Agostinho Fernandes

Questionário de Proust | Monsenhor Mário Rui Fernandes Leite de Oliveira

Questionário de Proust | Monsenhor Mário Rui Fernandes Leite de Oliveira

 

 

 

O Monsenhor Mário Rui Fernandes Leite de Oliveira nasceu em Joane em 17 de Abril de 1973.

Em 1987, aos 24 anos de idade, foi ordenado como Padre, ocupando neste momento o cargo de Capelão de Sua Santidade, o Papa Francisco, desde 12 Novembro de 2012.

No que se refere à sua formação académica, Mário Rui Fernandes Leite de Oliveira, licenciou-se em Teologia, pela Universidade Católica Portuguesa, tendo-se mais tarde doutorado em Direito Canónico com especialização em Jurisprudência, na Pontifícia Universidade Gregoriana. Efetuou também uma Pós Graduação em Teologia Pastoral na Universidade Católica Portuguesa e um Curso de Postulador para a Causa de Canonização dos Santos (2011).

O seu vastíssimo currículo ajudou-o a subir na hierarquia da Igreja até aos cargos que hoje desempenha. Assim, Mário Rui Oliveira foi Vigário Judicial Adjunto do Tribunal Metropolitano de Braga, Moderador da Cúria Diocesana, na Arquidiocese de Braga, Delegado do Prelado para a Formação do Clero, Delegado do Prelado para o Simpósio dos Padres, em Fátima, 2006, Pároco em duas comunidades paroquiais do Concelho de Vizela entre 1998 e 2000. Para além disso, o Monsenhor Mário rui Oliveira foi professor de Educação Moral Religiosa Católica no Instituto Silva Monteiro, S. Paio de Vizela, entre 1999 e 2000, Pároco  em Pároco em Parada de Tibães, em 2006, e Mire de Tibães, em 2006-2007, e colaborador da Rádio Renascença e da RFM.

Dada a sua progressão na Igreja Católica Apostólica Romana, atualmente, o Monsenhor Mário Rui Fernandes Leite de Oliveira exerce as mais diversas funções. Desde logo, é Chanceler do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, no Vaticano, Docente na Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma, Consultor da Comissão Histórica da Congregação da Causa dos Santos, Professor convidado pela Universidade Federal Fluminense, em Niterói, no Brasil, Professor da Faculdade de Teologia da UCP, em Braga, é membro do Conselho de Redacção da Revista Forum Canonicum, bem como da Revista Monitor Ecclesiasticus e é ainda Postulador das Causas de Beatificação de Frei Bernardo da Anunciação e do Pe. Abílio Correia de Oliveira, na Arquidiocese de Braga.

Poliglota – domina fluentemente o Português, Inglês, Francês, Espanhol, Italiano e Latim -, os seus domínios de especialização incidem no Direito Canónico, na Jurisprudência matrimonial, no Direito Administrativo e Processual e na Beatificação e Canonização dos Santos.

Os atuais interesses de investigação incidem sobre a análise e repercussões do Livro V do Código de Direito Canónico (Bens Temporais da Igreja) na vida e ministério dos presbíteros da Igreja Católica, na receção da lei civil na legislação da Igreja Católica, na Concordata entre a Santa Sé e Portugal, no Acordo entre a Santa Sé e a Republica Federativa do Brasil, na Jurisprudência matrimonial, na Vigilância sobre a reta administração da justiça da Igreja e o Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, no Contencioso administrativo na Igreja e o Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, no Direito Concordatário e nas Causas de Canonização de Santos.

Em função dos seus interesses e das investigações que tem vindo a realizar, o Monsenhor Mário Rui de Oliveira produziu também uma extensa e diversificada  lista bibliográfica que percorre a Teologia, o Direito, a História, a Arte a Poesia.

Teologia:

«Uma espiritualidade para a pós-modernidade», Revista Cenáculo 134 (1995) 49-81.

«Sob o signo da Ressurreição», Revista Cenáculo 136 (1996) 61-92.

«Jesus Cristo, o Servo de Iahweh e o Sentido do sofrimento», Revista Cenáculo 139 (1996) 35-47.

História:

«A Ordem dos Jerónimos», Dicionário de História Religiosa de Portugal, ed. Círculo de Leitores.

Direito:

* O direito a viver do Evangelho: estudo jurídico-teológico sobre a sustentação do clero, Roma, 2006, pp. 365.

* A Carta Circular do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e o art. 16 da Concordata, in Revista Forum canonicum, V/1 (2010) 81-114.

* O art. 12, § 1 do Acordo entre a Santa Sé e a Republica Federativa do Brasil e a Carta Circular do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, in Revista Forum canonicum, VI/1 (2011) 89-110.

* O ministério, a vida e a sustentação económica do clero durante a vigência do Código de 1917, in Didaskalia XLI (2011)

* A liberdade religiosa no contexto das Concordatas: considerações a propósito do Acordo entre a Santa Sé e a Republica Federativa do Brasil, Revista Forum Canonicum, vol. VII/2 (2012), pp. 91-126.

* O Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e a sua nova Lex propria”, Revista Forum Canonicum, vol. VIII/2 (2013), pp. 93-116.

* A Remuneração e sustentamento no Ministério do Presbítero e na vida da Igreja, Revista Forum Canonicum, vol. VIII/1 (2013), pp. 9-41.

* L’accoglienza dell’Istruzione Dignitas connubii in Portogallo alla luce degli interventi della Segnatura Apostolica (Congresso alla Pontificia Università Gregoriana, gennaio 2015), a publicar em Periodica e Forum canonicum.

* A normativa actual sobre as causas de beatificação e de canonização. Conferência sobre a causa de beatificação de Frei Bernardo de Vasconcelos, Braga 2012, a publicar.

* A reforma do Processo Matrimonial à luz dos princípios gerais do Processo canónico, Revista Forum Canonicum XI.2. (2017).

Arte:

Estrangeiros nas colecções privadas: de Bonnardo ao séc. XXI (Catálogo da Exposição, Museu Carlos Machado, Açores, 2006-2007).

Poesia:

O Vento da Noite 2002 (Assírio e Alvim).

Bairro Judaico 2003 (Assírio e Alvim).

Histórias para uma noite de calmaria 2002 (Assírio e Alvim) tradução do italiano da obra de Tonino Guerra.

O Mel 2003 (Assírio e Alvim) tradução do italiano / romanholo da obra de Tonino Guerra

O Livro da Consolação 2019 (Assírio e Alvim), Março de 2019.

 

 

1- Qual é para si o cúmulo da miséria moral?

Aquilo que Hannah Arendt definiu como a “banalidade do mal”, isto é, o mal perpetrado por ninguém, por seres humanos que renunciaram a ser pessoas e a pensar.

 

2- O seu ideal de felicidade terrestre?

Hoje lia que o número de obesos supera já os que nada têm para comer. Uma felicidade terrestre seria talvez encontrar um equilíbrio entre estes dois extremos, em que ninguém morre de fome por causa dos excessos e desperdícios.

 

3- Que culpas, a seu ver, requerem mais indulgência?

O amor e o ciúme.

 

4- E menos indulgência?

A violência premeditada como dizia Truman Capote.

 

5- Qual a sua personagem histórica favorita?

Jesus de Nazaré, com um alvoroço no coração.

 

6- E as heroínas mais admiráveis da vida real?

A minha mãe, com outro sobressalto no coração, pela sua honestidade e bondade, pela sua capacidade de sacrifício e integridade humana e espiritual. Pelo sorriso humilde e aquele brilhozinho nos olhos. Da minha avó materna poderia dizer o mesmo…

 

7- A sua heroína preferida na ficção?

Vou usar o termo ficção no sentido literário e escolher sem vacilar Clarice Lispector, uma loba solitária, com uma escrita de fogo, purificador, e que conhecia o abismo da alma humana como ninguém.

 

8- O seu pintor favorito?

Mark Rothko, o mais atormentado e espiritual dos pintores do expressionismo abstracto. Morreu suicida e as suas pinturas baseavam-se na descrição bíblica do Templo e do Santo dos Santos…

 

9- O seu músico favorito?

O que mais me acompanhou e criou emoções inesquecíveis foi o vocalista dos U2, Bono Vox. Recordo-me de, no segredo do meu quarto do seminário, cantar todos os dias, antes das aulas, a música “so cruel”. Lancinante.

 

10- Que qualidade mais aprecia no homem?

A honestidade intelectual e a fidelidade à terra; a opção pela verdade, a profundidade da inteligência e o bom humor.

 

11- Que qualidade prefere na mulher?

A maternidade.

 

12- A sua ocupação favorita?

Ouvir música, ler e viajar com amigos.

 

13- Quem gostaria de ter sido?

Talvez São José de Cupertino, um santo não muito inteligente mas que recebeu o dom de voar. Ou talvez eu mesmo, assim feito de luzes e de sombras…

 

14- O principal atributo do seu carácter?

Creio que a generosidade e o desprendimento.

 

15- Que mais apetece aos amigos?

A fidelidade à amizade.

 

16- O seu principal defeito?

A teimosia típica dos carneiros de Abril.

 

17- O seu sonho de felicidade?

Dizer sim ao amor, à poesia e à santidade, como no conto da Sophia de Mello Breyner.

 

18- Qual a maior das desgraças?

Não ter fé.

 

19- Que profissão, que não fosse a de escritor, gostaria de ter exercido?

Se lhe quiser chamar assim, exerço a profissão que sempre amei e desejei. Ser padre católico.

 

20- Que cor prefere?

Gosto do verde que é a cor do Sporting.

 

21- A flor que mais gosta?

Frésias que são flores com cheiro a chá, como diz um verso de um poema de José Tolentino de Mendonça.

 

22- O pássaro que lhe merece mais simpatia?

Canário.

 

23- Os seus ficcionistas preferidos?

O noitibó que, sinceramente, nunca vi mas que amo porque é o pássaro que anuncia a noite, como me confidenciou uma vez em Capri um amigo.

 

24- Poetas preferidos?

Fixo-me nos portugueses… Eugénio de Andrade, Herberto Helder, José Tolentino de Mendonça, naturalmente Camões e Pessoa, insuperáveis.

 

25- O seu herói?

Ulisses de Homero.

 

26- Os seus heróis da vida real?

O meu Pai, porque sozinho educou e manteve sete filhos, construindo uma família maravilhosa, unida, simples, honesta e íntegra nos seus valores. Éramos tão ricos que só não tínhamos dinheiro. De resto, tínhamos tudo.

 

27- As suas heroínas da história?

Há uma mulher extraordinária do século XI chamada Hildegarda de Bingen, que foi monja beneditina, mística, teóloga, compositora, pregadora, naturalista, médica informal, poetisa, dramaturga, escritora alemã e mestra do Mosteiro em Bingen am Rhein, na Alemanha. É uma santa e doutora da Igreja Católica. Se isto não é ser heroína não sei o que será.

 

28- Que mais detesta no homem?

A arrogância e a mentira.

 

29- Caracteres históricos que mais abomina?

A falta de memória histórica, o comunismo, o nazismo e a xenofobia, a perseguição religiosa, o positivismo jurídico.

 

30- Que facto, do ponto de vista guerreiro, mais admira?

Sem dúvida acabar com a fome em África e encontrar uma solução para o problema dos imigrantes e refugiados.

 

31- A reforma política que mais ambiciona no mundo?

Sem dúvida acabar com a fome em África e encontrar uma solução para o problema dos imigrantes e refugiados.

 

32- O dom natural que mais gostaria de possuir?

Não há dons “naturais”, os dons são todos “espirituais”, vêm do alto (quanto mais naturais mais sobrenaturais). Por isso o dom que mais peço é, como Salomão, o da sabedoria. T. S. Eliot diz uma coisa extraordinária e terrível ao mesmo tempo e que nos deveria fazer pensar: “Onde está a sabedoria que perdemos com o conhecimento? Onde está o conhecimento que perdemos com a informação?”

 

33- Como desejaria morrer?

Há uma oração que faço com muita insistência, escrita por Clarice Lispector, e que reza assim: “Alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais (…) faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém”. Assim gostaria de morrer.

 

34- Estado presente do seu espírito?

Sempre com saudades do futuro.

 

35- A sua divisa?

“Todas as minhas fontes estão em Ti” É o último verso do Salmo 86, o mais revolucionário de toda a Sagrada Escritura.

 

36- Qual é o maior problema em aberto do concelho?

Estou demasiado longe de Famalicão para poder responder com propriedade a essa questão.

 

37- Qual a área de problemas que se podem considerar satisfatoriamente resolvidos no território municipal?

Ouvi falar bem da educação e do ensino e da acção social…

 

38- Que obra importante está ainda em falta entre nós?

Pessoa dizia “falta cumprir Portugal”… será que falta cumprir Famalicão?

 

39- De que mais se orgulha no seu concelho?

Saber que Camilo passou por cá é uma boa coisa de que se orgulhar… Mas também a grande vitalidade do associativismo… recordo por exemplo em Joane os projectos da Rádio Jovem e do Cal; o Teatro Construção, etc. que conheci bem na minha juventude.

 

40- Qual é o livro mais importante do mundo para si?

Kant estava convencido de que “o Evangelho era a fonte que deu origem à nossa cultura”, enquanto Goethe considerava a Bíblia como “a língua materna da Europa.” A Bíblia é o grande código para falar e compreender o Ocidente. Quem não conhece as expressões: “paciência de Jó”, “lavar as mãos como Pilatos”, “ser um homem de pouca fé”, “filho pródigo”, “as cebolas do Egipto”, “quem semeia o vento recolhe a tempestade”, “ninguém é profeta em sua pátria”, etc. etc. E que seria dos museus se retirassem os quadros com alusões bíblicas? E que seria da nossa cultura sem Agostinho, Bernardo Claraval, Francisco de Assis, António de Lisboa, Tomás de Aquino, Dante, Teresa de Ávila, João da Cruz, etc. etc.? A Europa e o mundo não seriam o mesmo sem a Bíblia. E eu também não!

 

 

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Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Agostinho Fernandes

Agostinho Peixoto Fernandes nasceu em Joane, em 1942. Após a instrução primária, ingressou na austera Ordem do Carmo, em Viana do Castelo, tendo terminado a licenciatura em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Como professor do ensino Secundário ocupou, a partir de 1974, vários cargos de gestão em estabelecimentos de ensino. Entre 1980 e 1982 foi vereador da Cultura, pelo Partido Socialista, na Câmara Municipal de Famalicão, sendo Presidente Antero Martins do PSD, onde alicerçou uma política inovadora nesta área. Promoveu os Encontros Municipais e de Formação Autárquica, fundou o Boletim Cultural. Dinamizou o movimento associativo local. Em 1983 foi eleito presidente da Câmara de Famalicão, cargo que ocupou até 2001. O seu trabalho de autarca a favor da educação, ensino e acção social (foi um dos primeiros autarcas do país a criar no seu concelho uma rede pública de infantários) foi reconhecido em 1993 pela UNICEF, que o declarou “Presidente da Câmara Amigo das Crianças”. Ao longo dos seus sucessivos mandatos – que se estenderam por um período de quase 20 anos – o concelho transfigurou-se. A ele se deve a implantação de importantes infra-estruturas como o Citeve, Matadouro Central, Universidade Lusíada, Escola Superior de Saúde do Vale do Ave, Biblioteca Municipal, Artave, Centro Coordenador de Transportes, Casa das Artes, Museu da Indústria Têxtil e piscinas municipais. Também tomou decisões polémicas, como a urbanização da parte dos terrenos de Sinçães, a instalação de grandes e médias superfícies comerciais à entrada da cidade e a demolição do Cine-Teatro Augusto Correia. Foi um dos fundadores da Associação de Municípios do Vale do Ave, tendo, neste âmbito, enfrentando a maior contestação popular dos seus mandatos com a construção da ETRSU de Riba de Ave. É sócio de inúmeras associações cívicas, culturais e de solidariedade social e foi mandatário concelhio de Mário Soares e Jorge Sampaio (1º mandato) nas suas campanhas à Presidência da República.

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