José Ilídio Torres

Crónicas de Bem Viver | Sexo, eleições e futebol

Crónicas de Bem Viver | Sexo, eleições e futebol

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Nesta regra de 3 simples, quanto vale o Homem de hoje?

Vale decididamente menos que uma noite de mau sexo, daquelas em que tudo corre mal, a começar pela ovelha, pouco colaborante, e a terminar no filho do padeiro e as suas pegadas de farinha no local do crime não consumado.

Agora que já captei a vossa atenção vamos ao que realmente importa: eleições e futebol…

Bruno Lage, treinador do Benfica campeão nacional, que ninguém conhecia antes de o ser, fez há dias, no momento dos festejos, um discurso que toda a gente parece ter estranhado. Falou de o futebol não ser a coisa mais importante desta vida e de procurarmos ser exigentes noutros domínios, como a economia, a sociedade, fazendo-o com civilidade.

Comentaram-se até à exaustão as palavras do técnico nos jornais, nas tv’s, em tudo o que é programa desportivo, como se de repente meio mundo tivesse ficado espantado com aquela coisa tão insólita – um treinador de futebol a falar de outros assuntos que não de bola. Tanto até, que o seu presidente, que deve enquanto empresário largos milhões à banca, logo lhe augurou futuro na política, vá lá saber-se porquê…

Realmente pareço viver num país situado no «Entroncamento» entre o Carmo e a Trindade, onde tudo cai, até mesmo o Espírito Santo.

Meus caros, o homem só falou de uma coisa tão em falta neste país, e que por ser tão rara, pelos vistos a todos pareceu estranha: Cidadania.

Aliás, as eleições europeias do último domingo e a elevada abstenção verificada, mostram a meu ver algum protesto, mas mais claramente, que a malta «o mais longe que foi a Lisboa foi a Fátima», e que Europa só mesmo a da «Champs», como diria um verdadeiro Guru do futebolês, o Jorge Jesus, esse sim, um profeta das Arábias.

Ninguém, ou quase ninguém, sabe, por exemplo, a maior parte dos nomes dos candidatos ao Parlamento Europeu. Uns tipos e tipas à procura de tacho – diz o povo na sua infindável sabedoria. 21 para nos fazerem o que o filho do padeiro quis fazer à ovelha, e que ia dando um 31 na casa do compadre Chico.

Ninguém, ou quase ninguém, conhece o programa dos partidos, os desafios que se colocam a esta Europa subserviente aos interesses económicos, que se disfarça de quando em vez de solidária, pobre Dolly com dentes de lobo.

Mas, pergunta legitimamente o leitor desta crónica, é assim tão mau não querermos saber da Europa que pouco ou nada quer saber de nós?

Antes de sermos europeus, sejamos bons portugueses, signifique isso respeitarmos os que acreditam num país melhor. Pensarmos nos professores, nos enfermeiros, nos operários, em todos os trabalhadores mal pagos e injustiçados. Naqueles que diariamente lutam por uma terra melhor, mais justa, num ambiente saudável onde possam criar filhos que respeitem as plantas e os animais.

Esses, caro leitor, chamam-se «Esperança». Esses são os soldados da mudança de um exército grandioso de tão minoritário. Esses são os David que vencerão os Golias na batalha de todos os dias, com armas letais como a literacia ou a cultura.

Esses merecem muito mais que programas desportivos para debater o sexo dos anjos, merecem políticos responsáveis que os representem bem em todo o lado onde o poder copula com interesses escusos.

Merecem ser felizes quando fazem amor com as estrelas, porque se alimentam de luz, e essa, essa será será sempre a bandeira desfraldada na mais negra escuridão – Sorriso em fogo nos olhos de uma criança chamada liberdade.

 

Imagem: Elisa Queiroz

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Categorias: Crónica, Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

José Ilídio Torres

José Ilídio Torres nasceu em Barcelinhos em 1967. Estudou Direito e Arqueologia, mas acabou licenciado em ensino, variante de educação física, leccionando ao 1º e 2º ciclo do ensino básico. É formador em futebol há cerca de 20 anos. Trabalhou como jornalista na imprensa regional, em jornais como o Notícias de Barcelos e Primeiro de Janeiro, bem como na Rádio Cávado. É autor de 11 livros, em romance, conto, infanto-juvenil e poesia. Foi deputado municipal em Barcelos e candidato à Câmara Municipal pelo Bloco de Esquerda, tendo-se afastado recentemente da vida política activa.

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