Valores de pressão arterial desejáveis nesta população são inferiores aos da população em geral

Saúde | Hipertensão arterial mais frequente entre as pessoas com Diabetes

Saúde | Hipertensão arterial mais frequente entre as pessoas com Diabetes

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No âmbito do Dia Mundial da Hipertensão Arterial, que se assinala a dia 17 de maio, a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) alerta para a importância do papel do doente na prevenção de complicações associadas à diabetes e à hipertensão, uma patologia que é duas vezes mais comum nas pessoas com diabetes.

A hipertensão é a principal causa de doença cardiovascular e de morte prematura em todo o mundo, sendo que 40% da população portuguesa é hipertensa.

A tensão arterial resulta da pressão do sangue sobre as paredes das artérias. Vários fatores, de cariz genético ou ambiental, contribuem para o aumento da tensão, podendo culminar em hipertensão arterial.

O consumo excessivo de sal é uma das principais causas para o desenvolvimento desta patologia, sendo mesmo um dos objetivos da OMS «fazer com que o consumo de sal per capita se aproxime de 5 g/dia em 2020».

A hipertensão arterial potencia o risco de ataques cardíacos, derrames cardiovasculares e insuficiência renal. Pode ainda causar cegueira, irregularidades do ritmo cardíaco e insuficiência cardíaca. O risco de desenvolver estas complicações é maior na presença de outros fatores de risco cardiovasculares, tais como a diabetes. No mundo, um em cada três adultos tem hipertensão arterial.

No entanto, a redução do risco de desenvolvimento de hipertensão arterial pode ser efetuada de várias formas: hipertensão ou pressão arterial elevada é uma doença crónica, que pode ser reversível, desde que se adotem hábitos de vida saudáveis.

  • Reduzir a ingestão de sal;
  • Optar por uma dieta equilibrada;
  • Evitar o uso nocivo do álcool;
  • Praticar atividade física de forma regular;
  • Manter um peso corporal saudável;
  • Evitar o uso de tabaco.

Hipertensão arterial e diabetes

“A hipertensão arterial na diabetes tem características específicas, com maior prevalência de hipertensão noturna, o que confere um risco acrescido de eventos cardiovasculares. É fundamental estarmos atentos à variabilidade tensional do indivíduo com diabetes, assim como ao perfil glicémico do doente com hipertensão arterial. Para isso é essencial otimizar o controlo dos níveis tensionais, através de medições regulares em ambulatório, razão pela qual o processo de educação terapêutica junto do doente, feita pelos profissionais de saúde que o seguem, é ponto-chave para se atingirem objetivos de controlo. Sensibilização, ensino, simplificação do esquema terapêutico, seleção e ajuste de fármacos, com base numa individualização de risco. Cada caso é um caso” afirma Pedro Matos, cardiologista da APDP.

A diabetes é uma das principais causas para a progressão da doença renal, à semelhança da hipertensão arterial. Estas patologias, quando combinadas, apresentam um risco acrescido para a insuficiência renal terminal. A própria insuficiência renal é, também ela, um poderoso fator de risco para eventos cardiovasculares.

“Temos de explicar adequadamente às pessoas com diabetes de que forma pode ser feita uma prevenção mais eficaz. Os valores de pressão arterial desejáveis nesta população são inferiores aos da população em geral, pelo que são exigíveis formas de intervenção estruturadas e múltiplas, quer na modificação do estilo de vida, quer no recurso a combinação de vários fármacos para conseguir algum grau de eficácia. O próprio doente tem de estar sensibilizado e educado para adotar estas medidas, fazer o seu autocontrolo regular e interagir com os profissionais de saúde, para ajuste terapêutico” reforça Pedro Matos.

Em todo este processo, e tendo em conta que estamos a falar de doenças crónicas, o cardiologista destaca ainda que temos dois agentes cuja ação se complementa: “A pessoa com diabetes, devidamente instruída para um autocontrolo da sua diabetes e tensão arterial, e o profissional de saúde, capaz de definir o nível de risco, a seleção de fármacos para cada um e o ajuste terapêutico consoante os resultados.”

Na situação atual em que vivemos, as pessoas com doenças crónicas, como a diabetes e a hipertensão, encontram-se entre os grupos de risco com maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de complicações graves com a infeção por Covid-19. “Deve ser definida uma estratégia que assegure a segurança destes grupos de risco em relação ao trabalho presencial. Essa estratégia, que depende do controlo metabólico individual, das comorbilidades e do próprio contexto laboral, deve ser da responsabilidade do médico assistente, o mais habilitado pelo seu contacto regular com a pessoa com diabetes, para decidir, com base nas premissas anteriores, o potencial de um eventual contágio.” alerta José Manuel Boavida, presidente da APDP.

Em caso de dúvidas ou necessidade de acompanhamento, a APDP disponibiliza ainda a Linha de Apoio Diabetes , através do telefone 21 381 61 61, entre as 8h00 e as 22h00, incluindo fins-de-semana.

De 17 a 22 de maio, decorre a Semana da Hipertensão

A Sociedade Portuguesa de Hipertensão vai organizar a 1ª Semana da Hipertensão EM CASA, tendo em conta as medidas de contingência devido à pandemia de Covid-19. Neste sentido, estão previstos webinares temáticos e atividades online no Facebook, Instagram, Youtube e site da SPH. A ideia é ajudar a desconstruir mitos relacionados com o dia a dia de um doente hipertenso, incentivar a atividade física regular e uma alimentação saudável com baixo teor de sal. E relembrar a importância de cumprir a toma da medicação prescrita.

Obs1: Artigo editado em 15052020, 12h51, com inclusão de informação relativa à Semana da Hipertensão.

Obs2: Artigo editado em 15052020, 14h51, com inclusão de informação relativa à doença de hipertensão arterial.

Fontes: APDP, SPH; Imagem: (0) SPH, (1) Nephron

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