Daniel Faria

O legado dos primeiros seguidores de Jesus

O legado dos primeiros seguidores de Jesus

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De acordo com a tradição cristã, proclamada desde as suas origens, Jesus é o Messias anunciado pelos profetas de Israel, homens e mulheres que testemunharam a Sabedoria Divina, tantas vezes com o sacrifício da sua própria vida.

Apos ter sido crucificado, Jesus foi ressuscitado e exaltado por Deus. Como está referido nas primeiras profissões de fé: “Saiba toda a casa de Israel, com absoluta certeza, que Deus estabeleceu como Senhor e Messias esse Jesus» (Atos dos Apóstolos 2, 35); «Constituído Filho de Deus no poder, a partir da ressurreição dos mortos.” (Romanos 1,4).

Inicialmente, todos os seguidores de Jesus eram de facto judeus, independentemente de serem falantes de aramaico ou grego. Há que ter em conta que o hebraico era então essencialmente uma língua usada essencialmente para fins religiosos.

Os judeus não abandonaram as suas tradições religiosas judaicas, acrescentando-lhes a crença em Jesus como Messias (Atos dos Apóstolos 20:7-8; 21:20). Eram chamados ebionitas (ebionim) ou nazarenos (notzrim) devido ao facto de levarem uma vida humilde consagrada a Deus. Há que ter em conta a designação de cristãos surgiu somente em meados do seculo I, na cidade de Antioquia, a capital da Síria romana. O seu movimento era também denominado como o Caminho.

As primeiras comunidades e grupos de seguidores de Jesus gravitavam em torno da comunidade de Jerusalém, cujos pilares de vida eclesial eram os seguintes: escuta assídua do ensinamento dos apóstolos (definidos como as testemunhas da vida e da ressurreição de Jesus), comunhão fraterna e solidariedade, participação na fração do pão e nas orações (Atos do Apóstolos 2,42-47; 4,32-35; 5,12-15).

A abertura aos gentios

Contido até então, com o aumento da difusão dos ensinamentos de Jesus, muitos gentios, isto é, não-judeus, passaram a aceitar e acreditar nestas doutrinas.

Consequentemente, despoletaram-se as tensões. Desde o início que era evidente que os seguidores de Jesus deviam obedecer às exigências éticas fundamentais da Torá, as denominadas sete Leis de Noé: não cometer idolatria; não blasfemar; não assassinar; não roubar; não cometer imoralidades sexuais; não maltratar os animais; estabelecer sistemas e leis de honestidade e justiça.

Mas já não era tão consensual se os novos crentes de origem não judaica tinham que observar os 613 mandamentos do culto e do ritual da lei judaica, a Halacá, nomeadamente os preceitos sobre a circuncisão, o sábado e os alimentos, entre outros.

A corrente mais ligada ao judaísmo acreditava que Jesus não teria vindo abolir a Torá. Desta forma, preconizavam que tanto judeus como gentios convertidos deveriam seguir todos os mandamentos da lei judaica.

Já a corrente liderada por Paulo defendia que Jesus viera trazer a salvação de Deus a toda a humanidade, abolindo a generalidade dos preceitos da Torá, que seriam desnecessários para se obter a salvação.

A desavença entre os dois grupos é demonstrada no livro de Atos dos Apóstolos, levando à convocação da assembleia denominada o Concílio de Jerusalém.

Nesta assembleia, que decorreu no ano 49, Tiago, irmão de Jesus e líder da comunidade de Jerusalém, desempenhou um papel conciliador, tendo promovido a abertura da nova fé aos gentios, os não judeus. De acordo com o Concílio, os cristãos gentios, oriundos do paganismo, foram dispensados da observação das leis rituais judaicas, mas para os cristãos de origem judaica manteve-se a observação estrita da Lei. Todos deveriam cumprir as leis de Noé, que se aplicam a toda a humanidade.

Segundo a perspetiva de Tiago, simultaneamente observador estrito da Lei e conciliador, judeo-cristãos e cristãos de origem gentia deveriam conviver numa mesma comunidade eclesial, e os judeo-cristãos podiam permanecer na sinagoga de onde provinham, na esperança da conversão de Israel no seu todo a Jesus como Messias de Deus.

Consequentemente, não importa se é judeu ou gentio ou se é homem ou mulher. O ser humano torna-se justo diante de Deus não pela observância estrita das leis rituais, mas pela fé e confiança em Deus, que se manifestou em Jesus. Uma fé vivenciada através das obras, ou seja, das experiências da vida.

Uma Cristologia do espírito

Conforme se pode constatar, a primeira grande disputa no cristianismo primitivo não foi sobre a filiação divina de Jesus ou a natureza una ou trina de Deus.

No cristianismo original, a fé no Deus único era considerado como pilar evidente e óbvio. O facto de Jesus ter sido elevado por Deus, junto de Deus e preencher o lugar de honra à direita de Deus, conforme tinha sido anunciado nas Escrituras, era considerado como resultado da fé no Deus. Jesus, o Cristo, é a manifestação do Senhorio e do Reino de Deus, da qual podemos ter a experiência no Espírito.

Com efeito, não há verdadeiramente uma doutrina explicitamente trinitária no Novo Testamento. Refere Hans Küng, um dos principais teólogos da atualidade: “Na linha da Escritura, poderíamos definir assim as relações entre o Pai, o Filho e o Espirito: Deus, o Pai invisível, que está acima de nós; Jesus, o Filho do Homem, como Palavra de Deus e Filho, connosco, o Espirito Santo, como força e amor de Deus, em nós”.

As escrituras do Novo Testamento e as demais escrituras elaboradas no contexto do cristianismo original enfatizam a relação de Jesus com Deus, do qual tudo procede e a quem tudo regressa.

Abordam o modo como Deus se revela, como se relaciona com a humanidade e a sua atuação dinâmica e universal na história.

Os primeiros seguidores enfatizavam a natureza humana de Jesus, como filho carnal de Maria e José, que tornou-se o Filho de Deus e sendo descendente de David, era o Messias de Israel e o mensageiro por excelência de Deus junto da humanidade em geral.

Daí as reservas que o judeu-cristianismo mostrou em relação aos desenvolvimentos doutrinais da cristologia a partir do seculo II.

Uma vivência apocalíptica e democrática

A vida e a mensagem de Jesus foi a fonte de inspiração de uma comunidade espiritual de homens e mulheres que se reuniam no seu espírito para ter experiência do Espírito de Deus.

Os judeo-cristãos compartilhavam uma visão apocalíptica, a qual deve ser entendida de ponto de vista escatológico e não catastrófico, como não raras vezes é erroneamente interpretada.

Isto é, esperavam a vinda iminente do Reino de Deus, para Israel e a humanidade em geral. Um Reino onde não haverá mais lugar para o sofrimento, a opressão, o mal e a morte.

De ponto de vista eclesial, o cristianismo dos primeiros seguidores de Jesus era radicalmente democrático.

Considerando o atual estado das investigações, a Igreja judeo-cristã, entendida como a comunidade convocada, reunida e constituída em nome e no Espírito de Jesus, o Cristo confirmado por Deus, era:

– Uma comunidade de homens e mulheres livres, e não uma instituição de poder;

– Uma comunidade de seres humanos essencialmente iguais, e não uma instituição hierarquizada e estratificada;

– Uma comunidade fraterna de irmãos e irmãs, e não uma estrutura dotada de um governo eclesiástico patriarcal e centralizado.

O movimento judeo-cristão inspirado por Jesus era uma comunidade de discípulos iguais, que são chamados a uma prática comum de inclusão e igualdade.

Contudo, embora os membros da Igreja judeo-cristãos fossem essencialmente iguais em dignidade e direitos, não existia um igualitarismo indiferenciado, que punha em causa a diversidade dos carismas, dos dons e dos serviços.

Com efeito, existia uma grande diversidade de carismas e de ministérios, como o dos apóstolos, dos profetas, dos mestres e dos curadores, entre outros.

Os apóstolos e os profetas

No que se refere aos apóstolos, eram considerados como tais as testemunhas originárias e anunciadoras da vida e mensagem de Jesus. Não eram somente os Doze, o círculo de discípulos mais próximo de Jesus na sua vida terrena. Este título é igualmente válido para Maria Madalena, a primeira testemunha da ressurreição de Jesus, bem como para Paulo, que desempenhou um papel da maior relevância na disseminação de mensagem de Jesus junto dos gentios do Mediterrâneo Oriental.

No caso dos profetas, os Atos dos Apóstolos refere explicitamente a existência de profetisas, como as quatro filhas de Filipe. Portanto, nos diversos ministérios eclesiais, existiam lado a lado homens e mulheres.

Quando se fala do papel de liderança desempenhado por Tiago, Pedro e João, denominados como as três “colunas” no Novo Testamento e noutros documentos cristãos primitivos, deve ter-se em consideração que não dispunham de autoridade exclusiva, e muito menos de uma autoridade de índole monárquica ou centralizadora.

Tragédia e influência no devir histórico

Na década de 60 do século I, um conjunto de acontecimentos abalaram fortemente o judeo-cristianismo.

Em 62, aproveitando o interregno entre a morte do governador romano Festo e a tomada de posse do novo governador, Albino, o sumo sacerdote Anás II condenou Tiago à morte.

O historiador Flávio Josefo refere que a morte de Tiago foi especialmente polémica e que muitos dos “que eram consideradas as pessoas mais justas de Jerusalém, e estritas na observância da Lei”, conforme refere o historiador Flávio Josefo, apelaram à intervenção do governador romano Albino e do rei Herodes Agripa II, no qual o Império Romano tinha delegado a supervisão do Templo de Jerusalém. Este último demitiu Anás II das suas funções.

A condenação à morte de Tiago por Anás II não foi por acaso. Anás II era o quinto filho do sumo sacerdote Anás e cunhado do sumo sacerdote Caifás, que tinham sido, juntamente com o governador romano Pôncio Pilatos, os principais responsáveis pela morte de Jesus.

A família de Anás, que dominava a elite sacerdotal judaica, e a família de Jesus eram como a água e o azeite. A família de Anás temia a popularidade do movimento fundado por Jesus e os efeitos desestabilizadores que a sua mensagem do Reino de Deus baseado no amor e na justiça poderia ter na esfera dos poderes instituídos.

Em Roma, na sequência de um grave incêndio que destruiu uma parte da cidade, o imperador Nero, procurando escapar às suas próprias responsabilidades na tragédia, promoveu a perseguição aos cristãos. Neste contexto, ordenou a prisão e a execução de Pedro e Paulo.

Guerras judaico-romanas

Mas o pior estava para vir. Em 66, desencadeou-se a guerra judaica contra Roma, que mobilizou um quarto do seu vasto exército imperial para a reprimir.

Neste contexto cada vez mais difícil, a comunidade judeo-cristã primitiva de Jerusalém decidiu abandonar a cidade santa, rumo à cidade de Pela, na Transjordânia.

A sua postura ia de encontro à mensagem de paz de Jesus, que era o oposto de uma ideologia de sublevação violenta e que se situava na linha de profetas como Isaías e Jeremias que tinham advertido o povo judeu contra qualquer guerra contra potências muito mais poderosas.

As consequências da primeira guerra judaico-romana, que teve lugar entre 66 e 73, foram terríveis: cerca de um milhão de judeus mortos, a aniquilação de povoações inteiras, a destruição de Jerusalém e sobretudo do templo, o centro por excelência do judaísmo mundial, em 70.

Mas os judeus de Israel não desistiram. Entre 132 e 135, desencadeou-se uma segunda guerra, com resultados igualmente trágicos: 850 mil judeus mortos, nova destruição de Jerusalém e a sua substituição por uma cidade de estilo romano e helenista, designada Aelia Capitolina.

A grande maioria dos judeo-cristãos mudaram-se para a Transjordânia e dispersaram-se pela Mesopotâmia, Arábia, Etiópia e Índia.

Gradualmente, passam a ser marginalizados quer pelos judeus, quer pelos cristãos de origem gentia.

Por volta do ano 100, o denominado concílio de Jâmnia, uma assembleia dominada por rabinos fariseus conservadores, considerou a crença na messianidade de Jesus como contrária à lei religiosa judaica, ou seja, como heterodoxia.

Separação entre cristianismo e judaísmo

A separação entre o cristianismo e o judaísmo ocorreu ao longo do século II. Este processo não foi uniforme em todas as comunidades.

Nas comunidades localizadas no Oriente, como por exemplo as situadas em Israel e nos territórios vizinhos, o judeu-cristianismo não desapareceu rapidamente. Por exemplo, por volta do ano 180, Hegésipo, um dos primeiros historiadores do cristianismo, assume-se simultaneamente como cristão e judeu.

Na época do imperador Adriano, na primeira metade do século II, as autoridades imperiais romanas ainda consideravam os cristãos como parte do mundo judaico. Por essa razão, o bispo de Roma, Telésforo foi martirizado como judeu.

O cristianismo primitivo, de inspiração fortemente judaica, oferecia às populações gentias do Império Romano o acesso à fé no Deus de Israel, as Escrituras hebraicas, o Messias judeu e a forma cerimonial da sinagoga.

Existiram alguns fatores que contribuíram para a separação entre o cristianismo e o judaísmo. Merecem destaque os seguintes: a entrada maciça dos gentios nas comunidades; o distanciamento político em relação à identidade judaica, considerada como rebelde em relação ao Império Romana; a controvérsia sobre a data da Páscoa; e a afirmação da centralidade de Roma.

Na sequência das duas destruições de Jerusalém, em 70 e 135, a igreja de Roma, vai reivindicando gradualmente um primado, inicialmente honorifico, sobre as demais comunidades, aproveitando a condição de capital imperial e a sua forte dinâmica caritativa e o seu posicionamento nas questões doutrinárias do cristianismo.

No século II, Aniceto e Vítor, bispos de Roma, promoveram a mudança da data da Páscoa. Anteriormente, os cristãos celebravam a Páscoa, de acordo com o calendário judaico. Com a decisão de Aniceto e de Vítor, a Páscoa passou a ser celebrada no primeiro domingo depois da lua cheia do equinócio da primavera no hemisfério norte, que corresponde ao equinócio do outono no hemisfério sul. Tratou-se de uma opção que foi confirmada pelo concílio de Niceia, em 325, mas que nunca foi verdadeiramente consensual no conjunto do cristianismo.

Sob a inspiração de Roma, as comunidades cristãs afastaram-se cada vez mais das raízes judaicas e desenvolveram uma cristologia inspirada em categorias da filosofia grega, baseada na divinização crescente da figura de Jesus.

Perda das raízes judaicas do cristianismo

Entretanto, constatou-se uma evolução geral dos judeo-cristãos, ou pelo menos, de uma grande parte deles, para o gnosticismo. Daí resultaram novos movimentos como o elcasaísmo e o maniqueísmo.

A linhagem da família de Jesus tem um papel histórico que merece ser descrito. No final do século I, o imperador romano Domiciano deu ordens diretas para que fossem detidos qualquer membro da linhagem de David, incluindo a linhagem de Jesus. Hegésipo contou uma história, na qual descendentes de Judas, irmão de Jesus, foram presos, interrogados e soltos, durante o reinado de Domiciano. Presos, foram interrogados se eram da linhagem de David, o que eles reconheceram, mas insistiram em que não tinham aspirações políticas e eram pessoas de recursos modestos, que ganhavam a vida como agricultores. É também descrito que eles eram líderes nas comunidades dos seguidores de Jesus. Eram chamados de desposyni, o que significa “pertencentes ao mestre”, ou seja, membros da linhagem de Jesus.

Simão, primo de Jesus e sucessor de Tiago como líder da comunidade de Jerusalém, não teve tanta sorte. Foi crucificado no reinado do imperador Trajano.

Júlio Africano e Eusébio de Cesareia, historiadores cristãos dos séculos III e IV, respetivamente, fizeram referência à existência de descendentes da família de Jesus e à sua presença na atual Israel.

De acordo com um crescente número de investigadores, a formação do Islão teve como um dos principais pilares a influência do judeo-cristianismo, tendo em conta existiam comunidades judeo-cristãs na Península Arábica no início do século VII, quando Maomé começou a sua atividade profética. Ao longo da sua vida, Maomé manteve uma relação amistosa com os judeo-cristãos. Aliás, existem evidências de que essas comunidades terão perdurado até ao século XI.

Mas a Península Arábica não o único território que serviu de lar aos judeo-cristãos. Existem informações da existência de comunidades judeo-cristãs na Europa, nomeadamente no sul de França e no norte de Itália, na idade Média, e no Médio Oriente, nomeadamente nalgumas zonas de Israel, da Transjordânia e da Síria.

Em todo o caso, a perda das raízes judaicas foi uma perda incalculável para o cristianismo e a humanidade em geral, levando ao desenvolvimento de um cristianismo cada vez mais dogmatizado.

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Imagem: Edward Lear

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Categorias: Espiritualidade

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Daniel Faria

Nasceu em 1975, em Vila Nova de Famalicão. Licenciado em Sociologia das Organizações pela Universidade do Minho e pós-graduado em Sociologia da Cultura e dos Estilos de Vida pela mesma Instituição. É diplomado pelo Curso Teológico-Pastoral da Universidade Católica Portuguesa. Em 1998 e 1999, trabalhou no Centro Regional da Segurança Social do Norte. Desde 2000, é Técnico Superior no Município de Vila Nova de Famalicão. Valoriza as ciências sociais e humanas e a espiritualidade como meios de aprofundar o (auto)conhecimento, em sintonia com a Natureza e o Universo. Dedica-se a causas de voluntariado. É autor do blogue pracadasideias.blogspot.com e da página Espiritualidade e Liberdade.

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