24/11 Vila Nova de Famalicão

Dança | ‘A meio da noite’, o universo de Bergman sob o olhar de Olga Roriz, na Casa das Artes

Dança | ‘A meio da noite’, o universo de Bergman sob o olhar de Olga Roriz, na Casa das Artes

 

 

 

Descodificar em gestos o mundo existencialista cinematográfico de Ingmar Bergman, eis o desafio que a coreógrafa Olga Roriz e sua companhia assumem no espetáculo “A meio da noite”. “A meio da noite” estará em cena, no Grande Auditório da principal sala cultural de Vila Nova de Famalicão, no dia 24 de novembro, pelas 21h30.

 

 

É esta a proposta que a programação da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão faz ao público que busca novos entendimentos e interpretações da obra de Ingmar Bergman, dramaturgo e cineasta sueco nascido em 1918, falecido em 2007, considerado como diretor de alguns dos mais influentes e aclamados filmes de todos os tempos.

A meio da noite” revisita o universo de Ingmar Bergman numa celebração do seu nascimento e da sua obra. A dança, o teatro e o cinema encontram-se na procura de um outro lugar.

A 14 de Julho de 1918 nascia Ingmar Bergman. Poucos realizadores conseguiram encontrar profundidade no interior do ser humano. Sonhos cheios de pesadelos foram a base inspiradora de muitos dos seus filmes, nos quais espaço e tempo se desvanecem do real. A impossibilidade de comunicação, a religião e a morte são as temáticas mais obsessivas de Bergman. No entanto, o mais importante na vida do realizador é a comunicação que conseguimos com outros seres humanos, sem a qual estaríamos mortos. A redenção, por vezes, aparenta ser o amor, mas sempre que as personagens parecem perceber isso, a luz é retirada do ecrã.

Apesar de o ser humano ser o seu foco de interesse, Bergman não esconde a sua preferência pelo trabalho com mulheres, afirmando que são melhores atrizes, talvez porque têm uma relação mais aberta com a sua reflexão. A verdade é que as mulheres de Bergman não são um mito, elas existem em todo o seu esplendor e complexidade. As referências são esmagadoras, tanto na quantidade como na dificuldade de análise e interpretação de cada personagem. É nessa visão do realizador que “A meio da noite” se inspira, nesses homens e mulheres assustadoramente reais, na solidão em luta constante com o interior.

A meio da noite“, sendo um espetáculo que se propõe abordar a temática existencialista do encenador e cineasta Ingmar Bergman, é simultaneamente uma peça sobre o processo de criação numa procura incessante de si próprio e dos outros.

Sete intérpretes encontram-se para partilhar as suas pesquisas sobre a obra do realizador e criarem, coletiva ou individualmente, cenas que possam integrar um futuro espetáculo.

À volta de uma mesa, que é também uma ilha, fecham-se nos seus pensamentos, mergulhados nos computadores, nos livros, nos vídeos. Tudo nasce desse huis clos de criação: o som, a luz, as imagens, as ações e contradições, dramas, pesadelos e fantasmas. As camadas de representação acumulam-se, criando tramas dramatúrgicas onde se mistura a mentira com a verdade dos factos.

A meio da noite é uma profunda homenagem a Ingmar Bergman, aos atores dos seus filmes e aos intérpretes da Companhia Olga Roriz.

A Meio da Noite, da Companhia Olga Roriz – trailer

Esta Companhia, fundada em 1995 com o apoio financeiro do Ministério da Cultura, através do Instituto das Artes, é dirigida pela coreógrafa Olga Roriz. Ao longo dos anos tem sido uma referência de qualidade profissional e artística no panorama nacional e internacional da dança contemporânea.

O que caracteriza e diferencia a Companhia Olga Roriz das demais está indissociavelmente relacionado com o facto de ser uma Companhia de autor e de esse autor, ao longo de 40 anos, ter criado uma vasta obra com um perfil, um estilo incomparáveis.

Uma das características mais marcantes do trabalho da Companhia é a sua vertente pluriartística. Embora o corpo surja invariavelmente como expressão máxima do seu trabalho, aí se cruzam elementos de diferentes áreas artísticas. Os espectáculos da Companhia são o resultado de um processo criativo eivado de referências ao universo teatral, literário, cinematográfico, fotográfico e outros que parecem ser tangenciais à arte mas que actuam igualmente como fonte inspiradora e instrumentos de trabalho.

Todas as obras da autora surgem carregadas de metáforas e imagens que fazem conviver mundano e inédito, amor e ausência, vida e morte, tragédia e humor e onde a fealdade não se mascara, mas surge aos olhos com uma crua beleza e simplicidade. O método de trabalho das suas obras, desde o início da sua carreira até aos dias de hoje, questiona o papel da dança contemporânea no panorama cultural, conduzindo à reflexão sobre os seus limites, estrutura e objetivos.

Obs: Na semana seguinte, a 29, o Cineclube de Joane apresenta, também na Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão, o derradeiro filme de Ingmar Bergman, Saraband.

 

Fonte: Município de Famalicão e Companhia Olga Roriz

Imagens: (0) Paulo Pimenta, (1, 2) Alípio Padilha, (3) Companhia Olga Roriz

 

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