Maria João Mesquita

Reportagem | Consumo de informação: Um café e notícias, por favor!

Reportagem | Consumo de informação: Um café e notícias, por favor!

 

 

 

O Café Pastelaria Municipal faz parte da rotina de muitos transeuntes famalicenses, que param não só para um bom pequeno-almoço, mas também para uma boa dose de notícias.

 

 

O frenesim começa às 8h00 no Café Pastelaria Municipal, em Vila Nova de Famalicão. Os jornais, que antes estavam expostos numa pequena mesa junto ao balcão, saltitam agora por entre as diversas pessoas que vão entrando e que se vão sentando, mesmo que seja só por alguns minutos.

Fernando Martins, proprietário do estabelecimento, revela que todos os dias vê “imensa gente a ler os jornais” e que estas “têm o cuidado de se manterem informadas sobre o que se passa no país e no mundo”. Juntamente com a família, Fernando Martins consome notícias diariamente, quer pelas redes sociais quer pela televisão ou pelos jornais, “normalmente à noite”. Compra todos os dias o Jornal de Notícias, A Bola e “uma ou duas revistas para o café”, gastando “cerca de 3 euros por dia”. Confrontado com a forma como a informação é veiculada, considera que “as notícias deveriam ser mais transparentes”. Sobre este assunto, dá o exemplo das notícias falsas. “Dá-se uma notícia hoje e amanhã chega o desmentido”, explica, concluindo que “os jornalistas, por vezes, não se preocupam com os meios para atingirem os fins”.

No café, o facto de se sentarem em grupo não é motivo para não se prestar atenção às notícias da atualidade, seja no noticiário, que está ligado na SIC, seja ainda a ler um jornal ou até nos dispositivos móveis. É o caso de Manuela Oliveira, secretária do presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão, que se encontra acompanhada por uma colega de trabalho. Questionada sobre o consumo de informação, e apesar de recorrer diariamente à internet e à televisão, diz preferir ler as notícias “em papel”. Com a consciência de que nem tudo o que lê corresponde à verdade, “principalmente nas redes sociais”, Manuela Oliveira crê que “as pessoas deveriam ter mais cuidado quando selecionam as notícias e deveriam ter em atenção as fontes”.

A máquina do café não para de trabalhar. A porta abre e fecha numa azáfama constante. Na sua calma, Lucília Macieira, jurista de profissão, beberica um café enquanto confessa ver e ouvir notícias “todos os dias” e sempre que tem tempo livre. Gosta sobretudo de jornais e, ao fim de semana, compra o Expresso e o Sol, gastando “aproximadamente 5 euros por semana”. A acabar de ler a notícia sobre “um jovem jogador do Penafiel que salvou um jogador da equipa adversária durante o jogo”, a jurista faz questão de frisar que gostaria que as notícias em Portugal fossem “mais imparciais e bem mais objetivas”.

Curiosidade: O jornalista Paulo Pena, autor de uma série de reportagens no DN sobre notícias falsificadas em Portugal defendeu, no passado dia 21 de fevereiro, que o jornalismo precisa de se reinventar para que “a desinformação não triunfe”.

Também Prazeres Neves, funcionária pública, é frequentadora assídua do Café Municipal. Costuma estar a par das notícias, aproveitando para se informar enquanto bebe o habitual café. Para além de consumir informação na televisão e nos jornais, fá-lo também online. É igualmente adepta das redes sociais, visto que “há partilha de muitas notícias que a gente muitas vezes não tem tempo de ver de outra forma”.

São 11h00. O vaivém começa a abrandar. Mas os jornais continuam a circular, assim como os clientes do Café Pastelaria Municipal.

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Categorias: Destaque, Local, Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Maria João Mesquita

Maria João Mesquita nasceu em 1996 e é natural de Vila Nova de Famalicão. Apaixonada pelo mundo da comunicação, encontra-se a realizar o Mestrado na área do Jornalismo na Universidade do Minho. Interessa-se por cinema, literatura, viagens e fotografia e acredita que “o impossível reside nas mãos inertes daqueles que não tentam”. Ambiciona um mundo em que a paz e o amor sejam imperativos e as gargalhadas constantes.

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