Sérgio Torres

Ambiente | Covid-19, Poluição Atmosférica e Energia Solar

Ambiente | Covid-19, Poluição Atmosférica e Energia Solar

 

 

Entre os meses de Março e Abril de 2020, a Alemanha e o Reino Unido bateram os respectivos recordes nacionais de produção fotovoltaica. As razões prendem-se, acima de tudo, com as condições amenas do Inverno deste ano. Contudo, algumas publicações na imprensa mundial não tardaram a atribuir este pico de produção energética à redução acentuada de emissões de poluição atmosférica que se verificou com a travagem de muitas economias por todo o globo, consequência de diversas medidas de confinamento impostas para combater a pandemia de Covid-19.

No passado 25 de Abril, o Observador publicou esta notícia:

«Covid-19 fez disparar a produção de energia solar

Não foi a pandemia que se infiltrou nas centrais solares e fez aumentar a produção de energia fotovoltaica. A explicação para o incremento da produção de electricidade tem a ver com a menor poluição.»

O texto não está assinado nem refere as fontes dos dados. Todavia, o Electrek, “site de notícias e comentário compilando, analisando e estreando notícias sobre a transição de transportes a combustíveis fósseis para eléctricos”, publicou um artigo de Michelle Lewis dois dias antes (a 23 de Abril) com a mesma foto que o Observador usa para ilustrar a sua peça (de Andreas Gücklhorn, crédito omitido na publicação portuguesa) e com dados similares. O Observador, inclusivamente, arquivou a sua notícia na secção AUTO / ELÉCTRICOS.

Os artigos do Electrek (23 de Abril) e do Observador (25 de Abril)

O texto no Observador começa com um balanço sumário dos efeitos da pandemia de Covid-19 (“3 milhões de infectados e 200.000 mortos” — em todo o mundo, acrescente-se), alegando imediatamente que a pandemia “teve o condão de provar que o excesso de poluição atmosférica limita a geração de electricidade das centrais fotovoltaicas”. Segundo o Observador, esta é a conclusão “dos alemães”, após ultrapassarem duas vezes num período de um mês o seu recorde nacional de produção fotovoltaica: a 23 de Março e a 20 de Abril. A primeira data é avançada, mas a segunda é substituída pela vaga referência à “semana passada” — o Electrek cita (erroneamente) um outro artigo da Time que indica que 40% da energia produzida na Alemanha foi energia solar (a Electrek diz antes que se trata de 40% da energia consumida).

O artigo do Electrek avança também os recordes de produção fotovoltaica do Reino Unido, que o Observador diz que “não ficam atrás” dos do “país de Angela Merkel”.

No artigo do Electrek: «O Reino Unido ultrapassou o seu recorde de [energia] solar esta segunda-feira, com 9,68 GW. O recorde anterior era de 9,55 GW em Março de 2019.» O Observador acrescenta que «[os britânicos] provaram que os painéis fotovoltaicos geram mais electricidade com menos smog. Daí que, na passada segunda-feira, tenham conseguido produzir 9,68 GW…»

O Observador continua, dizendo que «os resultados eram de esperar, pois com o lockdown generalizado – o que significa sem aviões e com o trânsito rodoviário reduzido ao mínimo (o mesmo acontecendo com o marítimo, pelo menos o de passageiros) – a quantidade de partículas no ar foi consideravelmente reduzida».

No Electrek, diz-se que «o lockdown do coronavírus reduziu a poluição. Poluição pode bloquear a luz solar e cobrir painéis fotovoltaicos com sujidade, tornando-os menos eficazes. Air mais limpo tem, por sua vez, permitido mais luz solar, e, logo, mais energia solar gerada nos países europeus».

O Electrek continua: «Recordes de [energia] solar são comuns na Primavera graças a condições solarengas e temperaturas amenas (painéis solares não actuam tão bem no calor), mas este ano a produção foi mais significativa graças a céus mais limpos».

Nenhuma fonte sobre os efeitos da poluição atmosférica sobre a produção fotovoltaica na Europa foi avançada por nenhuma destas duas publicações.

O Observador resume no último parágrafo o resto do conteúdo que se pode ver no Electrek: «Apesar destes valores (encorajadores), a Alemanha continua a ser dos países europeus que mais carvão queima para produzir electricidade, o que torna pouco interessante, sob o ponto de vista ambiental, a utilização de carros eléctricos. Não obstante, o peso do carvão na geração de energia eléctrica na Alemanha, que era de 40% em 2016, tem vindo a cair consideravelmente nos últimos anos, rumo à abolição em 2038».

A meta do fim da geração eléctrica a carvão para 2038 é avançada pelo Electrek, que refere que em 2019 40% da electricidade gerada da Alemanha provinha de energia verde, combinando solar e eólica, e avança com a previsão do governo alemão para que em 2038 esta percentagem suba para 80%. Por enquanto, a Alemanha continua a tardar em abandonar o carvão, ao passo que a Áustria e a Suécia fecharam suas últimas centrais “esta semana”.

Na Suécia, a central de Värtaverket foi encerrada a 16 de Abril, e, na Áustria, a central de Mellach foi encerrada no dia seguinte. Assim, ambas se juntam à Bélgica entre os países que abandonaram o carvão como fonte de energia.

Um comunicado de imprensa de Chris Hewett, executivo da Solar Trade Association (STA) do Reino Unido:

«Condições climatéricas ideais e níveis de poluição mais baixos que o normal implicam que a [energia] solar está a providenciar níveis recorde de electricidade barata e limpa à rede. Nesta altura em que muitos de nós trabalhamos remotamente, podemos dizer que a solar está mesmo a manter-nos o Wi-Fi ligado». No mesmo comunicado, citando o The Guardian, dizem que, graças à abundância de energia solar, o Reino Unido viveu o período mais longo de 2020 sem recurso a carvão, de 11,5 dias.

Por fim, o Electrek tira a sua conclusão: «A pandemia pode ter atrasado a produção de painéis solares e atingido os empregos na indústria (poucos sectores foram poupados), mas os painéis fotovoltaicos já instalados têm produzido fantasticamente na Europa e noutros lugares. Certamente esta será prova suficiente da importância da necessidade de incrementar a energia verde, já que o carvão está moribundo e o petróleo rebentou?»

32,227 Gigawatts de Energia Solar na Alemanha – Percentagens

O artigo da Electrek está errado ao dizer que [no pico de produção] a energia solar representou 40% da energia consumida na Alemanha. Acontece que nesse dia a energia solar produzida foi 35% da total. O que não foi referido foi que a Alemanha não produz toda a energia que consome.

A 20 de Abril, dia recorde de produção e consumo de energia solar alemã, o país foi capaz de produzir 83% da energia necessária para satisfazer as suas necessidades, e, desses 83%, 35% provieram de centrais fotovoltaicas.

Regra de Três Simples: 35% em 83% representam 41% do total.

Produção de electricidade na Alemanha na semana de 19-26 de Abril de 2020

Os valores de produção energética estão discriminados no site Energy Charts, do Insituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar, onde compilam dados de plataformas de transparência das centrais geradoras do mercado pan-europeu.

Poluição Atmosférica e Produção Fotovoltaica

Uma consequência bem-vinda das medidas de confinamento que por todo o mundo se têm implementado é a redução evidente de poluição atmosférica, que nos tem brindado com panoramas que não víamos há décadas.

Bhushan Kumar e Sunil Kataria, para a Reuters

Entre as cidades com pior qualidade do ar figuram muitas da China, Paquistão e da Índia.

Em regiões como Pequim, Banguecoque, Singapura ou Nova Deli, com piores condições de poluição atmosférica, temos assistido a situações inauditas.

E, na Europa, também temos verificado grandes reduções nas emissões de poluição atmosférica, consequência das medidas de confinamento implementadas para combater a pandemia de Covid-19.

Comparação entre níveis de Dióxido de Nitrogénio na Europa em Março-Abril de 2019 e de 2020, quando foram impostas medidas de confinamento da população Dados da Agência Espacial Europeia (ESA) e do Copernicus Sentinel Programa de Observação da Terra da União Europeia, processados pela ESA e pelo Real Instituto Meteorológico da Holanda (KNMI)

O comunicado de imprensa de Chris Hewett, da Solar Trade Association, implica serem as principais causas dos picos de produção solar as «condições climatéricas ideais e os níves de poluição abaixo do normal».

Este comunicado é citado pelo artigo do Electrek e, talvez, a partir do qual o Observador extrapolou suas conclusões, que atribuem à pandemia de COVID-19 «…o condão de provar que o excesso de poluição atmosférica limita a geração de electricidade das centrais fotovoltaicas».

Em primeiro lugar, há que realçar que os estudos sobre os efeitos de poluição atmosférica alertam principalmente para os riscos imediatos e a longo prazo para a saúde pública. Nas últimas semanas, tem surgido investigação sobre a correlação entre os principais poluentes antropogénicos e as taxas de mortalidade do Covid-19, a partir de novos dados e investigação semelhante durante pandemias de gripe.

Poluentes causam e/ou agravam condições de saúde, havendo investigação sobre a correlação entre a emissão de Dióxido de Nitrogénio e a mortalidade do Covid-19, bem como sobre material particulado poder transportar vírus, trate-se da gripe ou de Covid-19, embora esta seja ainda uma hipótese a precisar de melhor investigação. O estudo “Exposição a poluição atmosférica e mortalidade de Covid-19 nos Estados Unidos” concluiu que «um pequeno incremento na exposição a longo prazo de PM2,5 [1 µg/m³] leva a um grande incremento no número de casos fatais de Covid-19 [15%]», pois o material particulado é facilmente inalado e até absorvido pela corrente sanguínea, podendo causar complicações respiratórias ou cardiovasculares graves e facilitando o agravamento de infecções de Covid-19.

Lauri Myllyvirta, analista do Centro para Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo de Helsínquia, é citada pela Reuters dizendo que o impacto da redução da poluição atmosférica na Europa pode ser comparado a toda a sua população deixar de fumar por um mês, estimando os benefícios para Alemanha, Itália e Reino Unido na prevenção de mais de 1500 mortes prematuras. «As nossas análises realçam os tremendos benefícios para a saúde pública e qualidade de vida que poderiam ser obtidos por rapidamente reduzir [o recurso a] combustíveis fósseis de forma sustentada e sustentável».

Depois de revistos os riscos dos poluentes atmosféricos, observemos a redução drástica na emissão destes durante o confinamento. De que falamos quando nos referimos a redução na poluição atmosférica na Europa e no Mundo?

Na Base de Dados da Qualidade do Ar da Organização Mundial da Saúde, os poucos sítios na Europa identificados com concentrações de material particulado entre 35 e 50 µg/m³ são na Macedónica do Norte, Bósnia e Herzegovina e Croácia — excepções. Os países europeus com maiores indústrias apresentam concentrações entre os 15-25 e os 25-35 µg/m³, e é frequente observar regiões europeias com concentrações entre 10 e 15 µg/m³ ou mesmo abaixo dos 10 µg/m³.

A Agência Europeia do Ambiente avança com os seguintes dados das concentrações de Dióxido de Nitrogénio da semana de 16-22 de Março, em comparação com período homólogo do ano passado: -24% em Milão, -47% em Bergamo, -26% em Roma, -55% em Barcelona, -41% em Madrid, -51% em Lisboa.

A BBC avança estes dados do Department for Environment, Food & Rural Affairs (DEFRA), que observaram uma redução máxima de 60%, em comparação com o ano passado, das emissões de dióxido de nitrogénio, poluente produzido pelas emissões de transportes pessoais.

Comparando os dados do DEFRA sobre o Reino Unido e os das medições de Wuhan, Hebei, é possível observar que os níveis de Dióxido de Nitrogénio médios da cidade chinesa durante a quarentena eram ainda superiores aos do Reino Unido do ano passado, sem as condições extraordinárias que as reduziram (no fim de Março de 2019, o Reino Unido emitia pouco menos de 30 µg/m³, enquanto Hubei, em período homólogo deste ano, emitia perto de 35 µg/m³ de Dióxido de Nitrogénio).

Médias mensais em Wuhan, Hebei, de microgramas por metro cúbico de Dióxido de Nitrogénio e Material Particulado com diâmetro inferior a 2,5 micrómetros, publicadas pela Reuters

Na Base de Dados da Qualidade do Ar da Organização Mundial da Saúde, podemos observar que no sub-continente indiano e do Extremo Oriente os dados apontam frequentemente para concentrações de material particulado acima de 50 µg/m³.

No Ocidente, foi, por exemplo, no período dos grandes fogos da Califórnia que se viveram níveis tão graves de poluição atmosférica que a produção fotovoltaica se viu significativamente afectada. Poluentes atmosféricos reduzem a irradiação solar. Sulfatos podem reflectir a luz solar e o Carbono Negro absorve-a.

Mercè Labordena, do Instituto de Decisões Ambientais de Zurique, explica que «a China é o líder mundial na instalação de centrais fotovoltaicas e, simultaneamente, o país que mais sofre com poluição atmosférica». No estudo de que Labordena foi responsável sobre o efeito do controlo da poluição na geração de energia solar e receitas na China, reitera que a China é o maior emissor de poluentes atmosféricos antropogénicos mas, ainda assim, não está alheia aos seus efeitos nefastos. Medidas de controlo da poluição atmosfera no passado, com redução de emissões de Dióxido de Enzofre e outros aerossóis cancerígenos têm levado a um incremento da irradiação solar, estimado em 3,5%.

Desde o catastrófico smog que em 2013 cobriu grandes áreas da China que o governo tem redigido políticas no sentido de erradicar o fenómeno: medidas que encontramos desde o Plano de Prevenção da Poluição Atmosférica de Setembro de 2013 ao 13º Plano de Cinco Anos para 2016-2020, o qual, pela primeira vez, impôs quotas obrigatórias para a redução da produção de energia a carvão.

As medidas do governo chinês são, contudo, difíceis de implementar e fazer cumprir. Em parte, por a China não ter um sistema legal completamente estabelecido, por oficiais locais as imporem arbitrariamente e pela sociedade civil não ter influência sobre as empresas e os seus executivos.

Ainda assim, também na China se verificaram reduções acentuadas nas emissões de poluentes atmosféricos.

Se a redução da poluição atmosférica estivesse por detrás do pico de produção fotovoltaica da Europa, por certo verificar-se-ia o mesmo no Extremo Oriente.

E não há notícias nesse sentido.

No entanto, o Deutscher Wetterdienst (DWD), o Serviço Meteorológico Alemão, tem vindo a alertar nos últimos meses para condições invulgares de céu limpo e baixa precipitação no Norte europeu.

Fevereiro deste ano foi o 2º mais quente nos registos do DWD, que começam em 1881, apesar de se verificarem menos horas de luz solar que a média (65 horas, 10% abaixo das normais 72). Comparado com a referência de 1981-2010, a temperatura de Fevereiro foi 4,3 ºC superior à media de iguais períodos, só superada por Fevereiro de 1990, quando a subida foi de 5,7 ºC, o que se traduziu numa média nacional “quase típica de Verão”. Fevereiro de 2020 foi também o mais húmido em registo, com precipitação perto de 250% da esperada (125 l/m2 em vez de 49 l/m2). Acentuadas tempestades provocaram graves danos.

Em Março deste ano, nos primeros 20 dias do mês, a Alemanha viveu um clima “demasiado ameno e um pouco seco demais”. A precipitação decaiu em 10% em relação à média (aproximadamente 50 l/m2 contra os 57 l/m2 esperados) e as horas de luz solar somaram-se em 175, excedendo em 57% as 111 expectáveis.

Segundo o DWD, a Alemanha “não viveu condições de autêntico Inverno em 2020”, resultado de áreas de baixas pressões atmosféricas em progressão pelo Atlântico e pelo Europa do Norte.

A paragem abrupta de grandes indústrias por razões profilácticas a meio de Março, a par destas condições propícias a maior produção fotovoltaica no fim do Inverno, resultaram numa menor procura de energia eléctrica e na diminuição da geração a partir de carvão e biomassa. Assim, a Alemanha bateu os seus recordes nacionais de produção e consumo fotovoltaicos.

Estas condições, apesar de ideais para energia solar, poderão propiciar secas. Andreas Friedrich, do DWD, para a TIME, disse «Quase não há uma nuvem sobre a Alemanha.» O mesmo é citado pela Bloomberg dizendo que «se não tivermos mais chuva que o normal em Maio, então esperamos que venha a ser um ano de sérias condições de seca».

Barca do Reno, em Kaub. Fotografia de Thomas Frey para a Bloomberg via Getty Images

Em Abril, registou-se 5% da precipitação esperada. Na Alemanha, o trânsito fluvial é importante tanto para turismo como para a indústria e começam a pronunciar-se preocupações com o caudal do Reno.

Estudos sobre o impacto da poluição atmosférica na produção fotovoltaica têm-se centrado precisamente nas regiões mais poluídas do mundo. Ao passo que nenhum estudo recente avança conclusões sobre o impacto da poluição atmosférica na produção fotovoltaica europeia, o aparentemente inusitado pico de energia solar na Europa é suficientemente explicado pelas condições climatéricas. Apenas publicações leigas, sem afiliação a nenhuma instituição científica, chegaram a esta conclusão sobre o Reino Unido e Alemanha.

A importância da necessidade

Vivemos tempos conturbados para a indústria energética. Este ano, a Áustria e a Suécia cessaram a actividade das suas últimas centrais a carvão. O petróleo, com a queda súbita da procura de combustíveis pela população em confinamento, esteve pela primeira vez na história a preços negativos.

Como muitos têm proposto, a pandemia de Covid-19 acabou por dar a oportunidade inédita de imaginar um mundo com menos dependência de combustíveis fósseis.

Na altura em que a produção fotovoltaica alemã se superou, representando 40% da energia produzida no país, carvão e nuclear representaram somente 22%. No total, as energias renováveis constituíram neste período 78% da produção energética. Aumentou a frequência de períodos em que o preço da electricidade foi negativo.

Depois de um boom de crescimento nos anos 2000 e do revés no investimento durante a década de 2010 provocado concorrência agressiva chinesa, a indústria fotovoltaica alemã tem tido de novo grande crescimento e atraído investimento.

«Precisamos de 10 gigawatts de novas instalações por ano para compensar a redução faseada da energia nuclear e de carvão», aponta Carsten Körnig, do grupo BSW Solar.

O público alemão vê as instalações fotovoltaicas com cada vez melhores olhos. Tem-se verificado a popularização de baterias domésticas, que estão a tornar a produção solar cada vez mais fiável para satisfazer as necessidades ao longo dos períodos de dia e noite. O mesmo Carsten Körnig reitera que há ainda uma vasta capacidade de produção fotovoltaica económica/barata por explorar para abastecer zonas rurais e urbanas.

A taxação do carbono tem sido grande motivador desta mudança de paradigma.

Um estudo de Mikael Skou Andersen sobre a experiência da Europa com a taxação do carbono-energia observou que esta resulta em redução média no consumo de combustíveis fósseis e emissão de gases de efeito-estufa de 3,1%, sendo os efeitos mais pronunciados nos países com maior taxação.

Regimes de Licenças de Emissão (Emissions Trading System / ETS) e Taxação de Carbono no mundo, segundo o Estado e Tendências da Taxação do Carbono de 2019 do World Bank Group. Verde: ETS implementado ou prevista implementação; Azul: TC implementada ou prevista implementação; Amarelo: ETS ou TC em consideração; Verde e Azul: ETS e TC implementadas ou prevista implementação; Amarelo e Azul: TC implementada ou prevista e ETS em consideração; Amarelo e Verde: ETS implementada ou prevista e TC em consideração; Amarelo, Azul e Verde: ETS e TC implementadas, previstas ou em consideração.

À medida que se anunciarem as medidas de desconfinamento, dar-se-á o inexorável regresso à normalidade do fim de 2019. Contudo, este é o momento ideal para iniciativas de cidadãos e activistas, reforçadas por políticas de incentivo, proporem as alternativas que nos permitem gradualmente tornar a nossa economia robusta, mais sustentável, menos dependente de tecnologia e recursos danosos e, em última instância, mais responsável e proveitosa.

COVID-19, Produção Fotovoltaica e Poluição Atmosférica

Em suma, sofremos diariamente os efeitos de excessiva poluição e vivemos dominados por metas económicas que, para serem alcançadas agora, exigem o sacrifício do amanhã. Com a grande travagem de muitas actividades ao nível global, tivemos um vislumbre do mundo em que poderíamos viver. As consequências nefastas da sobre-exploração e desperdício de recursos e dos seus sub-produtos e resíduos não são só uma ameaça do futuro; são um fardo para os sistemas de saúde e comprometem hoje o desenvolvimento de todos os países.

Tanto a comunidade académica como os sectores empresariais têm ao seu dispor as ferramentas, recursos e métodos para implementar a mudança necessária. Urge que o público, o eleitorado e os clientes exerçam o seu direito de expressão, de voto, de decisão e instaurem a vontade para avançar.

Os detractores da acção pelo ambiente, seja qual for a razão que os motiva (ganhos rápidos, ignorância, fanatismo político…), armam-se com a incongruência que suspeitam achar-se na discussão de assuntos desta natureza. Por isso, há que nos socorrermos da experiência, das observações e dos estudos para planear e agir. Por muito que partilhemos do sentimento por detrás dos artigos que louvam a janela para este admirável mundo novo, não podemos deixar suposições infundadas mesclar-se no discurso.

É absolutamente essencial ter rigor.

Obs: Este artigo foi previamente publicado em Bicho do Buraco.

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Categories: Sociedade

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Sérgio Torres

Formado em Cinema na Escola Artística Soares do Reis e licenciado em Artes Digitais e Multimédia na ESAD Escola Superior de Artes e Design Matosinhos. Videógrafo, animador, ilustrador e escritor. Autor de documentários, ilustrações e contos para crianças.

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