José Luís Peixoto: ‘A Transfiguração da Fome’ é uma longa narrativa sobre nós: tu, eu e o mundo

Livros | Sara F. Costa apresenta ‘A Transfiguração da Fome’ na Livraria Flâneur

Livros | Sara F. Costa apresenta ‘A Transfiguração da Fome’ na Livraria Flâneur

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O livro vencedor do Prémio Internacional Glória de Sant’Anna para melhor livro de poesia publicado em países de língua portuguesa em 2018, “A Transfiguração da Fome“, de Sara F. Costa, publicado pela Editora Labirinto, será apresentado pela primeira vez no Porto, na Livraria Flâneur, no próximo dia 11 de agosto, pelas 17h30. A apresentação do livro estará a cargo do blogger João Pedro Azul.

 

 

Teresa Moure, membro do júri do Prémio Literário Glória de Sant’Anna, referiu sobre ‘A Transfiguração da Fome‘: “Eis o maior mérito do livro, o de nos desconcertar, através de imagens impactantes, esteticamente cuidadas (“Porque é que a pele seca dos transeuntes vem esfoliar no meu peito?”, “a harpa do pensamento é uma planta que morreu de overdose de delírio”), ou através de procedimentos gramaticais, como o de contornar voluntariamente a palavra amor (…) A transfiguração da fome, acho eu, uma homenagem à palavra certa, essa que procuramos apenas para evocar o tu após termos derrubado todos os impérios.”

Se vieres trabalhar todos os dias de fato,

sentes-te melhor.

aliás, se vieres trabalhar todos os dias de gravata

fazes o teu trabalho melhor.

se todas as noites escolhes a camisa

é porque sabes que o dia a seguir existe

se passares o blazer a ferro é porque

a angústia é uma coisa que se distrai

com horários e despertadores

relatórios de reunião,

gestão de clientes,

estratégias de marketing

se todos os dias todos

os dias forem de trabalho

já não gritas, não dói

não sentes, não mentes

se todos os dias o trânsito,

o cansaço, o infantário

as contas para pagar

se todos os dias os dias todos

num só e depois acaba’.

A Transfiguração da Fome, de Sara F. Costa, é uma longa narrativa sobre nós: tu, eu e o mundo. Essa história pode ser lida em várias direções, sem necessidade de início ou de fim: há fins antes de certos inícios, há fins depois de outros fins. Em qualquer dos casos, esse será um caminho de referências concretas, papéis no chão levados pelo vento, e metáforas, horizonte. Sara F. Costa prepara-nos uma cartografia exata, não apenas no rigor com que organiza a linguagem, mas também na delicadeza do silêncio: entre palavras, entre versos, entre o título e o início do poema”, afirmou, por seu lado, o amplamente reconhecido escritor José Luís Peixoto.

O poeta Fernando Sales Lopes não seria também parco nas palavras elogiosas ao livro de Sara F. Costa. “Não é nada fácil navegar por este turbilhão de teres, seres e sentires que a poeta labora neste extenso poema. Um poema de muitos poemas. Amores e desamores. Uma viagem de muitas viagens vertiginosas que fluem numa crescente desconstrução procurando um equilíbrio que irá desaguar na ruptura”.

Sara F. Costa nasceu em Oliveira de Azeméis, em 1987, e é licenciada em Estudos Orientais e Mestre em Estudos Interculturais: Português/Chinês pela Universidade do Minho em parceria com a Universidade de Línguas Estrangeiras de Tianjin, China. Desde o início da sua carreira literária, tem vindo a receber vários Prémios Literários nacionais na área da poesia. Foi autora convidada do Festival Internacional de Poesia e Literatura de Istambul 2017. Em 2018, fez parte da organização do Festival Literário de Macau e do Festival Internacional de Literatura entre a China e a União Europeia em Shanghai e Suzhou. Tem poemas traduzidos em várias línguas e trabalhos publicados em Revistas Literárias um pouco por todo o mundo. Atualmente reside em Pequim e é coordenadora da comunidade de escrita criativa de Pequim, Spittoon Arts Collective.

Da lista de obras poéticas de Sara F. Costa constam os seguintes títulos: A Melancolia das Mãos e Outros Rasgos (Pé de Página editores, 2003); Uma Devastação Inteligente (Prémio João da Silva Correia, Atelier Editorial, 2008); O Sono Extenso (Prémio João da Silva Correia, Âncora Editora, 2012); O Movimento Impróprio do Mundo (Prémio João da Silva Correia, Âncora Editora, 2016) e A Transfiguração da Fome (Editora Labirinto, 2018)

O apresentador do livro, na Livraria Flâneur, será o conhecido blogger João Pedro Azul, nascido em 1972, em Vila do Conde, onde é um dos responsáveis pela dramaturgia da Queima do Judas. João Pedro Azul foi criador e editor da revista Flanzine, no âmbito do qual criou as perfomances “MURO” e “4EUROPE”, com Telma João Santos, e “ÓDIO”, criada a solo para o REALIZAR, e coeditor da editora Flan de Tal, responsável pela obra conjunta: POEMANIFESTO — a partir de Cesariny. Formado em Teatro — Interpretação (ESMAE), começou por se dedicar à escrita de cena, como complemento das suas encenações e, em 2018, assinou a dramaturgia do espectáculo “(IN)CERTAIDADE” dirigido por Carlota Lagido e Dolores de Matos, para o FIAR. Pós-graduado em Gestão de Actividades Artísticas, Culturais e Educativas, frequentou o Mestrado Multimédia da UP, onde desenvolveu trabalhos de fotografia, cinema e documentário; escreveu com Alexandre Sá, em 2016, o argumento do filme VAZA e é membro fundador da Cabe Cave – Associação Cultural. Na área da poesia, publicou, em conjunto com o ilustrador João Concha, o Livro do Amo, em 2015  e trabalha atualmente um projeto literário, Trabalho de Casa.

Fonte: Labirinto; Imagens: (0) Labirinto, (1) Sara F. Costa

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Categorias: Agenda, Cultura

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