V(iv)er em Famalicão a obra intemporal da única mulher que se define, enquanto artista, como puramente surrealista

Surrealismo | Isabel Meyrelles expõe ‘Como a sombra a vida foge’ na Fundação Cupertino de Miranda

Surrealismo | Isabel Meyrelles expõe ‘Como a sombra a vida foge’ na Fundação Cupertino de Miranda

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No próximo dia 15 de novembro, sexta-feira, às 19h00, realiza-se a inauguração da exposição Isabel Meyrelles – como a sombra a vida foge”, na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, comissariada por Marlene Oliveira e Perfecto E. Cuadrado. O evento contará com a presença da artista que se define como ‘a única mulher portuguesa que, enquanto artista, se define puramente como surrealista‘ e é conhecida pelas suas intervenções nas áreas da escultura e da poesia.

“Para mim o surrealismo é sobretudo a liberdade. Foi sempre ao que aspirei desde muito nova. A liberdade da criação plástica que me vem quando menos o espero”, destaca a artista em entrevista, em 2015, a António Cândido Franco.

Nascida em 1929, em Matosinhos, Isabel Meyrelles estudou no Porto até aos 16 anos. Depois da sua mudança para Lisboa, após ter conhecido Mário Cesariny e Cruzeiro Seixas, em 1949, viu surgir os grupos Surrealista Português e Os Surrealistas. Na mesma entrevista, a artista conta como conheceu os seus dois grandes amigos e influências para toda a vida: “Quando eu fui viver para Lisboa, expus na “4a Exposição de Artes Plásticas” uns estudos de movimentos da violonista Ginette Neveu. Dias depois recebo uma carta que dizia “Não gostamos” assinado “Os Surrealistas”. Telefonei ao Mário e marcámos encontro no SNI. Ele veio com o Cruzeiro Seixas e tivemos uma longa conversação seguida de muitas outras e acabámos amigos para toda a vida”. “As minhas relações com o Mário e o Artur fizeram-me viver dias inesquecíveis“.

Em Lisboa, estudou escultura com Américo Gomes e António Duarte, “grande mestre e bom amigo. O surrealismo era para os outros, mas eu era curiosa de tudo e o surrealismo fascinou-me imediatamente. Essa mesma curiosidade fez-me conhecer gente de todos os quadrantes das artes e das letras. Durante o ano e meio que estive em Lisboa, vivi dez vidas!”

Posteriormente, Isabel Meyrelles faz outra mudança que marcaria em definitivo a sua vida. Dados os tempos difíceis que se viviam, naquela época, em Portugal, Isabel Meyrelles decidiu evadir-se e saiu do país para poder viver em liberdade. Fixou residência em França, que considera o seu país de adoção e com o qual se identifica. Aí estudou escultura na Escola Nacional Superior de Belas Artes e literatura na Universidade Paris-Sorbonne, e conheceu Tristan Tzara que a pôs em contacto com o movimento Dada.

Ao longo da sua vida, Isabel Meyrelles realizou diversas exposições, quer em Portugal quer em França,  e traduziu obras de diversos autores, nomeadamente José Régio e Jorge Amado. As suas obras literárias forma publicadas tanto em português como em francês. São elas: Em Voz Baixa (1951), Palavras Noturnas (1954), O Rosto Deserto (1966), O Livro do Tigre (1976) e O Mensageiro dos Sonhos, incluído na antologia Poesia (2004).

Sobre a obra da autora, Floriano Martins afirma em inComunidade: “Teremos, afinal, a oportunidade de ler as esculturas e ver os poemas. Há subtilezas nas duas linguagens, que parecem mais perceptíveis quando as conhecemos em igual medida. A comparação denuncia uma subversão de equivalências”.

É pois tempo de a apreciar, cada qual à sua maneira, em total liberdade. A exposição estará patente até 14 de março de 2020.

 

Fontes: A Viagem dos Argonautas, FCM, Infopedia, Wikipedia; Imagens: (0, 4) FCM, (1, 2) inComunidade, (3) Custo Justo

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