Agostinho Fernandes

Questionário de Proust | Deolinda Vieira Machado

Questionário de Proust | Deolinda Vieira Machado

 

 

 

Deolinda Carvalho Machado nasceu  em Vermoim, Vila Nova de Famalicão, em 23 de outubro de 1956. Vive atualmente em Lisboa.

No âmbito dos seus estudos, Deolinda Machado cursou um Mestrado em Ciências da Educação, com especialização em Educação, Desenvolvimento e Políticas Educativas, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, depois de se ter inicialmente licenciado em Ciências Religiosas pela Faculdade de Teologia de Braga da Universidade Católica Portuguesa.

Integrada num modelo de sociedade muito diferente da atual, Deolinda Carvalho Machado começou a trabalhar ainda muito jovem, como operária têxtil. Foi em 1969, tinha apenas 13 anos de idade. Exerceu esta sua primeira atividade profissional até 1981. Daí passaria para uma empresa de comércio grossista, onde foi responsável pelo departamento financeiro, até 1983.

Em 1983, passaria a exercer funções docentes como professora do Ensino Básico e Secundário. Nessa qualidade, viria a desempenhar a função de Coordenadora do Programa “Educação Para Todos” PEPT 2000, de 1994 a 1996.

Empolgada pelas questões sociais, exerceu também diversos cargos relacionados com o trabalho e a infância ou a juventude. Assim, foi Presidente da Comissão Executiva da Confederação Nacional de Ação Sobre o Trabalho Infantil (CNASTI), de 1993 a 1998, e responsável pela coordenação de alguns projetos de combate ao trabalho infantil, nomeadamente o de Coordenadora, na CNASTI, do Relatório Nacional sobre o Trabalho Infantil em Portugal que, em articulação com o Instituto de Apoio à Criança (IAC), deram resposta ao projeto lançado pelo International Working Group on Child Labour, em 1996.

Deolinda Machado foi dirigente da Associação de Moradores das Lameiras (A .M.L.), em V.N. de Famalicão, de 1984 a 1997, e sua Sócia-fundadora. Aí foi também Diretora Técnico-Pedagógica do Centro Social da mesma Associação de Moradores, de 1995 a 1997, membro da redação do Boletim Cultural e Informativo da A .M.L, de 1988 a 1997.

Já depois de ter passado a residir em Lisboa, Deolinda Carvalho Machado manteve a sua atividade participativa na sociedade. Foi, por isso, Sócia-fundadora e dirigente da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”, em Lisboa, em 1999, dirigente da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos, Diocese de Lisboa,  representante da LOC/MTC no Conselho Nacional de Movimentos e Obras (CNMO), membro do Grupo “Economia e Trabalho” da Comissão Nacional Justiça e Paz, membro da Comissão Executiva e do Secretariado da Confederação Geral de Trabalhadores Portugueses-Intersindical Nacional (CGTP-IN) desde 1999, associada do Instituto Paulo Freire de Portugal desde 2002, membro do Centro de Estudos “Observatório de Políticas de Educação e de Contextos Educativos” da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, membro da Presidência do Conselho Português para a Paz e Cooperação, membro do Centro de Estudos Sociais da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS); Vice-Presidente da Liga Portuguesa dos Direitos Humanos – Civitas, Presidente da Direção da Associação Movimento Erradicar a Pobreza, membro do Conselho de Opinião da Rádio e Televisão de Portugal (RTP) e da sua Comissão Permanente, deputada Municipal em Lisboa, e membro do Conselho Económico e Social.

Atualmente é Vereadora, em regime de substituição, na Câmara Municipal de Lisboa sendo membro do Conselho Municipal para a Igualdade.

 

1- Qual é para si o cúmulo da miséria moral?

A perda da dignidade do ser humano.

 

2- O seu ideal de felicidade terrestre?

Liberdade, Igualdade e Fraternidade. O respeito pelos Direitos Humanos onde pontificam a democracia e o bem comum, independentemente da cor da pele, nacionalidade, religião ou condição sócio-económica, de entre outras.

 

3- Que culpas, a seu ver, requerem mais indulgência?

As de todos aqueles que praticaram actos inaceitáveis na sociedade sem terem, comprovadamente, consciência para tal.

 

4- E menos indulgência?

As de todos os que cometeram atentados contra os mais desprotegidos da sociedade, como por exemplo, os que promoveram a escravidão, autêntico atentado aos Direitos Humanos.

 

5- Qual a sua personagem histórica favorita?

Nelson Mandela.

 

6- E as heroínas mais admiráveis da vida real?

As mulheres que continuam a desdobrar-se gerindo, em simultâneo, várias dimensões da vida: pessoal, profissional, familiar, cidadã, política, de entre outras.

 

7- A sua heroína preferida na ficção?

Mafalda, figura criada pelo argentino Quino, contestatária defensora da humanidade e da paz.

 

8- O seu pintor favorito?

Paula Rego.

 

9- O seu músico favorito?

Zeca Afonso.

Mariza.

Matias Damásio.

 

10- Que qualidade mais aprecia no homem?

A honestidade e o carácter.

 

11- Que qualidade prefere na mulher?

As mesmas que se referem ao homem.

 

12- A sua ocupação favorita?

A participação activa na promoção da educação para os valores humanos e sociais promovendo o espírito crítico.

 

13- Quem gostaria de ter sido?

O que sou.

 

14- O principal atributo do seu carácter?

Humanismo.

 

15- Que mais apetece aos amigos?

Honestidade, coerência, firmeza de carácter.

 

16- O seu principal defeito?

Teimosia.

 

17- O seu sonho de felicidade?

A vivência em harmonia de todos os seres os humanos, no respeito por cada um, tendo sempre como horizonte o bem-estar de toda a comunidade humana.

 

18- Qual a maior das desgraças?

O egoísmo e os interesses particulares que minam o bem comum e provocam a pobreza, a fome, as guerras, que colocam milhões de pessoas em instabilidade e sofrimento permanentes. A luta pela PAZ é uma luta de todos e de todos os dias. Urge colocarmo-nos na pele dos outros.

 

19- Que profissão, que não fosse a de escritor, gostaria de ter exercido?

A profissão que exerço: professora.

 

20- Que cor prefere?

Vermelho.

 

21- A flor que mais gosta?

Cravos vermelhos.

 

22- O pássaro que lhe merece mais simpatia?

Canário.

 

23- Os seus ficcionistas preferidos?

Ana Margarida de Carvalho, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Gabriel Garcia Marquez e José Saramago.

 

24- Poetas preferidos?

António Pina, Agostinho Fernandes, Fernando Pessoa, Luís de Camões, Manuel Alegre e Sofia de Mello Breyner.

 

25- O seu herói?

Jesus Cristo e o Papa Francisco.

 

26- Os seus heróis da vida real?

Os trabalhadores que vivem uma vida inteira de trabalho e de luta por melhores condições de vida, não só para eles, mas também para os outros, dando exemplo de pessoas íntegras.

 

27- As suas heroínas da história?

Carolina Beatriz Ângelo, Clara Zetkin, Maria Lamas e Maria de Lourdes Pintassilgo.

 

28- Que mais detesta no homem?

A mentira, a falta de carácter.

 

29- Caracteres históricos que mais abomina?

Tiranos. A autoria das fake news.

 

30- Que facto, do ponto de vista guerreiro, mais admira?

A persistência.

 

31- A reforma política que mais ambiciona no mundo?

A democracia.

 

32- O dom natural que mais gostaria de possuir?

Poder ajudar todas as crianças do mundo a ter acesso à educação e ao bem-estar.

 

33- Como desejaria morrer?

Depois de uma vida com missão cumprida.

 

34- Estado presente do seu espírito?

Em paz comigo, com Deus, com os outros e com a natureza.

 

35- A sua divisa?

Não fazer aos outros o que não quero para mim.

 

36- Qual é o maior problema em aberto do concelho?

Os baixos salários que se traduzem em desigualdades sociais.

 

37- Qual a área de problemas que se podem considerar satisfatoriamente resolvidos no território municipal?

Zonas verdes, actividades culturais e de lazer.

 

38- Que obra importante está ainda em falta entre nós?

* A ligação entre espaços culturais, associando o trabalho à cultura e à Ciência, para que possam fazer do concelho um museu vivo de gentes e culturas que, pela sua história, vivências e força criativa, afirmem o concelho, dentro e fora do país. A ligação à diáspora criando assim o cartão de visita dos famalicenses.

* Obras de saneamento básico, em falta, em vários pontos do concelho.

* Alargamento da rede dos TUF (transportes urbanos) a todas as freguesias do concelho.

 

39- De que mais se orgulha no seu concelho?

Do saber acolher ser solidário. São características de extraordinária importância dos famalicenses.

 

40- Qual é o livro mais importante do mundo para si?

A Bíblia.

 

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Categorias: Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Agostinho Fernandes

Agostinho Peixoto Fernandes nasceu em Joane, em 1942. Após a instrução primária, ingressou na austera Ordem do Carmo, em Viana do Castelo, tendo terminado a licenciatura em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Como professor do ensino Secundário ocupou, a partir de 1974, vários cargos de gestão em estabelecimentos de ensino. Entre 1980 e 1982 foi vereador da Cultura, pelo Partido Socialista, na Câmara Municipal de Famalicão, sendo Presidente Antero Martins do PSD, onde alicerçou uma política inovadora nesta área. Promoveu os Encontros Municipais e de Formação Autárquica, fundou o Boletim Cultural. Dinamizou o movimento associativo local. Em 1983 foi eleito presidente da Câmara de Famalicão, cargo que ocupou até 2001. O seu trabalho de autarca a favor da educação, ensino e acção social (foi um dos primeiros autarcas do país a criar no seu concelho uma rede pública de infantários) foi reconhecido em 1993 pela UNICEF, que o declarou “Presidente da Câmara Amigo das Crianças”. Ao longo dos seus sucessivos mandatos – que se estenderam por um período de quase 20 anos – o concelho transfigurou-se. A ele se deve a implantação de importantes infra-estruturas como o Citeve, Matadouro Central, Universidade Lusíada, Escola Superior de Saúde do Vale do Ave, Biblioteca Municipal, Artave, Centro Coordenador de Transportes, Casa das Artes, Museu da Indústria Têxtil e piscinas municipais. Também tomou decisões polémicas, como a urbanização da parte dos terrenos de Sinçães, a instalação de grandes e médias superfícies comerciais à entrada da cidade e a demolição do Cine-Teatro Augusto Correia. Foi um dos fundadores da Associação de Municípios do Vale do Ave, tendo, neste âmbito, enfrentando a maior contestação popular dos seus mandatos com a construção da ETRSU de Riba de Ave. É sócio de inúmeras associações cívicas, culturais e de solidariedade social e foi mandatário concelhio de Mário Soares e Jorge Sampaio (1º mandato) nas suas campanhas à Presidência da República.

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