8 a 17/11 Guimarães

Música | Guimarães Jazz estende-se à cidade e às escolas em 27º programa de eleição

Música | Guimarães Jazz estende-se à cidade e às escolas em 27º programa de eleição

 

 

 

O Guimarães Jazz é, sem sombra de dúvida, o mais importante festival de jazz da região Norte de Portugal. Este ano, na sua 27ª edição, decorre de 8 a 17 de novembro, com um programa recheado, eclético, conforme nos tem vindo a habituar, sempre pleno de qualidade, ora num plano mais tradicional ora num plano mais vanguardista, abrindo portas quer a jovens músicos quer aos monstros clássicos do género, mas também trazendo públicos à cidade. Na edição de 2018, destaca-se uma abertura à cidade e à comunidade vimaranense. Estão programadas várias iniciativas que, durante este período, se estendem por vários pontos da cidade, com jam sessions e momentos de animação de alguns espaços comerciais. Pela primeira vez, o Guimarães Jazz marca presença também nas escolas de Guimarães, com iniciativas a decorrerem nos maiores intervalos da parte da manhã.

 

 

“Este programa tem muito daquilo que são as marcas da política cultural do Município, com uma programação cuidada, mas que complementa essa programação com a dinâmica formativa, a dinâmica de criação e residência”, salientou Paulo Lopes Silva, adjunto da Vereadora da Cultura.

Desta forma, pretende-se que a constante presença da música na cidade e na agenda dos espetadores, em relevo para os mais jovens, contribua para a aproximação dos músicos às pessoas.

O diretor artístico do Guimarães Jazz, Ivo Martins, realçou a estratégia assente em “novos projetos” e aposta em “artistas em ascensão” na certeza de que serão projetados no panorama internacional, configurando o nome de João Barradas, que atua na terça-feira (13 de novembro), neste contexto.

Em texto introdutório no sítio do Centro Cultural Vila Flor, Ivo Martins salienta que “no terceiro milénio, e ao fim de mais de cem anos de história, tal como ficou devidamente assinalado na edição anterior do festival, o fenómeno jazzístico encontra-se perante questões de identidade muito sérias. Porém, ao invés de transmitir sintomas de esgotamento, o jazz parece ter compreendido que a solução para as suas questões passa pela necessidade de esta música se pensar e olhar a partir de fora para dentro”.

No contexto do Guimarães Jazz, esse olhar “implica explorar geografias alternativas ao território nativo do jazz, divulgar o trabalho de músicos jovens que nasceram quando o jazz se tinha já implementado plenamente na cultura moderna como uma das mais expressivas linguagens musicais e artísticas do século XX, dar espaço a músicos que se distinguiram em territórios musicais mais próximos das correntes experimentais e vanguardistas da música contemporânea e, por último, programar músicos menos mediáticos e inseridos em circuitos mais informais e artisticamente flexíveis. No fundo”, resume, “,”explorar zonas criativas de contrainformação, assumindo uma crítica em relação ao presente da música e do mundo, e afirmando sobretudo a necessidade de reflexão em torno dos processos entrópicos e autofágicos, baseados em estímulos imediatos e sentimentos ilusórios de pertença, que caraterizam tanto a criação como o consumo na música no século XXI”.

Há uma expetativa em “quebrar rotinas”, mas sem perder a matriz de notariedade de um evento considerado “património da cidade”, conclui Paulo Lopes Silva.

Entre os concertos programados, destacam-se três nomes incontornáveis da história mais recente do jazz: o contrabaixista Dave Holland, o trompetista Dave Douglas e o também trompetista, compositor e arranjador Steven Bernstein.

Na conferência de imprensa realizada esta quarta-feira, 24 de outubro, ficou patente que um dos traços mais marcantes do Guimarães Jazz é a atenção prestada à nova geração. Neste caso, destaque para dois nomes emergentes oriundos de Chicago: o trompetista Marquis Hill e o contrabaixista Matt Ulery, que, além do concerto com o projeto Delicate Charms, orientará as oficinas de jazz e as jam sessions e dirigirá a Big Band e o Ensemble de Cordas da ESMAE.

 

Sob o olhar de Ivo Martins

Do programa da edição de 2018 do Guimarães Jazz, Ivo Martins, o  diretor artístico do Festival, salienta “desde logo, o facto de contemplar a realização de treze concertos em dez dias consecutivos, o que tem como consequência uma mais efetiva e constante presença da música na cidade e na agenda dos seus espetadores, contribuindo assim para aproximar ainda mais os músicos e as pessoas que organizam o festival do seu público”. Apesar deste dado novo, complementa  que o Guimarães Jazz mantém “a sua matriz desde o início, um festival equilibrado, refletindo-se esse equilíbrio em várias dimensões: na notoriedade e na idade dos músicos envolvidos, na tipologia das formações, na proveniência geográfica dos projetos e nas estéticas musicais representadas”.

Ivo Martins considera “ser justo destacar a presença de três nomes incontornáveis da história mais recente do jazz – o contrabaixista Dave Holland, o trompetista Dave Douglas e o também trompetista, compositor e arranjador Steven Bernstein –, músicos que, embora com percursos em contextos artísticos muitos diferentes entre si, contribuíram decisivamente para moldar a forma atual do jazz”. Ainda assim, acrescenta, referindo-se quer às bandas quer a alguns dos seus membros, em particular,  que “tanto o projeto Aziza, de Holland, como Uplift, de Douglas, como a Millennial Territory Orchestra de Bernstein, constituem provas irrefutáveis da plena vitalidade musical de três dos grandes músicos da atualidade. Além do mais, estes três projetos têm a particularidade de contarem com a participação de músicos influentes da música contemporânea, de entre os quais é justo realçar a presença de Bill Laswell, baixista e produtor, e da vocalista Catherine Russell, duas figuras que, apesar de se expressarem em linguagens musicais muito díspares, podem ser considerados exemplos de uma invulgar postura de integridade artística e anti-estrelato”.

Um dos traços mais marcantes do Guimarães Jazz 2018, indica ainda o diretor artístico do Festival, “é a atenção prestada à nova geração do jazz. Nesse sentido, serão apresentados concertos de dois nomes emergentes da cena jazzística de Chicago, uma das cidades mitológicas do jazz, que continua a dar mostras de renovação e vitalidade musicais: o trompetista Marquis Hill e o contrabaixista Matt Ulery, que, além do concerto com o projeto Delicate Charms, orientará as oficinas de jazz e as jam sessions e dirigirá a Big Band e o Ensemble de Cordas da ESMAE”. Por outro, lado, adita, “a cada vez mais relevante dinâmica global da cena jazzística justifica também a presença no festival do trompetista israelita Avishai Cohen e do projeto Cartas Brasileiras, liderado pela flautista e compositora Léa Freire, que no festival se apresentará acompanhada pela Orquestra de Guimarães”.

Para lá do palco principal do Centro Cultural Vila Flor, o Guimarães Jazz 2018 marcará também “a exploração de geografias alternativas ao jazz norte-americano” fora dele. Assim, estará “também patente nos concertos programados para o Pequeno Auditório do CCVF, onde atuarão o Pablo Held Trio”, vindo da Alemanha, “e a idiossincrática banda Random/Control, liderada pelo talentoso pianista austríaco David Helbock”. De Portugal, a pisar este palco vimaranense, apresentar-se-á “o acordeonista João Barradas, um músico notável cuja carreira se encontra numa trajetória de crescente notoriedade e reconhecimento internacional e que, em Guimarães, se apresentará em quarteto acompanhado por músicos europeus emergentes e que terá como convidado especial o saxofonista norte-americano Greg Osby”. Para além deste, “a colaboração com a Associação Porta-Jazz e com a ESMAE  reafirma a aposta do festival nos jovens músicos portugueses”. Em 2018, como é habitual, realizam-se as oficinas de jazz e as jam sessions, extensões do festival que constituem uma das dimensões mais importantes da sua implantação na cidade e no meio jazzístico, ao mesmo tempo que contribuem para potenciar a formação e o crescimento musical dos jovens músicos do país”.

O Guimarães Jazz encerrará a sua edição de 2018 com The Mingus Big Band, um concerto de homenagem a Charles Mingus que será, certamente, um dos momentos altos do festival. “Liderado pela viúva do homenageado, esta big band é composta por instrumentistas de altíssimo nível e considerada como um dos projetos mais artisticamente relevantes de revisitação das obras de compositores de jazz. Numa altura em que o futuro da música, e do mundo, se afigura difuso e difícil de antecipar, faz todo o sentido regressarmos a Charles Mingus, um dos nomes mais influentes da música do século XX, e inspirarmo-nos no seu exemplo de integridade e audácia artísticas, que hoje, mais do que nunca, julgamos ser importante celebrar e divulgar, projetando-o no futuro”, conclui Ivo Martins.

Programa

8/11

CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 21H30

AZIZA featuring Dave Holland, Chris Potter, Kevin Eubanks and Eric Harland

9/11

CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 21H30

Marquis Hill Blacktet

10/11

CCVF / PEQUENO AUDITÓRIO / 18H30

Pablo Held Trio

10/11

CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 21H30

Steven Bernstein`s Millennial Territory Orchestra with Catherine Russell

11/11

CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 17H00

Big Band e Ensemble de Cordas ESMAE dirigida por Matt Ulery

11/11

CIAJG / BLACK BOX / 21H30

Projeto Guimarães Jazz / Porta-Jazz

12/11

CCVF / PEQUENO AUDITÓRIO / 21H30

David Helbock`s Random/Control

13/11

CCVF / PEQUENO AUDITÓRIO / 21H30

João Barradas “Own Thoughts From Abroad” com Greg Osby

14/11

CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 21H30

Orquestra de Guimarães com Léa Freire Quarteto “Cartas Brasileiras”

15/11

CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 21H30

Dave Douglas UPLIFT featuring Jon Irabagon, Mary Halvorson, Rafiq Bhatia,

Bill Laswell & Ches Smith

16/11

CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 21H30

Avishai Cohen Quartet

17/11

CCVF / PEQUENO AUDITÓRIO / 18H30

Matt Ulery`s Delicate Charms

17/11

CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 21H30

The Mingus Big Band

Os bilhetes já se encontram à venda, com destaque para os descontos em cartão jovem, estudante e mais de 65 anos, no âmbito da promoção de Cultura para Todos. Mas também existem passes gerais ou de três dias, por forma a cativar a permanência daqueles que visitam Guimarães.

 

Fontes: CCVF e Município de Guimarães

Imagens: (0, 5) Mingus Big Band, (1) Município de Guimarães, (2)Ivo Martins, 3(Dave Holland), (4) João Barradas, por Sara Ribeiro, (6) GuimarãesJazz

 

Se chegou até aqui é porque provavelmente aprecia o trabalho que estamos a desenvolver. 

A Vila Nova é gratuita para os leitores e sempre será. 

No entanto, a Vila Nova tem custos, entre os quais se podem referir, de forma não exclusiva, a manutenção e renovação de equipamento, despesas de representação, transportes e telecomunicações, alojamento de páginas na rede, taxas específicas da atividade.

Se considera válido o trabalho realizado, não deixe de efetuar o seu simbólico contributo sob a forma de donativo através de netbanking ou multibanco.

NiB: 0065 0922 00017890002 91

IBAN: PT 50 0065 0922 00017890002 91

BIC/SWIFT: BESZ PT PL

 

Pub

Categorias: Agenda, Cultura

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Escreva um comentário

Apenas utilizadores registados podem comentar.