Daniel Faria

Espiritualidade | A ilusão da morte e a dimensão espiritual da vida

Espiritualidade | A ilusão da morte e a dimensão espiritual da vida

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Nos dias 1 e 2 de novembro, o calendário cristão assinala os Dias de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos.

Trata-se de uma oportunidade privilegiada para refletir sobre as questões da morte e da vida após a morte.

A grande maioria da humanidade, na diversidade das suas culturas, admite a existência de algo para além do corpo físico. Uns falam de alma, enquanto outros falam de espirito, Alguns falam numa estrutura humana, baseada em duas componentes: a alma (ou espírito) e o corpo físico. Outros referem três componentes: espirito, alma e corpo. E há quem preconize a conceção septenária, segundo a qual o ser humano é constituído por sete componentes.

O que existe é um consenso de que a nossa essência ou consciência é imaterial, e, consequentemente, não pode ser apreendida pelos sentidos físicos. É vida, inteligência, energia subtil, criatividade e poder realizador e transformador.

Neste sentido, existe um conjunto vasto e multifacetado de pessoas que acreditam que a morte é um evento transicional que desata a essência humana do corpo físico

A consciência, em muitas tradições religiosas, espiritualistas, filosóficas e mitológicas é considerada a essência incorpórea do ser humano, um aspeto imortal e transcendente da existência material.

As descobertas experimentais da física quântica sugerem que a consciência é a realidade suprema, primordial e ilimitada. Sem a consciência, o espaço e o tempo não existiriam.

A consciência humana não pode ser mais vista como um epifenómeno cerebral, mas como a base do ser no seu todo, da qual emanam todas as manifestações materiais, incluindo o próprio cérebro. O cérebro descodifica e interpreta a vibração emitida pelo espirito, incluindo os próprios pensamentos, e transmite-os ao corpo físico.  

A ligação entre o espirito e o corpo físico é feita através do cordão energético ou cordão de prata, denominado como sutratma pelas espiritualidades orientais e recipiente dourado na Bíblia judaico-cristã.  

. De acordo com esta conceção, é através do cordão de prata que a energia vital flui no nosso eu verdadeiro ou eu superior para o corpo físico. Quando cessa a transmissão da energia vital, o cordão quebra-se e eclode a morte física. As situações de coma podem ser explicada pela quebra parcial do cordão. Nestas situações, ocorrem muitas vezes as experiências de quase morte.

O conceito de vida após a morte assumiu muitas formas específicas em diferentes culturas e tradições espirituais.

Mas a ideia fundamental subjacente é de que a morte não encerra a existência humana e de que a consciência permanece após a morte do corpo físico.

Algumas tradições espirituais têm uma crença muito firme na permanência da vida humana além da morte física, considerando que há uma única existência física. Após a separação do corpo, o espirito, que é imortal, continuará a desenvolver-se em realidades espirituais em direção a Deus.

Esta é a conceção preconizada pelo judaísmo, pelo cristianismo e pelo islão, bem como pela religião bahá’í.

Outras correntes espirituais acreditam na reencarnação. Após a morte física, acreditam que o espirito deixe o corpo e viva novamente noutro corpo humano. É importante ter em conta que a reencarnação é uma crença comum entre as religiões orientais, nomeadamente o hinduísmo e o budismo, mas também existia nos essénios, uma das grandes linhagens do judaísmo na época de Jesus, e em grande parte do cristianismo primitivo antes do Segundo Concílio de Constantinopla, em 533. Cada vida é vista como um tempo de preparação para a próxima vida, levando a uma perfeição crescente em direção ao Divino.

Há que ter em conta que existem fortes evidências de que o princípio da reencarnação fazia parte dos ensinamentos de Jesus, como um mecanismo da lei universal do progresso e da evolução. Por exemplo, podem ser citados o diálogo entre Jesus e Nicodemos e a declaração de Jesus de que que João Batista era o profeta Elias que retornara. No cristianismo primitivo, algumas das suas figuras mais proeminentes, como Orígenes e Gregório de Nisa, associam as ideias da justiça divina e das vidas sucessivas.

Atualmente, existem algumas linhagens do judaísmo, nomeadamente ligadas à Kabbalah, e do cristianismo esotérico que admitem abertamente a reencarnação.

Independentemente da conceção que se possa ter sobre a morte, a vida deve ser vivenciada com uma postura de celebração. Os seres humanos contêm uma centelha do Divino e a natureza deve ser encarada com reverência e respeito e as diversas dimensões da vida devem ser vivenciadas como oportunidades de desenvolvimento espiritual.

Para os místicos das diversas tradições, o Divino não é um ser remoto que criou o universo, completamente transcendente ao mundo. Pelo contrário, o Divino é a própria essência da Vida, do Amor e da Sabedoria e a Fonte sustentadora de tudo o que existe. Por conseguinte, o Divino é ao mesmo tempo transcendente e imanente.

Neste sentido, a salvação deve ser considerada a libertação de tudo o que fratura as nossas relações uns com os outros, com o resto da Criação, com o nosso próprio eu verdadeiro e com a Fonte Divina da qual emana tudo o que existe. Unitarians identify the agent of salvation as healing, dynamic love. A salvação passa pela prática do amor incondicional, do altruísmo, da compaixão e do desapego.

Uma vida eticamente bem vivida, servindo a humanidade da melhor maneira que puder, é a melhor preparação para a morte, independentemente do que possa existir além dela.

 

Imagem: Anton Darius

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Categorias: Crónica, Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Daniel Faria

Nasceu em 1975, em Vila Nova de Famalicão. Licenciado em Sociologia das Organizações pela Universidade do Minho e pós-graduado em Sociologia da Cultura e dos Estilos de Vida pela mesma Instituição. É diplomado pelo Curso Teológico-Pastoral da Universidade Católica Portuguesa. Em 1998 e 1999, trabalhou no Centro Regional da Segurança Social do Norte. Desde 2000, é Técnico Superior no Município de Vila Nova de Famalicão. Valoriza as ciências sociais e humanas e a espiritualidade como meios de aprofundar o (auto)conhecimento, em sintonia com a Natureza e o Universo. Dedica-se a causas de voluntariado. É autor do blogue pracadasideias.blogspot.com e da página Espiritualidade e Liberdade.

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