António Manuel Reis

Rui Rio | O desconfinamento no PSD

Rui Rio | O desconfinamento no PSD

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“Inicio este artigo com uma declaração de interesse.

Nunca fui apoiante de Rui Rio. Saí do Partido de Sá Carneiro, após 42 anos de militância, em coerência com o que sempre afirmei publicamente: se Rio vencesse as directas, sairia enquanto durasse a sua vigência, regressaria após a sua saída.

Apoiei Santana Lopes e, por estratégia política local, ajudei na fundação da Aliança, diga-se de passagem, um erro crasso. Apoiei sem reservas, a candidatura de Luís Montenegro à liderança do PSD, nas últimas directas.

Sou independente.

Dito isto relembro excertos de um artigo publicado, em Setembro de 2017, quando ainda se prognosticavam as candidaturas de Rio e Santana às directas do PSD, no qual explico os motivos pelo qual nunca votaria Rui Rio.

“Assim sendo, desde já e com antecedência dou a minha opinião.

Rui Rio é um político hábil, manhoso e traidor, diz e desdiz-se com uma facilidade tremenda.

Tem como principal objectivo, purgar o Partido dos passistas e posicionar-se ao lado do Partido Socialista, ou seja, colocar o PSD na área centro esquerda do espectro político nacional.

Com a candidatura de Rui Rio regressa o bloco central de interesses que tão mal fizeram a Portugal, regressam figuras bolorentas e amorfas que sempre se serviram do partido, para agendas de interesse próprio. O tempo desta gente já passou, não tem ideias novas, não trazem mais-valias, pelo contrário querem fazer do Partido um apêndice do PS.

Com Rui Rio, o PSD virar-se-á para o espectro esquerdo do centro, aproximando-se do Partido Socialista, mimetizando-se, reduzindo assim as escolhas dos Portugueses por políticas alternativas “ideológicas” (direita/centro direita). Acontece que ao optar por esta situação, não só parte como derrotado, como deixa órfãos muitos milhares de portugueses que vão ficar sem opções alternativas. Votar PSD é votar PS.”

Passados 3 anos deste artigo, o tempo veio corroborar o meu pensamento. Ter razão antes do tempo, deixa sempre um amargo de boca.

Regressando à real politik e ao caos no qual está mergulhado o actual PSD de Rui Rio:

Ao desastre dos resultados eleitorais das eleições nacionais, vão-se juntando estudos de opinião – sondagens – que demonstram inequivocamente que este PSD está em perda absoluta;

É um partido sem rei nem roque, não inspira confiança aos portugueses, deixou de ser um partido credível de alternativa;

É um partido fechado, enfeudado, avesso à abertura à sociedade civil, sem qualquer rasgo de clarividência;

É um partido que, na oposição, não existe, não marca agenda, vai a reboque dos acontecimentos, deixa que partidos menores tomem iniciativas que deveriam ser suas.

“A oposição é para o poder em exercício, estímulo; e, para o interesse comum, factor de progresso”  Francisco Sá Carneiro.

Um partido vassalo de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa.

Um partido com excelentes cabeças pensantes, mesmo na actual conjuntura, mas que estão perdidas no seio de tão má prestação política.

Rui Rio, para mim, é o maior erro de casting na Presidência do PSD, desde a sua fundação.

É necessário um sobressalto cívico nas hostes militantes socias-democratas, para bem de Portugal.

Este não é o Partido Social Democrata da liberdade, igualdade, solidariedade, da cor laranja escolhida por Conceição Monteiro, do compromisso com os portugueses, do primado da pessoa.

Este não é o Partido de massas, interclassista, dos agricultores, dos industriais, comerciantes, dos ricos, dos pobres, das cidades, dos campos (perdeu o eleitorado urbano e está com sangria no eleitorado rural).

Este não é o Partido personalista, a social-democracia que valoriza o liberalismo político, a livre iniciativa, como sua génese, onde nunca se esconde a palavra centro e centro/direita.

Este PSD não tem o impeto reformista que sempre o caracterizou como denominador diferenciador para os outros partidos e para o desenvolvimento de Portugal pós-25 de Abril.

Este PSD, ou melhor dizendo, PS2 de Rio, não serve os desígnios de um Portugal moderno, europeísta, promotor da felicidade e bem-estar do povo Português.

É preciso dizer alto e a bom som, não queremos um PSD assim.

Devolvam-nos a matriz e a gênese do Partido, corporizada nos governos liderados por Francisco Sá Carneiro, Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho.

Desconfinar o PSD, com gente diferente, nas várias eleições internas para as distritais e secções. Mas sobretudo, começar já, nas eleições autárquicas, com a apresentação de listas de gente impoluta, preparada, capacitada, para os desafios que se afiguram, conhecida e reconhecida pela população pela sua índole profissional e social, não por qualquer número de militância.

Desconfinar é convidar, com dados reais e factos concretos – “o poder da razão ante a razão do poder” FSC) -, o Dr. Rui Rio a regressar à sua profissão de economista e deixar para quem sabe e tem estaleca a tal responsabilidade e tão apregoado sentido de Estado.

“As tendências radicam em razões ideológicas, não em diferenças estratégicas. “(…) As tendências são qualquer coisa que assenta em diferenças de pontos de vista com uma certa permanência, que radicam portanto em razões ideológicas ou programáticas e não podem radicar em meras diferenças estratégicas..” FSC.

Haja coragem, para bem de Portugal.”

 

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Categorias: Crónica, Política

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

António Manuel Reis

António Manuel Reis, nasceu em Barcelos a 07-10-1963. Concluiu em 1985, o curso na área de tinturaria têxtil UM/Mazagão. Formação em colorimetria, recursos humanos, automatização, sistemas de qualidade ISSO, planeamento, processos, produção. Industrial Têxtil de 1996 a 2009. Dirigente desportivo 1998 a 2004.Gestor empresarial de 2010 a 2013. Concluiu curso de formação de formadores em 2014. Trabalhador independente Real Estate Consultan 2018. Em curso, Licenciatura Ciências Sociais e Ciência Politica. Militante da JSD desde 1978/ Militante PSD desde 1981, delegado e Observador a Congressos, Delegado CPD, TSD, Membro da CPS, candidato a Presidente de Junta da UF Barcelos, deputado a UF. Candidato á Presidência da CPS. Membro independente da UF Barcelos. Partido Aliança em 2018.

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