Pedro Pimenta

Saúde | Alimentação e Exercício Físico na Diabetes Mellitus

Saúde | Alimentação e Exercício Físico na Diabetes Mellitus

 

 

 

A Diabetes Mellitus, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, é uma patologia crónica de origem metabólica que se evidencia por uma ausência na produção de insulina ou por uma incapacidade de utilizar insulina pelas células. A insulina é uma hormona produzida pelas células β do pâncreas e que funciona como uma chave para permitir a entrada da glicose nas células. O que sucede na Diabetes é uma incapacidade na entrada da glicose nas células, ficando por sua vez a glicose acumulada na corrente sanguínea, levando ao fenómeno de hiperglicemia (valores elevados de glicose no sangue).

Esta doença pode manifestar-se de diferentes formas, sendo as mais prevalentes a Diabetes tipo 1, onde há ausência de produção de insulina e a Diabetes tipo 2, em que se verifica uma resistência à insulina por parte das células. Em termos epidemiológicos esta doença em Portugal no ano de 2016 apresentou uma prevalência de 13,3 % da população entre os 20 e os 79 anos de idade, pelo 5,8 % representavam casos ainda por diagnosticar.

Sabe-se também que a Diabetes é responsável pela perda de anos de vida e em Portugal as pessoas com esta doença perdem cerca de 8,5 anos de vida. A Diabetes é responsável pela morte de 1 pessoa a cada 6 segundos em todo o mundo, por esse motivo importa conhecer os sintomas associados a esta patologia, dado que muitos casos permanecem ainda por diagnosticar. Assim os sintomas mais evidenciados são conhecidos como os 4 P’s: Poliúria (urinar com muita frequência); Polifagia (aumento significativo do apetite); Polidipsia (sensação frequente de sede); e Perda de Peso sem motivo aparente.

Tal como demonstrado anteriormente, a Diabetes traduz-se numa grande complexidade em termos metabólicos, pelo que lidar diariamente com a doença não só é complexo como exige um grande comprometimento por parte das pessoas por ela afetadas. Um dos esforços a que obriga é uma constante monitorização dos níveis de glicose sanguíneos, de forma a prevenir a existência de complicações, mas para isso a pessoa com Diabetes deve focar-se no conhecimento de 5 pontos essenciais: Doença; alimentação; exercício físico; controlo glicémico e medicação prescrita.

Dentro da componente alimentar não existe uma “dieta” específica para pessoas com Diabetes, existem sim, aqueles que são os princípios para uma alimentação promotora de saúde e que devem ser transversais a toda a população. As recomendações emanadas pelo nosso guia alimentar nacional – A Roda da Alimentação Mediterrânica – são as mais adequadas para que a alimentação seja equilibrada, completa e variada. A ideia mais importante dentro da componente alimentar é que a mensagem a transmitir seja sempre  positiva, com foco nos alimentos a ingerir, nas quantidades e na frequência de consumo. Por outro lado é essencial a consulta dos rótulos alimentares para um melhor entendimento das características dos alimentos, mas em situações mais avançadas de Diabetes tipo 1 ou de tipo 2 é importante considerar a adoção do método de contagem dos hidratos de carbono e procurar um profissional da nutrição para a utilização dessa ferramenta. Com a garantia da prática de uma boa alimentação é possível alcançar um bom controlo glicémico, bons resultados lipídicos (colesterol e triacilgliceróis), pressão arterial normal e um peso corporal saudável.

Quanto ao exercício físico, a sua prática é essencial para o tratamento e controlo da Diabetes, com benefícios ao nível do aumento da sensibilidade nas células, mais eficiência no processo metabólico, redução dos valores de glicemia e melhoria dos valores de hemoglobina glicada. Abordando especificamente a Diabetes tipo 1, os benefícios do exercício físico são menores, contudo apesar dos benefícios distintos entre a tipo 1 e a tipo 2, a prática de exercício físico é sempre importante, não descurando alguns aspetos, como um planeamento antecipado do exercício, prevenção de hipoglicemias e o uso de calçado apropriado. A hipoglicemia (glicemia inferior a 70mg/dl) pode ser prevenida com uma refeição adequada antes e depois do exercício, mas caso esta ocorra devem ser ingeridos de imediato entre 10 a 15g de açúcar diluído em água e posteriormente deve ser feita uma nova medição da glicemia. Caso esta esteja normalizada, é aconselhado realizar uma refeição rica em hidratos de carbono, porém caso os valores não normalizem, o procedimento anterior deve ser repetido até os valores estabilizarem.

Por fim e de acordo com a evidência mais recente, as pessoas com Diabetes podem praticar exercício físico, desde que o mesmo seja conjugado com uma boa alimentação, sempre associado a um nível satisfatório de conhecimento sobre a patologia em causa, de forma que o quotidiano seja vivido com qualidade e com saúde.

 

Imagem: Rawpixel

 

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Categorias: Ciência

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Pedro Pimenta

Pedro Pimenta, Nutricionista (cédula profisisonal 3324N) Aprovado com Distinção nas Provas de Habilitação Profissional da Ordem dos Nutricionistas (ON) em 2017. Licenciado em Ciências da Nutrição pelo Instituto Universitário de Ciências da Saúde (Grupo CESPU) com a obtenção do Prémio de Melhor Aluno do Curso conferido pelo Reitor da Universidade em 2016. Colaboração, no âmbito do estágio curricular, com a Associação Portuguesa de Nutrição (APN). Mestrando em Saúde Pública, pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) desde 2017. Revisor da Comissão Científica Interna do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP). Investigador voluntário no projeto Heart&Mind Study - Inflammatory biomarkers and neurocognition in cardiovascular diseases , em curso no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, EPE, financiado pelo Instituto de Investigação e Formação Avançada em Ciências e Tecnologias da Saúde (IINFACTS)/CESPU. Sócio Efetivo da Associação Portuguesa de Nutrição (APN).

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