Retrato inconfundível do génio bracarense e sua obra na cidade que o viu nascer

Livros | ‘Braga de André Soares’ de Eduardo Pires de Oliveira disponível em terceira edição

Livros | ‘Braga de André Soares’ de Eduardo Pires de Oliveira disponível em terceira edição

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Face à procura registada pelo obra de Eduardo Pires de Oliveira e Libório Manuel Silva, que havia esgotado anteriores edições, a editora Centro Atlântico acaba de relançar, em 3ª edição, o livro ‘Braga de André Soares‘, cujo texto tem por base a tese de doutoramento ‘André Soares e o rococó do Minho’. Conforme ao original, publicado em maio de 2014, a presente edição mantém a versão bilingue (em inglês) e em capa dura.

A introdução do livro contextualiza Portugal e a cidade de Braga na primeira metade e meados do Séc. XVIII, ao que se segue uma resenha biográfica de André Soares. Os principais capítulos são dedicados à sua obra, apresentada com numerosos exemplos nas três áreas em que se distinguiu: Arquitectura, Talha e Desenho.

No momento em que Braga assinala os 30o anos do nascimento de André Soares e cidade onde o arquiteto legaria à posteridade cerca de metade do seu trabalho, com a restante obra a ficar espalhada por todo o Norte, em especial o Minho, Eduardo Pires de Oliveira lembra a Ana Costa, na Evasões, que esta é uma longa história de devoção ao estudo da arte e do património. E que esse caminho o levou ao encontro de um personagem que acabou por se tornar o centro dessa procura. “Passei as últimas décadas a sonhar com um homem que morreu há 250 anos”, destaca. É esta obsessão, de mais de 40 anos, que o torna um dos maiores especialistas da vida e obra de André Soares, o arquiteto bracarense do século XVIII, autor de alguns dos exemplares mais notáveis do barroco e do rococó em Portugal.

‘Quando a gente para e olha descobre coisas extraordinárias’

Para o historiador há sempre algo de novo a descobrir de cada vez que (se) olha o trabalho do artista. “O importante é saber olhar, temos de estar sempre preparados para ver. Quando a gente para e olha descobre coisas extraordinárias”.

André Soares foi o maior vulto do rococó português. Autodidata, desenvolveu a sua arte a partir de gravuras de Augsburgo, na Alemanha. A sua obra é profundamente emotiva. Desenvolve-se, sobretudo, no domínio da arquitetura e da talha e está espalhada pelo norte de Portugal, de Viana do Castelo a Guimarães, Lamego e vários outros locais, tendo como centro principal a cidade de Braga.

‘Braga de André Soares’, o livro

Este livro traça o seu percurso biográfico, analisa as razões por que foi convidado a fazer várias obras e estuda o seu singular percurso artístico, entre o tardobarroco e o rococó. Dá a conhecer as suas obras, com especial relevância para as localizadas na área de Braga. Obras como a capela dos Monges, no convento dos Congregados, podem contar-se entre as mais impressionantes do tardobarroco na Europa. Já o Palácio do Raio, a fachada da capela de Santa Maria Madalena da Falperra e a insólita casa de Fresco na mata do Bom Jesus do Monte são obras-primas do rococó europeu, o mesmo se podendo dizer do conjunto da talha do mosteiro de Tibães, nomeadamente a da capela-mor.

Génio deixou marca inconfundível

Vitor Serrão, professor e historiador de arte, considera que “André Soares foi o autor de algumas das obras mais emblemáticas da arquitetura da Idade Moderna portuguesa, tanto em Braga (a Igreja da Falperra, a Casa do Raio, a Casa da Câmara, o Palácio dos Biscainhos, a Capela de Nossa Senhora da Torre, a espantosa Capela dos Monges nos Congregados, etc.), como em Guimarães (a Igreja dos Santos Passos, excluídas as torres hodiernas), em Viana do Castelo (Palácio dos Malheiro Reimões), em Arcos de Valdevez (Igreja da Lapa), e em outros lugares do Minho. O desenho da sua arquitetura é assaz pessoalizado, no jogo dos volumes, dos recortes e das curvas, estas quase se diria borrominescas, sempre num apego à cenografia e à encantação do ornamento gordo, que lhe caracterizam os estilemas. Teve génio para deixar a sua marca inconfundível, também, no campo da talha retabular e na talha de equipamento litúrgico, pois a ele se deveu o ‘risco’ de obras de entalhe tão grandiosas como a que reveste o mosteiro de Tibães (altares da capela-mor, transepto e sacristia), ou a do retábulo de Nossa Senhora do Rosário da igreja de São Domingos em Viana do Castelo”.

Os autores

Eduardo Pires de Oliveira nasceu em Braga em 1950. Doutorado em História de Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto com o tema “André Soares e o rococó do Minho”. Prémio José de Figueiredo (Academia Nacional de Belas Artes, 1994). Autor de mais de 170 livros e artigos científicos de que se destacam: Braga. Percursos e memórias de granito e ouro (1999); O Convento do Salvador, Braga (1994); e Braga. Evolução da estrutura urbana (de col. com Eduardo Souto Moura e João Mesquita, 1982). Investigador Integrado do Instituto de História de Arte – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Temas principais de trabalho: Barroco e rococó no Minho e A diáspora dos artistas minhotos pelo mundo nos séculos XVII e XVIII.

Por seu turno, Libório Manuel Silva é editor da Centro Atlântico, empreendedor, fotógrafo de património e autor de mais de 20 livros, entre os quais «Bibliotecas – Maravilhas de Portugal», «Sé de Braga – Nove Séculos de História» e «Azulejo em Braga – O Largo Tempo do Barroco». Começou a fotografar e a ser premiado desde muito cedo, tendo recebido formação na Cooperativa Árvore. É editor de alguns dos livros sobre fotografia mais vendidos em Portugal.

 

Fontes: FP, CPE, Evasões, Wook; Imagem: CA

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