Salvador Coutinho

Poesia | Prenda mais, Morro por ti – VI: na casa do menino que acredita também há serpentinas

Poesia | Prenda mais, Morro por ti – VI: na casa do menino que acredita também há serpentinas

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na casa do menino que acredita também há serpentinas

muitas de que ele não sabe fieira nem bilhete de identidade

as prestações mensais iguais e sucessivas do carro

(duas já em atraso)

(o malmequer amarelo nasceu na valeta à saída do portão do

condomínio)

as prestações do apartamento

(já algumas à espera de ser oportuno)

mas o pai tem um novo champô de ovo – gema e ervas –

e um sabonete especial com tiques de paris

e a mãe vai ao plus ao lidl ao dia (são mais em conta)

porque comer é indispensável

as prestações das mobílias, carpetes, cortinados, têxteis lar

que só pela vergonha de mudar de passeio estão em dia

(os estabelecimentos dos credores são ao correr da rua)

chove e safanões de vento fazem dos caixilhos imitações de

castanholas

e entram línguas de água pelas frinchas dos peitoris

e mais serpentinas luzes trémulas natal no apartamento ressentido no apartamento ressentido

 

 

 

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Categorias: Cultura

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Salvador Coutinho

António José Salvador Coutinho nasceu em Espinho, em 1935, e reside em Vila Nova de Famalicão desde 1944. Advogado, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, enquanto trabalhador da Fábrica de Pneus Mabor. Foi jogador de futebol e de hóquei em patins (defesa da Seleção do Minho). Detém a medalha de homenagem de Mérito Desportivo atribuída pelo Famalicense Atlético Clube a 12 de novembro de 1956. Foi Presidente do Congresso da Federação Portuguesa de Columbofilia e detém a Medalha Dourada da mesma Federação. Como trabalhador, ajudou à consciencialização democrática dos trabalhadores antes do 25 de Abril e, junto de vários sindicatos, desenvolveu, já como advogado, ações de preparação para a cidadania (o que lhe valeu ser submetido a dois interrogatórios pela polícia política do regime de então - PIDE/DGS). Iniciou-se na poesia e na prosa com colaborações em vários jornais, nomeadamente na Estrela do Minho (primeiro texto publicado), Estrela da Manhã, Notícias de Famalicão e Democracia do Norte. Foi criador do primeiro suplemento literário do Notícias de Famalicão. Depois foi escrevendo....

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