Parceria entre a Associação Portuguesa de Escritores e o Município de Braga

Literatura | Afonso Cruz vence Grande Prémio de Literatura de Viagens Maria Ondina Braga

Literatura | Afonso Cruz vence Grande Prémio de Literatura de Viagens Maria Ondina Braga

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O livro ‘Jalan Jalan’, de Afonso Cruz, editado pela Companhia das Letras, é o vencedor da segunda edição do Grande Prémio de Literatura de Viagens Maria Ondina Braga, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores com o patrocínio do Município de Braga.

 

 

Um júri, coordenado por José Manuel Mendes e constituído por Guilherme d’Oliveira Martins, Isabel Cristina Mateus e Teresa Carvalho galardoou, por unanimidade, a obra de Afonso Cruz, destacando a sua “coerência, a fluidez narrativa e a consistência de uma leitura do mundo a partir da temática da viagem de que é um intérprete privilegiado”.

Nesta 2.ª edição da Grande Prémio de Literatura de Viagens Maria Ondina Braga, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores com o patrocínio da Câmara Municipal de Braga, concorreram, as obras publicadas no ano de 2018, e a título excepcional, em 2017. O valor monetário deste Grande Prémio é, para o autor distinguido, de 12.500,00€.

Recorde-se que o Prémio Literário Maria Ondina Braga, que o Município de Braga instituiu em 2005 com carácter bienal, deu lugar a um “Grande Prémio” no âmbito exclusivo da literatura de viagens. Partindo de uma parceria com a Associação Portuguesa de Escritores, esta iniciativa passa, a partir deste ano, a ter carácter anual, ascendendo o valor pecuniário a atribuir para os 12.500 Euros. A sua organização passou, entretanto, a ser assumida pela Associação Portuguesa de Escritores com financiamento do Município de Braga, sendo ambas as entidades promotoras do Prémio.

Nascido em 1971 na Figueira da Foz, Afonso Cruz é, além de escritor, músico, ilustrador e realizador. Publicou mais de trinta livros, entre romances, conto, ensaio, poesia, teatro, não-ficção, e ilustrou outros tantos. Já conquistou vários prémios na área da literatura e da ilustração, entre os quais se destaca o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2010, o Prémio da União Europeia para a Literatura 2012 e o Prémio Autores para Melhor Ficção Narrativa, atribuído pela SPA em 2014.

Sinopse:

«Apesar da beleza da paisagem, dos campos de arroz, do verde omnipresente, dos templos hindus, dos macacos zangados, uma das melhores coisas que trouxe de Bali foi uma oferta do João, que me embrulhou e ofereceu uma palavra, talvez duas: Jalan significa rua em indonésio, disse-me. Também significa andar. Jalan jalan, a repetição da palavra, que muitas vezes forma o plural, significa, neste caso, passear. Passear é andar duas vezes. (…) Passear é o que fazemos para não chegar a um destino, não se mede pela distância nem pela técnica de colocar um pé à frente do outro, mas sim pelo modo como a paisagem nos comoveu ou como o voo de um pássaro nos tocou. É um pouco como a arte, tem o valor imenso de tudo aquilo que não tem valor nenhum. Pode não ter razão, destino, objetivo, utilidade, e é exatamente aí que reside a riqueza do passeio. Não existem profissionais do passeio. Chesterton, que era um grande apologista do amador, dizia que as melhores coisas da vida, bem como as mais importantes, não são profissionalizadas. O amor, quando é profissionalizado, torna-se prostituição.»

Na Goodreads, as críticas de leitores são de teor muito diverso. Se Diana Costa considera estar na presença de uma obra extraordinária, salientando ser este “um livro enciclopédico e quase biblíco – devido ao aparente tamanho e ao seu conteúdo à volta das grandes questões existênciais e divinas -, no qual retrata e descreve, em jeito de partilha, a poesia embutida em momentos e pormenores salientes de algumas das suas viagens, sem esquecer a coragem de relatar a intimidade da sua própria vida”, João Reis é violento no tom: “Não sendo um livro de ficção, há que tentar enquadrar o campo de referência da obra. Será um livro de viagens? Memórias? Não se chega a saber muito bem. Na verdade, Cruz indica no título que se trata de uma leitura do mundo. Mas que leitura? Não há, em todo o livro, leitura de coisa nenhuma, mas tão-só episódios fragmentados e larachas”. Irmaolucia usa, por sua vez, de um registo mais ambivalente: “Um tour de force do Afonso Cruz que tem vantagens e desvantagens. Muito do que passa por este “Jalan Jalan” (o título significa algo como passear) tem sido dito pelo Afonso [Cruz] em encontros literários, em artigos de jornal, em encontros mais ou menos fortuitos sentados à mesa. Ideias boas, ideias recorrentes, ideias fixas. Erudição sólida que arrisca cair no name dropping, mas que se salva no último momento. Filósofos pré-socráticos e cientistas, viagens e literatura. E sensibilidade. Creio que o livro vai melhor quando se exploram os conceitos de tempo e de empatia – caros ao autor – desmanchando os discursos monolíticos da produtividade e da competição, entre outros demónios. E no entanto, diria que as ideias florescentes do autor vão melhor nos romances”.

Fontes: Município de Braga, APE, Wook e Goodreads; Imagens: (0) Município de Braga, (1) BNP

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Categorias: Cultura, Política

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