Pedro Maia Martins entrevista candidata do PS pelo círculo eleitoral de Braga

Legislativas | Augusta Santos: Distrito marcado por fortes assimetrias impõe uma atenção da parte do governo

Legislativas | Augusta Santos: Distrito marcado por fortes assimetrias impõe uma atenção da parte do governo

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Pedro Maia Martins: Como se apresenta aos nossos leitores?

Augusta Santos: Eu sou natural e residente em Vila Nova de Famalicão, na freguesia de Lousado. Sou professora de Geografia há mais de 40 anos. Estive sempre muito ligada ao 12º ano. Neste momento desempenho o mandato de deputada na Assembleia da República (AR), em representação do Partido Socialista (PS). Como costumo dizer “sou professora e estou deputada” (risos).

PMM: Como entrou na política?

AS: Entrei de forma quase involuntária, na década de 90 do século passado. Fui desafiado por um grupo de conterrâneos para integrar uma lista de independentes para a Junta de Freguesia. Essa lista de independentes não foi vencedora, mas elegemos três representantes para os nove lugares da Assembleia de Freguesia. Mais tarde, concorremos novamente e fizemos um acordo com o PSD. Nessa altura eu entrei para o executivo da Junta, ainda presidida pelo PS. Eu colaborei de forma leal com o presidente da Junta, pois estavam em jogo os interesses dos cidadãos, à frente de qualquer interesse de carácter pessoal ou até partidário.

Entretanto, em 2001, o presidente da Junta não se recandidatou e o PS convidou-me para encabeçar a lista do partido. Eu aceitei, ganhei e presidi à junta durante o mandato seguinte. Eu filiei-me no partido pouco tempo depois. Eu estava em minoria no executivo, o que me trouxe algumas dificuldades no exercício das minhas funções. No mandato seguinte fui convidada para integrar as listas para a Câmara Municipal. Devido a uma divisão do PS, não ganhamos, mas eu exerci o cargo de vereadora, em substituição.

Há quatro anos fui convidada para integrar as listas do PS para a AR [candidatando-me a deputada]. Inicialmente não estava disponível. Mas acabei por aceitar e não me arrependo. Tive o privilégio de ter desempenhado este cargo ao longo de uma legislatura que marcou e intensificou a vida democrática no nosso país.

PMM: Relativamente ao distrito de Braga, quais são as áreas de atuação mais importantes?

AS: Eu gostaria de frisar que me orgulho bastante do trabalho desenvolvido pelo PS no distrito de Braga. O nosso distrito é marcado por fortes assimetrias. Basta pensar que o seu território vai desde o litoral, fortemente industrializado, até ao interior fortemente rural, perto de Trás-os-Montes. Há diversas desigualdades em termos demográficos e de desenvolvimento. Isso impõe uma atenção da parte do governo. Este deve agir, deve adotar as medidas necessárias para que as populações, quer do litoral, quer do interior, tenham um nível de vida aceitável e equitativo. As desigualdades não são compatíveis com os níveis democráticos que nós queremos. Estamos bem cientes destas diferenças, do vazio humano que se vai criando nas terras do Interior, da concentração populacional do Litoral e das dificuldades que ambas as situações trazem às populações. É no sentido de procurar o melhor para essas populações que temos de tomar medidas, dando-lhes as condições mais equitativas que nos for possível. Isso implica investimento público em determinadas áreas, tendo em atenção as características tanto populacionais como do próprio território. Se queremos combater a desertificação do Interior, temos de atrair população para lá. Não podemos ficar confinados a uma faixa estreita do Litoral. Temos de criar uma relação de maior proximidade entre o interior e o litoral. Isso trará melhores condições de vida para as populações.

Eu sou adepta da regionalização. Houve alguma precipitação quando essa questão foi referendada e acabou por ser chumbada. A descentralização de competências, com todos os problemas provenientes daí e nem sempre bem entendidos pelos diversos atores no terreno, é um passo que nos levará a assumir a regionalização na verdadeira aceção da palavra. Há quem se oponha à regionalização por entender que isso é duplicar órgãos de gestão e direção. Eu discordo dessa leitura. Se o poder decisório for colocado próximo dos cidadãos, é esse o caminho que devemos seguir.

Aquilo que nos deve preocupar são os interesses legítimos dos cidadãos que nos elegem. Nós temos de cumprir o nosso dever enquanto representantes eleitos.

PMM: Quais são as mais-valias que poderá trazer se for eleita?

AS: Eu não gosto de fazer alarido daquilo que faço ou consigo. Mas estou sempre atenta sempre atenta e disponível para resolver os problemas que me vão sendo colocados. São muitas as pessoas que, de uma forma completamente aberta, nos ligam e colocam as suas questões. Um dos motivos para preferir não fazer alarido é exatamente o respeito por essas pessoas. Não considero correto fazer publicidade às nossas obrigações. Enquanto deputados, a nossa função é legislar e fiscalizar a ação do governo. Mas cada um dos deputados é também um elo de ligação entre o poder central e a população. É para isso que temos de estar disponíveis: para auscultar as preocupações de cada um dos cidadãos, quer individualmente quer na sua globalidade, e fazer chegar essas preocupações aos órgãos competentes. Nem sempre é fácil, nem sempre é eficaz, mas é a parte das nossas funções que nos preocupa mais. Muitas vezes esta ligação não tem um funcionamento tão perfeito quanto gostaríamos. Mas fazemos todos um esforço para fazer chegar ao governo as preocupações que nos são colocadas pelos cidadãos. Esta é a nossa obrigação: dar a cada um dos cidadãos as condições e as respostas de acordo com as competências que cada um de nós tem. Quando os eleitores me abordam, eu noto uma confiança crescente no poder central por parte dos cidadãos.

Eu tenho uma certa facilidade de contacto, não só por ter começado no poder local, mas também por ter sido professora. O fato de ter lidado com jovens deu-me uma capacidade maior de desempenhar esta função, sobretudo tendo em conta que integro a Comissão Parlamentar de Educação e Ciência.

PMM: Que poderemos esperar dos seus camaradas (i.e. dos outros candidatos integrantes da sua lista para o distrito)?

AS: A lista foi construída com negociação entre a Federação Distrital e os órgãos centrais do partido. Não seria justo da minha parte avaliar os meus colegas, logo não o farei. Há certas competências que tenho em determinadas áreas, mas não tenho noutras. Outros colegas meus tê-las-ão. É esta cumplicidade e partilha entre todos que tem de estar permanentemente a acontecer. Comete-se um grande erro quando cada um atua para o seu lado. Eu tenho a certeza que na hora da sua eleição e do exercício das suas funções, farão todos os possíveis para dignificar o distrito, os seus concelhos e o país. Essa deve ser a baliza de cada um dos deputados. Temos de nos focar no futuro e nos interesses das populações.

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