Narrativa plástica do autor sobressai através de uma pluralidade de interpretações

Artes Plásticas | ‘O Pulsar do Pensamento’ desvela inquietação criativa de Adias Machado em Gondomar

Artes Plásticas | ‘O Pulsar do Pensamento’ desvela inquietação criativa de Adias Machado em Gondomar

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Na Casa Branca de Gramido, em Valbom, Gondomar, encontra-se patente ao público, até 1 de dezembro, a exposição de pintura O Pulsar do Pensamento‘ do artista plástico famalicense Adias Machado. A mostra tem curadoria do jornalista e também artista plástico Agostinho Santos e conta com o apoio da Câmara Municipal de Gondomar.

“A exposição reúne uma série de pinturas que tenho elaborado ao longo destes últimos anos, numa constante procura da essência da vida e do mundo, perante as grandes interrogações do homem de hoje”, declara Adias Machado acerca dos trabalhos ora exibidos.

“Estas pinturas”, refere o artista digital Sérgio Torres, “apresentam o desenho regrado de vitrais, explodem numa catadupa de figuras que se atropelam, contorcem e sobrepõem freneticamente. Entre o regozijo da celebração e a dor da tortura, as pinturas de Adiasmachado são povoadas de centenas de personagens individuais, de ícones, em espontânea convivência ou ritualística solenidade”.

De acordo com o artista plástico, a sua é uma pintura humanista. “Seja pela via da sua ação direta ou pela manifestação da natureza, o homem confronta-se com dificuldades várias. Por exemplo, a poluição, a guerra e os extremismos criam o pânico e, com ele, a angústia e o medo” de existir. Mas “as virtudes e o amor são também outras das emoções com que o homem se debate, bem como outras vicissitudes como a saúde ou a educação”. “Tento que a minha [forma de expressão] não seja uma mera pintura decorativa, mas que alerte as consciências, inquiete as mentes humanas e desperte o pulsar do pensamento…”, concretiza Adias Machado.

“Todas as cenas são [em simultâneo] familiares e estranhas, como na incoerência de sonhos ou memórias distantes. Se não for evidente a estranheza à primeira vista, algum detalhe acusará a irreverência da representação, camuflado na floresta ou anónimo na multidão”, reforça Sérgio Torres sobre o trabalho do autor, indo ao encontro das palavras do próprio quando refere que a sua é “uma obra que essencialmente sai do meu subconsciente para uma realidade resultante da minha própria visão do mundo“.

Por seu turno, Agostinho Santos, curador de ‘O Pulsar do Pensamento’, vai também ao encontro das palavras do autor. Salienta por isso que “este conjunto de desenhos/pinturas, poderá designar-se, antes do mais, por uma celebração do sonho, que reporta a lugares paradisíacos e simultaneamente malditos, que sobrevivem ardentemente na memória do seu autor e posteriormente na memória do observador. São desenhos evidentemente construídos debaixo de uma preocupante inquietação criativa, de uma força inesgotável, que abençoa ou castiga quem os olha, quem os vê, quem os absorve”.

“Adiasmachado, consciente ou inconscientemente, provoca uma duplicidade de sentimentos em redor destas obras, deste seu pulsar de trabalho e pensamento. Estes desenhos, ou estas pinturas, permitem uma pluralidade de interpretações, amigas ou inimigas da verdade”.

“A narrativa plástica do autor sobressai (…) em acutilante desafio (…) que Adiasmachado tenta cumprir no correr dos dias e faz acontecer raios de luz travestidos em formas de corpos, de rostos humanos ou de animais que vivem, ou sobrevivem, pelo seu próprio risco”, conclui Agostinho Santos.

Estes trabalhos de Adias Machado reúnem materiais diversos, como cartão, papel, tecidos e madeiras que teriam como destino o lixo, assim resultando na aplicação de uma técnica mista como suporte da obra.

A exposição ‘O Pulsar do Pensamento’ foi inaugurada no passado dia 25 de outubro.


Fontes: Agostinho Santos, Sérgio Torres; Imagens: (0, 1) Carla Ferreira, (2) Sérgio Torres, (3) Adias Machado

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