Bloco | Catarina Martins: Seremos Governo quando o povo quiser

Bloco | Catarina Martins: Seremos Governo quando o povo quiser

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“Alcançaremos a força para ser parte de um governo quando o povo quiser”, declarou Catarina Martins na sessão de encerramento da Convenção do Bloco de Esquerda, que decorreu este fim-de-semana, 10 e 11 de novembro. Catarina Martins elencou também as 5 prioridades do Bloco de Esquerda para os tempos que se avizinham.

 

 

“Os últimos dois anos foram difíceis e exigentes, mas os próximos tempos vão exigir muito mais”, afirmou a coordenadora do Bloco de Esquerda no encerramento da XI Convenção do partido.

Sublinhando que “o trabalho ativista que faz do Bloco um grande partido é o que no fim do dia conta mesmo para fazer a diferença”, Catarina Martins defendeu que “o caminho contra austeridade foi possível porque houve uma convergência que foi um sucesso para Portugal”.

“Lutamos para a maioria e não nos esquecemos de ninguém. Para o Bloco, palavra dada é palavra cumprida”, sublinhou a coordenadora bloquista, que deixou ainda uma palavra aos professores: “Não os abandonamos, queremos derrotar o Decreto Lei com a imposição governamental do corte das suas carreiras”.

“Com o aumento das pensões e do salário mínimo, com a redução das propinas e gratuitidade dos manuais escolares, não há família em que os idosos ou os pais ou os filhos ou as netas não sejam beneficiados”, prosseguiu Catarina Martins, lembrando também o momento em que “a legislatura esteve em risco”, quando o governo decidiu compensar os patrões pela subida do salário mínimo com uma redução da TSU. “Queríamos e conseguimos o aumento do salário mínimo, mas não damos com uma mão e tiramos com outra. É por isso mesmo que gostamos dos contratos assinados, e ainda bem que o Governo aceitou uma solução alternativa, manteve a TSU e aumentou o salário mínimo”.

Mas as conquistas alcançadas nos últimos anos não disfarçam o estado em que este “país de vidas duras” se encontra, prosseguiu Catarina Martins. “Temos uma economia refém de setores rentistas e de grandes interesses económicos internacionais e o resultado estrutural é uma dívida externa grande demais, pública e privada, um território desigual, uma floresta vulnerável, empresas descapitalizadas e associações empresariais obcecadas com a recusa do contrato coletivo dos trabalhadores”.

Entre as reformas estruturais de que o país precisa, Catarina Martins destacou cinco: “Restabelecer o consenso constitucional sobre o serviço nacional de saúde”, com a aprovação da Lei de Bases da Saúde em 2019; garantir a universalidade do Estado Social para responder ao desafio demográfico, revertendo as políticas que “impuseram todas as condições para que ter um filho seja uma forma de empobrecimento”; combater as alterações climáticas, com a baixa dos preços dos passes sociais, o investimento em transportes públicos elétricos e o apoio à adoção de energias limpas; o controlo público do sistema bancário e da energia, cujos resgates e tarifas dispararam após as privatizações; e trazer transparência na condução das políticas públicas”.

Catarina Martins sublinhou ainda: “Para onde vamos a partir daqui? Como fazer melhor? Nestes três anos, demos passos importantes, mas sabemos que ainda faltam muitas das grandes reformas estruturais de que Portugal precisa. Queremos um governo capaz de cumprir perante o nosso povo estas obrigações no Serviço Nacional de Saúde, no investimento nos serviços para as pessoas, na proteção da parentalidade, na reconversão ambiental, na transparência pública. Trabalharemos para esse governo exista, para  que esse governo cumpra”.

A coordenadora do partido lembrou que “o próximo ano é de escolhas” e que “quem decide é o povo”. E avisou ainda que “o caminho é difícil e tem opositores”, afirmando, de forma clara: “Teremos pela frente quem vive do lado do privilégio”.

Sobre as questões europeias, Catarina Martins não deixou de se referir aos perigos da xenofobia e da extrema-direita: “A União Europeia está em crise profunda e nenhum país, nem nenhuma força política a pode ignorar. É também por isso que levamos muito a sério as eleições imediatas em Maio para o Parlamento Europeu”, fez notar.

Catarina Martins evidenciou também a ideia da “urgência” em revogar o Tratado Orçamental “que criminaliza o investimento e submete os estados à voragem do sistema financeiro internacional”: “O compromisso é com o povo e com esta certeza funda de que, quando os tratados atacam o povo, a responsabilidade da esquerda é clara: mudem-se os tratados”, defendeu.

“Não nos perguntem por isso se queremos fazer parte do próximo Governo que ainda não foi eleito, porque temos a certeza de que alcançaremos a força para ser parte de um governo quando o povo quiser; perguntem-nos antes se é possível agora um governo que cumpra a saúde, a escola, as pensões, o emprego, e a nossa resposta é que sim, que é difícil mas que é necessário e que trabalhamos para isso”, concluiu a coordenadora do Bloco de Esquerda.

Alexandra Vieira, José Maria Cardoso, Pedro Soares e Sónia Ribeiro eleitos dirigentes nacionais

Foram dois dias de debate interno e definição da estratégia para o próximos dois anos, com baterias apontadas para as eleições europeias, legislativas e regionais da Madeira.

A Moção A, intitulada “Um Bloco mais forte para mudar o país”, cujos proponentes foram Catarina Martins, Pedro Filipe Soares e Marisa Matias, é o documento de orientação política escolhido pelos militantes do BE para os próximos anos.

Para a Mesa Nacional, foram escolhidos os 80 dirigentes, que serão responsáveis também por eleger a Comissão Política, entre os quais Alexandra Vieira, deputada na Assembleia Municipal de Braga, José Maria Cardoso, deputado na Assembleia de Barcelos, Pedro Soares, deputado na Assembleia da República, e Sónia Ribeiro, deputada na Assembleia Municipal de Guimarães. Nesta Convenção foi ainda eleita a Comissão de Direitos.

 

Fontes: Bloco de Esquerda, Esquerda.net e Público

Imagem: Bloco de Esquerda

 

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Categorias: Política

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