Ricardo Nogueira Martins

Educação | Descompromisso ambiental

Educação | Descompromisso ambiental

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Sobre a cidadania ambiental que deve nortear os nossos hábitos de A a Z, algumas vozes alegam uma parca reflexão no tema, nomeadamente ao nível da educação ambiental – transversal a todas as idades, segundo os princípios da Carta de Belgrado de 1975. É necessário de facto ir além. Informar e ter conhecimento não significa mudar comportamentos, não chega como vector na educação cívica.

Ansiamos cidadãos conscientes, motivados e participativos que colaborarem criticamente na resolução dos desafios ambientais. O factor de mudança para o compromisso ambiental é acima de tudo sentir-se como parte da natureza. Congregam, para tal, alguns esforços.

Em primeiro lugar, o contacto mediado com a natureza na infância, que tem mostrado ser eficaz na construção de seres humanos mais conscientes e na assumpção que somos mais uma só espécie deste planeta. Neste contacto, na natureza e com a natureza, em precoce idade, o caso do Projeto Limites Invisíveis (desenvolvido pela Escola Superior de Educação de Coimbra, Universidade de Aveiro e a CASPAE), é exemplo de como se deve proporcionar uma gestão emocional das experiências. Neste âmbito, encerra-se também, a Importância da Educação Ambiental no 1.º Ciclo do Ensino Básico, o Escutismo no seu princípio ambiental e a educação artística, expressão e comunicação visual como projeto de educação ambiental cumprindo a sua dimensão afectiva, perceptiva, expressiva e crítica.

Em segundo lugar, a gestão emocional verdadeiramente dita da educação ambiental, convocando para a ação diversos grupos etários e sentidos humanos para a mudança ambiental, construindo na prática de uma narrativa biográfica. A exemplo e como indicador de progresso, os grupos voluntários constituídos nas freguesias de Guimarães, intitulados de Brigadas Verdes, que são responsáveis por promover e realizar ações ambientais de efetivo contágio; porque ninguém suja ou permite sujar o que ajudou a limpar, porque não se protege e se entende o valor de uma árvore até plantar ou germinar uma, ou porque não se recicla e desmistifica-se mitos até se perceber e porventura visitar um aterro sanitário, local no qual se enterram os resíduos sólidos urbanos.

Para Robert Ornstein (1977,) uma experiência de sucesso (positiva) é melhor organizada na memória (relembrada) do que uma classificada como um falhanço. É por isso que, a constituição de grupos de ação multietários (vulgo diálogo intergeracional) para a ação ambiental é muito importante.

Como desafio de hoje, a consciência de culpa coletiva (todos fazem o mesmo e eu não mudo e não consigo mudar nada) e o descrédito impotente no poder da ação individual retrocede a educação cívica e o contágio social de boas práticas ambientais. Esta empatia e gestão emocional entre o ter noção ou conhecimento e a ação e prática indica na minha opinião que o campo da experiência sensorial é fundamental na mudança de comportamentos ambientais. Ora, se para assegurar o direito ao ambiente, no quadro de um desenvolvimento sustentável (artigo 66º da CRP), incumbe ao Estado, por meio de organismos próprios a sua promoção também incumbe a todos os cidadãos o seu envolvimento ativo promovendo a educação ambiental entre pares e o respeito pelos valores do ambiente.

 

Imagem: Christian Joudrey

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Categorias: Crónica, Destaque, Sociedade

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