Vânia Ferreira

Natal | Malta das Cifras: visão de quem lê os livros inteiros de autores verdadeiros

Natal | Malta das Cifras: visão de quem lê os livros inteiros de autores verdadeiros

 

 

 

E aquela malta que segue as páginas das “Cifras” e coisas assim?

Ficam já avisados que eu vou criar uma página nas redes sociais de fake-cifras e quero ver o caraças do alcance que vai ter quando eu escrever “o sol levanta-se todos os dias para nos iluminar, nunca desistas” assinado August Norman Smith – famoso psicanalista americano.

Isto para elucidar que:

  1. Há frases que não significam rigorosamente nada;
  2. É melhor se certificarem que não estão a partilhar nenhuma baboseira;
  3. August Norman Smith é um nome falso que acabei de inventar.

O grau do alcance é de tal forma gigantesco que qualquer pessoa que insulte um tipo no metro sem motivo, comente a vida da vizinha, dê facadas no casamento, etc, depois chega a casa e partilha uma frase “alimente o seu amor pelos outros” pensa que já lavou a consciência. Para dar todo aquele ar de gente boa e tal que lê muito, conhece autores com nomes estrangeiros e é super-culto. Do género acabar de partir a perna ao árbitro do jogo de juvenis do Pedrouços vs. Freamunde, mas depois chega a casa, abre o Facebook e vê uma imagem a dizer “a justiça nasce nos nossos corações” por Dalai Lama… vai logo partilhar e nos comentários escrever “profundidade”, o que dá a sensação que já foi ao Juízo Final, já pagou pelos pecados e já está de volta em versão anjo. Por si só já é estúpido, mas fica ainda mais quando a frase quase de certeza que não é de Dalai Lama e grande parte das vezes está no gerúndio – há aí muito português que pensa que é carioca e muito provavelmente vai andar sempre à procura da oportunidade de dizer esta frase em voz alta e, assim, sujeitar-se a que eu oiça e gozar logo a seguir num jornal na Internet.

Se se ficasse só pela internet, tudo bem, eu aguentava-me e só tinha que optar por não ler essas partilhas. O grande problema é que estas pessoas, na sua maioria, já exploraram a página toda das frases e frasezinhas e desce sobre elas algo do além e resolvem ser coach emocionais de cada pessoa que passa por eles. Autênticos discursos cheios de nada que me levam a ficar, sem que me dê conta, com cara de p€!#o (não se pode escrever tudo, porque isto é um jornal na internet sério). Nessas alturas eu sinto que estou a fazer uma espécie de serviço comunitário e que a minha pena passa por estar a ouvir esta malta a falar de passarinhos a voar em céus azuis e que não há limites para liberdades e tal. Mas alguém imagina a dor que se sente a ter alguém a falar durante trinta minutos sobre uma fotografia tirada num telemóvel de um céu com nuvens? E até parece que está a dirigir-se à pessoa a quem está a mostrar a foto sobre paz e afins, mas no fundo no fundo é toda uma vanglória sobre o quão espetacular essa pessoa foi ao tirar uma foto com alta profundidade sentimental.

E eis que chega ao Natal e tudo isto se multiplica por cinco mil. Se já é mau ouvir mãos cheias de nada ao longo do ano, então no Natal é profundamente angustiante. O cérebro fica de tal forma machucado com morais ocas que, na eventualidade de se ouvir alguém que até diz alguma coisa de jeito, já me rebentam os tímpanos e os olhos já deram pelo menos três voltas ao cérebro. É muito isto!

Portanto, malta das cifras, eu sei que ninguém é perfeito, mas bolas… mal por mal, certifiquem-se que os autores existem, aproveitem e leiam um livro ou simplesmente não massacrem o resto do mundo com falsas morais. Basta isso… ninguém quer saber mesmo!

“Sejam felizes e Bom Natal”, por Vaninsky Ferreiróvzy.

 

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Categorias: Crónica, Destaque, Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Vânia Ferreira

Licenciada em Relações Internacionais com especialidade em género, mas com uma paixão assumida pela geoestratégia. Profissionalmente ligada à moda, marketing e eventos na área do luxo. Provocadora de nascença e polémica por hobbie, vive a vida sem medo de brincar. Ambiciona um mundo em que todas as pessoas consigam galhofar com os seus próprios defeitos e com os dos outros sem que isso seja sinonimo de guerra.

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