mais prolongada, em que integra o movimento Surrealista Português, ao lado de Mário Cesariny, Carlos Calvet, António Maria Lisboa, Pedro Oom ou Mário Henrique Leiria. Foi um dos seus precursores e atualmente é considerado um dos seus máximos expoentes, considerando-se que o surrealismo fantástico visível na sua obra tenha tido como principal inspiração o trabalho do artista De Chirico.

É autor de um vasto trabalho no campo do desenho e pintura, mas também na poesia, escultura e objectos/escultura. No ano de 1952, foi viver para Angola, onde realizou várias exposições individuais e projetos na área da museologia. Em 1964, fugindo da guerra colonial que se vivia, decidiu empreender uma viagem pela Europa. No seu percurso conta inúmeras exposições individuais e coletivas em importantes museus e galerias, em Portugal e no estrangeiro, e com diversos prémios e distinções.

Em outubro de 2012, a Sociedade Portuguesa de Autores atribuiu-lhe a Medalha de Honra em forma de reconhecimento pela sua longa e sólida carreira artística, como pintor e poeta.

 

Fonte: PE; Imagens: (0, 1) PE, (2) FCMCPS

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Categorias: Cultura

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