João Pedro Calafate

Botânica | Valerá a pena preservar o Teixo (Taxus baccata)?

Botânica | Valerá a pena preservar o Teixo (Taxus baccata)?

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A palavra Teixoso, de Vila do Teixoso, deriva da palavra “teixo“, árvore frondosa que existiu outrora numa das entradas principais desta vila. Este e outros topónimos, bem como nomes próprios como Teixeira, derivam dessa palavra primitiva.

O teixo, nome comum em português, ou Taxus baccata, nome científico, tem uma longa tradição na Europa e uma triste história para nos contar.

Esta árvore conífera, que quer dizer que seus frutos apresentam uma forma similar a um cone, desde há milénios tem sido abatida do seu habitat, um pouco por toda a Europa.

A sua bela e resistente madeira de qualidade, e o facto de se apresentar como uma planta muito venenosa para o ser humano, são algumas das razões que explicam o abate massivo desta espécie arbórea, desde tempos imemoriais.

Desde a antiguidade que o teixo é conhecido como sendo uma planta extremamente venenosa, devido à sua capacidade em produzir taxina (um potente alcalóide) que é capaz de causar graves distúrbios no sistema nervoso e cardiovascular nos animais, podendo levar à morte dos mesmos.

O teixo apresenta um crescimento muito lento, contudo é de uma durabilidade imensa podendo atingir os 5 mil anos de idade.

Principalmente por estes motivos é que actualmente em Portugal apenas encontramos Teixos muito raramente e de reduzido tamanho, ou seja arbustos, e como seria de esperar em sítios de difícil acesso ao ser humano. Ou, então, isoladamente em jardins e parques [Serralves, por exemplo], onde felizmente se encontram alguns exemplares de maior porte e de belo efeito decorativo. Daqui, facilmente podemos constatar que o teixo é uma espécie fortemente ameaçada em Portugal.

Irá o teixo extinguir-se?

Será que se esta espécie se extinguir, apesar de nos livrarmos do seu potente veneno, apenas perderemos a sua madeira de qualidade?

Sem descurar o seu poder medicinal, de que falarei seguidamente, o teixo tem um valor ornamental enorme, podendo ser encontrado em jardins e cemitérios. Em jardinagem os teixos suportam muito bem as podas, encaixando-se na perfeição à arte da topiária.

Esta espécie arbórea apresenta a curiosa particularidade de apenas uma parte da sua constituição não ser venenosa, o arilo (fruto de cor vermelha ou rosada muito viva), que deriva da maturação do ovário das árvores de teixo femininas. Pelo contrário, este é doce e viscoso servindo de alimento a aves frugíveras, como melros, pois são saborosos e nutritivos. Contudo as suas sementes são altamente tóxicas, não afectando porém os animais, pássaros e pequenos mamíferos, ao saírem incólumes de seus intestinos, que assim retribuem o favor ao providenciarem a sua dispersão para futuro crescimento de novos teixos. Isto se o Homo sapiens deixar, claro!

As contribuições desta planta para a medicina são notórias, podendo ser descobertas a qualquer momento outras, pois Ciência é isto mesmo. Nas últimas décadas foram descobertos novos e inusitados interesses ligados ao Teixo, especificamente a extracção da substância taxol, um diterpeno tricíclico, que se extrai da casca da espécie americana Taxus brevifolia, usado como princípio activo para combater certos tipos de cancro do ovário, do peito, do fígado e dos pulmões. Outras substâncias biologicamente activas do Teixo, também combatem certos tipos de vírus, bactérias e fungos, possuindo ainda efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e antiulcerogénicos.

Apesar das qualidades já mencionadas, as potencialidades do Teixo não se ficam por aqui, uma vez que uma grande variedade de aves procura as copas dos Teixos para nidificarem, pois estas são densas e oferecem segura protecção aos jovens pássaros. Para além disto, javalis já foram vistos a revolver o solo sob o copado dos Teixos maiores, o que permite juntamente com o coberto herbáceo a ajuda no desenvolvimento de carvalhos e outras espécies nesses locais.

Posto isto volto a questionar: Valerá a pena preservar o teixo? – Deixo a resposta ao critério do leitor.

 

Imagem: Didier Descouens

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Categorias: Ciência, Crónica

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