Medida relevante para empresas exportadoras pretende contrariar desaceleração de trocas comerciais

Seguros | COSEC assina protocolo para distribuir 400 M€ em seguros de crédito à exportação

Seguros | COSEC assina protocolo para distribuir 400 M€ em seguros de crédito à exportação

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A COSEC – Companhia de Seguro de Créditos celebrou esta segunda-feira com a Direção-Geral do Tesouro e Finanças um protocolo no sentido de comercializar Seguros de Créditos de Curto Prazo com Garantia do Estado que abrangem operações de exportação realizadas para a União Europeia e países desenvolvidos da OCDE, no valor de cerca de €400 milhões.

A Linha agora criada, que recebeu o nome de “Facilidade Curto Prazo OCDE 2020”, permite aumentar o montante das coberturas dos riscos até ao dobro dos valores contratados na apólice base da COSEC em situações em que tenha sido atribuído um plafond que não atinja o valor total de que a empresa necessita. Através de uma apólice de Coberturas Adicionais OCDE 2020, o seguro estará em vigor para exportações que se realizem até 31 de dezembro de 2020.

Medida relevante para empresas exportadoras

“Esta medida é de grande importância para as empresas exportadoras e abrange os principais países parceiros comerciais de Portugal. Nesta fase de retoma da economia é muito importante uma medida como esta, com vista a que as empresas portuguesas beneficiem de apoios públicos aos seguros de créditos como acontece na generalidade dos países europeus”, afirma Maria Celeste Hagatong, Presidente do Conselho de Administração da COSEC.

O protoloco surge no âmbito do quadro temporário adotado pela Comissão Europeia que permite aos Estados-Membros tomar medidas de apoio público aos seguros de créditos para exportações para os seguintes países: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Bulgária, Canadá, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estados Unidos da América, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Islândia, Itália, Japão, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Nova Zelândia, Países Baixos, Polónia, Reino Unido, República Checa, Roménia, Suécia, Suíça.

Desaceleração de trocas comerciais noutros países impacta negativamente Portugal

A China (-€251 mil milhões), os Estados Unidos da América (-€224 mil milões) e a Alemanha (-€218 mil milhões) estão no topo da lista dos países mais afetados pelo abrandamento do comércio mundial em 2020. Estas economias irão perder cerca de €693 mil milhões em exportações no próximo ano, de acordo com um relatório produzido pela Euler Hermes, acionista da COSEC – Companhia de Seguro de Créditos, seguradora líder em Portugal nos ramos do seguro de créditos e caução.

O estudo Global Trade Recession confirmed, watch out for the double-whammy blow due to protectionism, recentemente divulgado pelo grupo líder mundial em seguro de créditos, analisa ainda o impacto da desaceleração das trocas comerciais noutros países comerciais em Portugal. Estima-se que o cenário de abrandamento do comércio mundial impacte as exportações de Espanha e de França em -€89 mil milhões cada, as do Reino Unido em -€152 mil milhões e as de Itália em -€92 mil milhões.

De acordo com esta análise, no primeiro trimestre de 2020 assistiu-se à maior quebra do comércio global desde 2009 – uma contração de -4,3% em relação ao mesmo período de 2019. A tendência, estimam os economistas, deverá agravar-se no segundo trimestre do ano: só em abril a quebra deverá ser de -13% em relação ao período homólogo de 2019.

Por outro lado, a China começa a dar sinais de retoma. Em março – enquanto a Europa generalizava medidas de confinamento e Pequim as levantava – as exportações da China recuperaram 12,4% em relação a fevereiro e +2,3% face ao mesmo período do ano anterior. Nesse mês, as exportações da Zona Euro recuaram -10% em comparação com o mesmo período de 2019. A expectativa dos economistas é de que a situação se agrave no segundo trimestre do ano, dado que cerca de metade do PIB mundial esteve parado para conter a pandemia de Covid-19.

Em relação aos setores que correm o risco de elevadas perdas de exportação, destacam-se o energético (-€668 mil milhões), seguido dos metais (-€383 mil milhões) e dos serviços de transporte ligados aos fabricantes de automóveis (-€246 mil milhões). Apesar de os fornecedores de máquinas e equipamentos, têxteis e automóveis perderem menos em valor absoluto, os economistas estimam que o valor das suas exportações cairá mais de 15%.

Os únicos setores de atividade que não serão atingidos são os setores de software e serviços informáticos (+€46 mil milhões) e de produtos farmacêuticos (+€24 mil milhões).

Preços acompanham quebra nas trocas comerciais

Este estudo mostra ainda que os valores globais do comércio de mercadorias registaram uma forte quebra em março (-3,6% em relação a fevereiro), o que empurrou o valor global do primeiro trimestre para uma quebra de -6,2%.

De acordo com os analistas, esta contração resulta do impacto da descida do preço do petróleo e da queda global dos preços das commodities, à medida a que, primeiro na China e depois na Europa, a procura estagnava e o dólar se valorizava significativamente. Os economistas antecipam que, para os exportadores, esta situação deverá agravar o choque da procura e pesar sobre as receitas.

O estudo considera ainda que, até ao final do ano, o comércio global de bens e serviços não vai ultrapassar 90% do seu nível pré-crise, sobretudo devido à diminuição acentuada dos serviços de viagens e de transporte, que também terá uma recuperação mais lenta.

Riscos do protecionismo

Os autores do estudo alertam para fatores que podem atrasar a retoma da atividade no segundo semestre deste ano, como a adoção de medidas protecionistas sobre produtos médicos, o ressurgimento da retórica do patriotismo económico e a reorientação de posições políticas. Os economistas afirmam que a história económica pode dar aos Estados uma ideia do que não deve ser feito: a Grande Depressão dos anos 30 do século XX foi provavelmente agravada pela adoção de medidas comerciais restritivas.

 

Fonte: COSEC; Imagem: Egor Kunovsky

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Categorias: Economia

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