António Manuel Reis

Metamorfoses | O velho e o novo

Metamorfoses | O velho e o novo

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Todos conhecemos histórias de relacionamentos de velhos e amantes. Esta história que vos vou contar está muito equiparada a isso.

Um partido nasceu de uma dissidência do velho PSD. Uma coisa nova, fresquinha, pronta a degustar.

Algumas pessoas, poucas por sinal, do velho, descontentes com o rumo à altura dos acontecimentos que não os satisfazia (Rui Rio), viram na novidade uma ilusão, falinhas mansas, coisas novas, ideias e forma diferente de fazer política e avançaram, uns por convicção, muitos mais enquanto esperavam por boas novas do velhinho.

Passado pouco tempo começaram a constatar que de novo este partido só tinha a carcaça, o resto era parecido com o velho, recauchutado, com vícios muito piores, e em pior forma que o velho.

A figura principal que se pensava que era, afinal não era absolutamente nada. Quanto a posicionamento político, uma hora era social-democrata, outra era social liberal, outra era de direita, ou seja, ao sabor da disposição do dia. As tais famosas e conhecidas trapalhadas.

A nova forma de fazer política era o amiguismo, o nepotismo, o seguidismo, a ânsia de poder e protagonismo, a tentativa de apropriação da instituição como forma de elevador social, mas sobretudo jogadas de bastidores de política baixa, ao nível do terceiro mundo.

A liberdade de pensamento e expressão era uma utopia, quem falava fora da caixa levava com processos disciplinares, era vilipendiado e politicamente linchado .

O pensamento único é a palavra de ordem, o rebanho, o desejado.

Foi a desilusão.

Como muitos anteviram, os resultados eleitorais deste ano não poderiam ter outro desfecho que não o verificado.

Foi a retirada geral, desfiliações, divulgadas pelos próprios nas redes sociais, a mobilização nas mesmas, é como se tivesse passado um tsunami. Desapareceu tudo.

Restaram alguns que, ainda crentes em milagres, vão debitando palavras de ordem incondicional, do tipo vivas ao Grande Líder que no órgão máximo do partido foi brindado, com a unanimidade da oferta, com a Espada de Dâmocles.

Finalmente são despoletadas as eleições internas para os órgãos distritais, umas comissões instaladoras cumprem o regulamento eleitoral com sensatez, outras nem por isso, uma ou outra tentam reduzir ao mínimo o tempo de formalização de candidaturas concorrentes, de forma a tentarem manter-se no poder custe o que custar.

Estranha e coincidentemente, após algumas candidaturas formalizadas, concorrentes ao status quo, no mesmo dia, curiosamente, as páginas e perfis dessas candidaturas foram denunciadas e bloqueados pelo Facebook. Nada que não fosse previsível.

Pessoalmente fui enganado, senti-me ludibriado, deixei em finais de Fevereiro os cargos de nomeação provisória que detinha, procedi à minha desfiliação em Agosto e peço desculpa àqueles que convenci a avançarem para este projecto que à partida parecia uma lufada de ar fresco, mas que passado um ano não passou de um “nado” em morte cerebral, ligado às máquinas à espera do resultado do velhinho, possibilidade do regresso do passismo, agora em versão montenegrismo, para que as máquinas sejam desligadas.

Como tudo na vida nasce, cresce e morre, lamentavelmente esta morte anunciada e previsível é uma morte precoce, mas por culpa própria.

Às vezes, as novas não são boas amantes, por fora brilham, por dentro são opacas e ocas.

Como diz o velho provérbio: “A velhice é um posto”.

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Categorias: Crónica, Política

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

António Manuel Reis

António Manuel Reis, nasceu em Barcelos a 07-10-1963. Concluiu em 1985, o curso na área de tinturaria têxtil UM/Mazagão. Formação em colorimetria, recursos humanos, automatização, sistemas de qualidade ISSO, planeamento, processos, produção. Industrial Têxtil de 1996 a 2009. Dirigente desportivo 1998 a 2004.Gestor empresarial de 2010 a 2013. Concluiu curso de formação de formadores em 2014. Trabalhador independente Real Estate Consultan 2018. Em curso, Licenciatura Ciências Sociais e Ciência Politica. Militante da JSD desde 1978/ Militante PSD desde 1981, delegado e Observador a Congressos, Delegado CPD, TSD, Membro da CPS, candidato a Presidente de Junta da UF Barcelos, deputado a UF. Candidato á Presidência da CPS. Membro independente da UF Barcelos. Partido Aliança em 2018.

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