José Ilídio Torres

Vidas | “Carpe Diem”

Vidas | “Carpe Diem”

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Que entediante deve ser a vida de quem sempre se guiou pelo politicamente correcto, medindo os passos e as decisões, acompanhando apenas aqueles que lhe podiam ser úteis.

Que profundamente aborrecido, e quantas mentiras e pecadilhos, no final da vida, uma frase bonita escolhida pela família para epitáfio não esconderá.

Ambição, carreira, dinheiro, bens materiais. Tudo acaba num dia, numa hora, num minuto, no último e derradeiro suspiro. Cinzas e pó é o que espera a todos e a cada um de nós. De que nos serve por isso uma vida redonda, onde partida e chegada acontecem sempre no mesmo lugar?

Passar pela vida e não cometer erros é o mesmo que passear pela baixa do Porto num dia de semana e não ouvir um sonoro palavrão nortenho. Quase impossível.

Conheço muita gente que desistiu cedo demais de arriscar, vendendo as ilusões, os sonhos, hipotecando a alma.

O bem mais precioso que a vida nos dá chama-se conhecimento. Não se vende nem se compra, conquista-se nas alegrias e nas frustrações, no amor e na sua perda, num sem número de emoções, tantas vezes contraditórias, que nos vão edificando, e que nos tornam a cada dia mais fortes.

Conforme vamos amadurecendo, e as décadas vão passando, impõe-se que não fique do vivido saudade para o presente. Somos enquanto povo demasiado saudosistas, agarramo-nos frequentemente às memórias positivas do passado, e esquecemo-nos de viver o dia de hoje – ele é o maior património de cada um.

Acordar todas as manhãs e dizer: eu sou a minha luz, transformo destinos, porque vivo a verdade que me é oferecida de igual forma num dia de sol ou num dia de chuva, de vento forte ou suave brisa. Porque conheço o cheiro da terra, das flores, respeito o meu semelhante, os animais, e faço parte desse equilíbrio.

Neste processo dinâmico de auto-conhecimento, passam pessoas pela nossa vida. Umas ficam e permanecem, mesmo na ausência física, outras, de passagem apenas, cumprem uma função fundamental: lembram-nos a cada instante que, na natureza, nada é imutável, tudo se transforma. Deixemos por isso que partam e que a tristeza que sentimos nesses momentos seja o adubo que precisamos para continuarmos o caminho; e se  tivermos que nos equivocar novamente, assim seja.

Fechar o coração ao amor é colocar portadas à entrada e à saída de luz. À nossa e à dos outros. É definhar na mais completa escuridão.

Envelhecer não tem que ser um drama. É certo que o corpo vai perdendo elasticidade, isso acontece aliás a partir do momento em que nascemos, as mazelas vão-se revelando, a dor passa a ser companheira. Todavia, deixarmo-nos envelhecer mentalmente, é uma decisão que cada um pode adiar, se a doença não ceifar essa possibilidade.

Vejo gente envelhecida com trinta anos e jovens com setenta. Vejo gente continuamente a construir muros à sua volta, e outra a destruir barreiras.

Vejo tantos e tantas a superar limitações físicas, e tantos outros e outras a criarem entraves à sua própria vida e à dos outros.

Foi o poeta romano Horácio, que viveu no séc I antes de Cristo, quem escreveu primeiro o termo «carpe diem», com o sentido de «aproveita o tempo presente». Fê-lo para nos mostrar que a vida é breve e, de certa forma, não importa o futuro. Importa viver intensamente cada momento.

Sejamos pois capazes de o fazer, com a paz necessária para a verdadeira revolução que importa:

– A tua!

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Categorias: Crónica, Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

José Ilídio Torres

José Ilídio Torres nasceu em Barcelinhos em 1967. Estudou Direito e Arqueologia, mas acabou licenciado em ensino, variante de educação física, leccionando ao 1º e 2º ciclo do ensino básico. É formador em futebol há cerca de 20 anos. Trabalhou como jornalista na imprensa regional, em jornais como o Notícias de Barcelos e Primeiro de Janeiro, bem como na Rádio Cávado. É autor de 11 livros, em romance, conto, infanto-juvenil e poesia. Foi deputado municipal em Barcelos e candidato à Câmara Municipal pelo Bloco de Esquerda, tendo-se afastado recentemente da vida política activa.

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