Fernanda Costa

V. N. Famalicão | No cinquentenário da ‘Escola Júlio Brandão’

V. N. Famalicão | No cinquentenário da ‘Escola Júlio Brandão’

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O escritor espanhol Miguel Cervantes afirmou “A história é émula do tempo, repositório dos factos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro”.

São cinquenta anos de história desta instituição que estamos a comemorar e não são só os factos que testemunham o passado mas, principalmente, as pessoas que os tornaram realidade. É a memória das coisas e dos homens que vamos aqui recordar, como um exemplo para o presente, sempre de olhos postos no futuro.

E foi precisamente a 9 de setembro de 1968 que foi criada esta Escola com a designação de Escola Preparatória de Júlio Brandão. Ficou instalada no edifício da então Escola Industrial e Comercial de Vila Nova de Famalicão, agora denominada Escola Secundária D. Sancho I.

Em 5 de dezembro de 1974 foi transferida para novas instalações, construídas em pré-fabricados de madeira, na Rua Adolfo Casais Monteiro. Em 17 de julho de 1979 esta Escola passou a designar-se Escola Preparatória de Vila Nova de Famalicão.

Em 18 de dezembro de 1986 foi dado início à construção das instalações definitivas da atual Escola, na Rua Padre António José Carvalho Guimarães, tendo entrado em funcionamento no ano letivo de 1987/88, com a frequência de cerca de 1500 alunos. Por incapacidade das novas instalações, parte dos alunos manteve-se nos pré-fabricados de madeira, considerados um anexo da Escola, nos anos letivos 87/88, 88/89 e 89/90.

Em 15 de outubro de 1991 foi reposto o nome do antigo patrono, passando a designar-se Escola Preparatória de Júlio Brandão.

Ao longo da sua existência, esta Escola apostou sempre na inovação, na modernidade, acompanhando os desafios que as diversas reformas do sistema educativo foram propondo. Foi uma das 20 escolas do país, única no Distrito de Braga, convidada a fazer a experimentação do Novo Modelo de Gestão, a partir do ano letivo 92/93. Assim, elaborou o seu Projeto Educativo, numa fase inicial onde a literatura sobre o assunto era ainda muito escassa. Deste modelo de administração e gestão fazia parte o Conselho de Escola, onde estavam representados os elementos da comunidade educativa (pais e enc. De educação, alunos, funcionários, autarquia, interesses culturais e interesses económicos). Esta experiência serviu de base ao modelo em vigor.

Através da publicação da Portaria nº495/96 passou a chamar-se E. B. 2, 3 de Júlio Brandão, alargando a sua oferta educativa ao 3º ciclo.

Com o alargamento ao 3º ciclo esta Escola soube acolher os novos colegas não havendo uma cisão entre 2º e 3º ciclos, como era prática em muitas escolas, mantendo-se sempre um corpo docente unido. Aqui éramos todos professores de 1ª, trabalhando com o objetivo de levar o aluno a aprender a aprender, num local onde se sentiam felizes.

Já no ano letivo 2000/2001 a Escola júlio Brandão apresentou um projeto de gestão flexível do currículo para o 2ºciclo tendente a, por um lado, continuar a apostar na diferenciação enquanto oportunidade legítima da Escola e consequente igualdade de oportunidades e, por outro, ajustar o seu desenho curricular a essa matriz. A necessidade de continuar a investir na construção de uma escola de qualidade, humana e criativa, aberta à inovação, onde aprender e ensinar são atos agradáveis e partilhados e, dando sequência ao projeto desenvolvido para o 2º ciclo, foi apresentado um novo projeto para o 3º ciclo no ano letivo 2002/2003.

No perfil que a Júlio Brandão foi desenhando ao longo dos anos, importa referir as práticas de integração e depois de inclusão de crianças e jovens portadores de deficiência e com NEE, num desejo partilhado de dividir recursos, criando uma matriz de flexibilidade onde todos pudessem ter sucesso. Aqui, interessa realçar a humanização dos espaços escolares, a eliminação de barreiras arquitetónicas e a criação de todas as condições humanas e materiais para que estes alunos fossem felizes. Assim, esta Escola construiu a sua identidade, tornando-se uma referência ao nível da Educação Especial, acolhendo alunos de todos os pontos do Concelho.

Não podemos deixar de referir que a Escola Júlio Brandão foi reconhecida pela Unesco como um exemplo a seguir na rentabilização e humanização dos espaços escolares. Na base deste reconhecimento, esteve o embelezamento das fachadas dos blocos com painéis de azulejos, a recuperação e restauro de duas casas agrícolas, pertencentes à antiga quinta onde foi implantada a Escola (uma adaptada ao Jardim de Infância e outra denominada Casa do Aluno), o lagar de prensa de varas, uma pequena vinha de enforcado e uma estufa.

A humanização e embelezamento dos espaços tem sido uma aposta ao longo dos anos, motivada pelas várias direções desta Escola e consubstanciada pelos auxiliares da ação educativa durante as pausas escolares dos alunos, nomeadamente, o embelezamento dos jardins, a pintura dos blocos e salas de aulas.

Aquando da intervenção da Parque Escolar, esta instituição, embora não tendo sido contemplada, aproveitou todos os recursos que foi recolhendo das várias escolas do norte do país, nomeadamente, mobiliário, equipamentos e materiais, dotando esta Escola dos meios de que tanto necessitava. Mais uma vez, professores e funcionários voluntariosos ajudaram a então Direção a concretizar esta aposta de querer mais e melhores condições para o processo de ensino e aprendizagem, fazendo jus ao ditado “Do velho se faz novo”.

Um marco digno de registo na história da Júlio Brandão foi o Centro de Formação sediado nesta Escola. Numa sociedade onde tudo acontece à velocidade da luz, sempre entendemos que a Escola teria de acompanhar esse mesmo percurso, não podendo deixar de ser seduzida por esse desafio da modernidade. Assim, apostamos na formação dos professores e do pessoal não docente, em congruência com as diretrizes do Projeto Educativo, respondendo às necessidades concretas da Escola e às necessidades individuais do seu público alvo.

A modernização dos Serviços de Administração Escolar surgiu por vontade dos próprios, na sequência de ações de formação, direcionadas para a rentabilização e humanização dos serviços. Houve então uma intervenção a nível de obras, com o consequente redimensionamento do espaço e investimento a nível de mobiliário e equipamento. Esta modernização dos Serviços Administrativos resultou numa mudança de mentalidades e atitudes, reconhecida por todos como um exemplo de profissionalismo e eficiência.

Não é mensurável a quantidade e a diversidade de projetos em que nos envolvemos. A parceria com instituições e associações locais, os protocolos com instituições de Ensino Superior, com as Escolas de Música (no âmbito do ensino articulado) e todos os desafios lançados pela Autarquia contribuíram para que a Júlio Brandão se continuasse a afirmar como uma Escola de qualidade, criativa, flexível, humana, onde é bom aprender, ensinar e partilhar.

Na sequência do reordenamento de rede educativa, foi extinto o Agrupamento horizontal Arco-íris e criado o Agrupamento vertical de Escolas Júlio Brandão, entrando em funcionamento no ano letivo 2003/2004. Este foi mais um desafio que a Escola soube acolher. Foi um processo de aprendizagem mútua, com a realidade do pré-escolar e do 1º ciclo, até então muito distantes de nós. Conseguimos aprender uns com os outros e, todos juntos, crescemos em harmonia.

Sem falsa modéstia, podemos afirmar que o Agrupamento de Escolas Júlio Brandão deixou uma chancela em todos os que fizeram parte desta família, onde havia sempre uma porta aberta para acolher todos e onde as opiniões de cada um eram tidas em conta.

Em três de maio de 2012 foi apresentada pela Direção Regional de Educação do Norte a proposta final de Agregação de Escolas. Neste contexto, foi extinto o Agrupamento de Escolas Júlio Brandão, passando a integrar o Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco. Então, tornou-se imperioso seguir o pensamento do filósofo grego Sócrates “Deves ter serenidade para aceitar o que não podes mudar, coragem para mudares o que és capaz e inteligência para veres a diferença.” E foi com serenidade que abraçamos mais este desafio, preparando todos os agentes educativos para esta mudança, com coragem para a enfrentar, não descurando a nossa identidade, e inteligência para seguir em frente, conscientes de que unidos somos mais fortes.

O nosso patrono, Júlio Brandão, lá teria as suas razões quando em 1887 escreveu um poema intitulado “Soneto a Camilo Castelo Branco” que termina assim

“Saudai uma das Águias do Universo,

Seja em prosa subtil ou seja em verso,

Engrinaldai-lhe o áureo pedestal”.

 

Júlio Brandão

 

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