Desporto: BTT

Entrevista | Filipe Brito: A bicicleta preenche-me

Entrevista | Filipe Brito: A bicicleta preenche-me

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Natural de Vila Nova de Famalicão, mais propriamente da freguesia do Louro, o ciclista Filipe Brito, de 40 anos, apaixonou-se pelas bicicletas, há cerca de 12 anos, após uma lesão no joelho. Com formação na área do Desporto, o atleta foi, em 2018, Campeão Regional da Taça de Maratonas ARCVR e ficou na 4ª posição no Campeonato Nacional de Maratonas. Prestes a iniciar uma nova época, em entrevista ao Vila Nova Online, Filipe Brito fala da paixão pelo ciclismo, fazendo um balanço da temporada passada e uma antevisão do que está para vir.

 

 

Maria João Mesquita: Antes de mais, e para ficarmos a saber um pouco mais do que o que é óbvio, quem é Filipe Brito?

Filipe Brito: Sou um atleta que se apaixonou pelo mundo do BTT e das bicicletas em si. Acima de tudo, empenho-me e tento estar bem fisicamente. O que quero sempre é tentar superar-me a mim próprio.

Maria João Mesquita: Como surgiu a paixão pelo BTT?

Filipe Brito: Esta paixão surgiu devido a uma lesão no joelho. Eu fui jogador de futebol, contraí uma lesão no joelho e tive de ser operado. A partir daí, e como deixei de jogar futebol, ganhei peso, pelo que me aconselharam a andar de bicicleta, algo que ajudava a circular o sangue no joelho. E foi o que fiz. Comecei a andar numa bicicleta baratíssima, comprada no supermercado, e notei que o joelho começou a deixar de inchar. Então, pela altura do Natal, a minha esposa ofereceu-me uma bicicleta mais cara e comecei a fazer ainda mais exercício. Sempre fui um apaixonado pelo desporto e, a dada altura, entrei com uns amigos num passeio de BTT e o que me fascinou foi ver bicicletas em cima dos carros, num total de 600 pessoas ou mais. Foi aí que me deu o clique. Passeio atrás de passeio, fui evoluindo. A par disso vieram alguns resultados, que foram sempre crescendo até hoje, assim como os apoios.

Maria João Mesquita: Associado na Federação Portuguesa de Ciclismo, quais foram os melhores e piores momentos desde a sua entrada no ciclismo de competição até agora?

Filipe Brito: O pior foi em 2017. Foi um ano complicado a nível psicológico e pessoal. Foi difícil até para cumprir treinos, mas pode dizer-se que foi um ano de aprendizagem. Um dos meus melhores anos foi quando enveredei no ASC Vila do Conde. Foi o primeiro ano em que participei em competição e fui logo campeão desse troféu em Vila do Conde. Para além disso, o ano 2018 também foi bom, nomeadamente a nível de resultados. Em termos de ciclismo no geral, o balanço é positivo. A bicicleta preenche-me.

Maria João Mesquita: Arrepende-se de alguma coisa na sua carreira, enquanto ciclista?

Filipe Brito: Não. Fiz tudo com gosto e, mesmo mudando de clubes, tive sempre o intuito de melhorar. Estive sempre de consciência tranquila e não me arrependo de nada.

Maria João Mesquita: Qual é a chave para o sucesso?

Filipe Brito: Eu acho que, acima de tudo, as pessoas têm de gostar do que fazem. Nada pode ser forçado ou feito de forma a agradar aos outros. Devemo-nos sentir bem com nós mesmos, em primeiro lugar, e com vontade de ajudar o próximo. Depois, é preciso ter sorte e dedicação. O sucesso, se não for uma obsessão, acaba por vir com naturalidade.

Maria João Mesquita: Qual o balanço que faz do seu desempenho ao longo da temporada 2018? Alguma vez achou que ia conseguir ter resultados tão bons na pista?

Filipe Brito: Sinceramente, não. Nunca pensei nos resultados em si. É sempre bom ganhar, chegar em primeiro à meta, mas o que me fascina mesmo são os locais por onde andamos e que visitamos. Gosto de disfrutar da natureza e da bicicleta em si. Claro que quem se dedica aos treinos mais afincadamente acaba por ver resultados. Realmente, no ano passado dediquei-me bastante, com algum sacrifício, mas sempre com prazer. Também os treinos e a restrição alimentar foram muito importantes. A preparação física foi melhor, mas não forcei nada. Se uma pessoa tiver prazer, principalmente nesta fase, vê resultados. Ser regular ao longo do ano levou-me ainda a atingir bons resultados a nível regional e nacional. Fiquei na 4ª posição no Campeonato Nacional de Maratonas e fui, inclusive, para essa prova com uma lesão. Quando menos esperamos, é quando temos mais sucesso.

Maria João Mesquita: Faz parte, atualmente, da Controlsafe/Famabike/V.N. Famalicão. Até que ponto acha que com este grupo irá conseguir evoluir cada vez mais?

Filipe Brito: A Controlsafe/Famabike/V.N. Famalicão são meus parceiros, são patrocinadores muito importantes para mim. Mas existem outros que me preenchem. Tenho um conjunto de parceiros que me ajudam e me permitem escolher as provas que quero realizar a nível nacional, até porque este ano o calendário vai estar muito preenchido. Quanto a evoluir, este ano estou a fazer outro tipo de preparação física, pelo que vamos ver se isso traz ou não benefícios. Creio que sim, pelo menos sinto-me melhor. O que quero é continuar a disfrutar da bicicleta e ter quem me ajude, quem acredite em mim. De resto, penso também em evoluir mais como pessoa, porque podemos sempre melhorar.

Maria João Mesquita: Como surgiu o convite para ser embaixador da Associação Amigos do Pedal de Vila Nova de Famalicão?

Filipe Brito: Eu já conheço a Associação Amigos do Pedal há 10 anos. É uma Associação que respeito muito. Organizam bem as provas e estão bem vincados no concelho famalicense. É um gosto pessoal ser embaixador da Associação e as coisas foram crescendo de forma natural. Eu sempre fiz parte dos eventos organizados por esta Associação, que achou que esta seria uma boa parceria, e para mim é um gosto. Se nos ajudarmos uns aos outros, o mundo do ciclismo tem tudo para crescer, porque o nosso concelho é muito fértil a nível de praticantes. “Eu vou para onde a bicicleta estiver virada.”

Maria João Mesquita: Que provas se seguem para o ano 2019 que gostaria de destacar?

Filipe Brito: Eu tenho provas por etapas. Comprometi-me a fazê-las e tenho já uma em fevereiro, nos dias 1, 2 e 3 – Race Natura Lagoa. Depois as coisas seguem naturalmente. Eu costumo deixar-me ir. Hoje vou aqui, amanhã vou ali. Eu vou para onde a bicicleta estiver virada. Gostava de ir à Suíça, por exemplo. Costumo ir todos os anos para treinar, mas gostava de fazer alguma prova lá. Também gosto muito das provas que se fazem na Serra da Estrela. A zona de Trás-os-Montes é igualmente fabulosa para fazer maratonas de BTT. Em Famalicão, faço questão de estar presente em todos os eventos. Por isso, o calendário está muito preenchido.

Maria João Mesquita: Que conselhos pode dar a todas as pessoas que estão a iniciar a sua atividade no ciclismo?

Filipe Brito: Espero, sobretudo, que gostem da bicicleta e que gostem de fazer desporto. Se há conselho que posso dar é que façam aquilo que gostam. O resto surge espontaneamente. A bicicleta não é fácil. É difícil fazer carreira. Ainda não é uma aposta muito grande. Tem de se trabalhar muito. Mas o que é preciso é disfrutar do ciclismo, treinar afincadamente e não criar ilusões. Importa também unirmo-nos às pessoas certas.

Maria João Mesquita: Para terminar, o que podemos esperar do Filipe Brito para esta temporada?

Filipe Brito: Trabalho. Trabalho com parceiros e patrocinadores que acreditam em mim. Dedicação. Estou focado em treinar bem, em estar bem fisicamente. Há muita coisa na minha cabeça ainda por agendar. Tenho a sorte de ser embaixador da Scott Portugal e estão aí a surgir muitas novidades. Há muita coisa a acontecer e, portanto, penso mais a curto prazo, no imediato. Em termos de patrocínios, este ano vai mudar-se também a imagem. Contudo, o meu objetivo é tentar sempre surpreender, principalmente os meus patrocinadores, não com resultados, mas com trabalho.

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Categorias: Desporto

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Maria João Mesquita

Maria João Mesquita nasceu em 1996 e é natural de Vila Nova de Famalicão. Apaixonada pelo mundo da comunicação, encontra-se a realizar o Mestrado na área do Jornalismo na Universidade do Minho. Interessa-se por cinema, literatura, viagens e fotografia e acredita que “o impossível reside nas mãos inertes daqueles que não tentam”. Ambiciona um mundo em que a paz e o amor sejam imperativos e as gargalhadas constantes.

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