Mário Martins

Ensino | Na creche partilham-se brinquedos e sorrisos…

Ensino | Na creche partilham-se brinquedos e sorrisos…

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Todos sabemos – penso que todos sabemos – a importância da educação em creche para o sucesso das novas etapas da formação comum a todas as crianças e a todos os jovens. A creche é demasiado importante para a frequência do ensino pré-escolar, assim com a frequência do ensino pré-escolar é importante para a frequência do 1º Ciclo. Se retirarmos às crianças estas possibilidades de frequência da creche e do pré-escolar, estamos a contribuir para que a desigualdade de oportunidades se acentue e se eternize.

Torna-se, assim, urgente ir mais longe. Assim como se tem como meta atingir a frequência do ensino pré-escolar a 100%, também se deve ter como meta atingir a frequência da creche a 100%. Só assim daremos a todas as crianças, sem exceção, o direito futuro a uma cidadania responsável e respeitadora dos direitos e liberdades dos outros.

A desigualdade no acesso ao sistema de ensino acontece logo nos primeiros meses de vida, sendo necessário equacionar o desenvolvimento de projetos que impeçam que tal possa acontecer. Uma sociedade de homens e mulheres livres e iguais tem que pôr em prática os mecanismos necessários, para que essa igualdade e essa liberdade sejam efetivamente reais.

É, portanto, necessário tornar real e efetivo o direito das crianças dos 0 aos 3 anos à frequência da creche, enquanto instituição educativa.

Na creche, a criança aprende a respeitar o silêncio das outras crianças, intervém, entusiasmada, em jogos e brincadeiras, dá os primeiros passos e aprende a andar, partilha brinquedos e sorrisos, respeitando os sorrisos e os brinquedos das outras crianças, canta e dança, naquele jeito ternurento que só as crianças têm, interage com os adultos que estão integrados no seu quotidiano, habitua-se a ser tolerante e a respeitar os direitos dos outros, cultiva o direito à diferença com manifestações de carinho e afeto e desenvolve hábitos de convivência social…

É de tudo isto que não podemos privar as crianças, adultos do futuro que, desta forma, transportarão para a sociedade aqueles valores essenciais da liberdade, da solidariedade e da tolerância.

Quem decide, tem que saber isto!

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Categorias: Crónica, Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Mário Martins

Nasci na casa dos meus pais, em 1951, em Arnoso Santa Eulália, e por lá me fiz adolescente, jovem e homem. Da minha infância, guardo na memória as longas jornadas da escola primária, para onde íamos muitas vezes descalços e com frio, a professora Beatriz, tirana e hostil para as crianças que nunca fomos, os dias sem fim a guardar ovelhas que pastavam nos montes… No fim da “instrução primária”, fui para o seminário, a “via de recurso” para quem não tinha “posses” para estudar no ensino oficial. Por lá andei cinco anos, dois em Viana do Castelo e três em Braga, nos seminários da Congregação do Espírito Santo. Foram tempos felizes: rezava-se muito, estudava-se muito, jogava-se muito “à bola” e havia boa comida! Com muitos sacrifícios dos meus pais, “fiz” o 7º ano (hoje 12º), no Liceu Sá de Miranda, em Braga. No fim deste “ciclo” fui operário na Grundig, em Ferreiros, também do Concelho de Braga, durante um ano. Entretanto, com uma bolsa de estudo da Fundação Gulbenkian, entrei na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Ao fim de três anos, em janeiro de 74, fui para a “tropa”, primeiro em Mafra, depois em Lamego, nos “comandos”. Eu era pequenino e franzino, mas os campos e os montes de Arnoso Santa Eulália, tinham-me feito forte, ágil e robusto! Depois fui professor, a minha profissão, carreira que foi acontecendo, enquanto completava a licenciatura, interrompida pela “tropa”. Fui Chefe de Divisão da Educação e Ação Social e Diretor de Serviços (adjunto do presidente), na Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, na Presidência de Agostinho Fernandes, “no tempo em que tudo aconteceu”. Fui também Diretor do Centro de Emprego, num tempo difícil, em que a “casa” estava sempre cheia de desempregados, e vereador da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, primeiro eleito pelo MAF (Movimento Agostinho Fernandes) e depois pelo PS. Hoje sou bom marido, pai e avô. A vida já vai longa, mas continua a trazer com ela a necessidade de construir, pensar e fazer…

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