Tânia Marisa Silva

Espaço 60+ | O idoso com demência e a importância de bem cuidar

Espaço 60+ | O idoso com demência e a importância de bem cuidar

 

 

A Organização Mundial de Saúde estima que em todo o mundo existam 47.5 milhões de pessoas com demência, número que pode atingir os 75.6 milhões em 2030 e quase triplicar em 2050 para os 135.5 milhões.

Em Portugal, não existindo até à data um estudo epidemiológico que retrate a real situação do problema, apenas se podem ter como referência os dados da Alzheimer Europe que apontam para cerca de 182 mil pessoas com demência (Alzheimer Europe, 2014)

Mas o que é a Demência?

Demência é o termo utilizado para descrever os sintomas de um grupo alargado de doenças que causam um declínio progressivo no funcionamento da pessoa. É um termo abrangente que descreve a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações das reações emocionais normais. Existem várias patologias que levam ao desenvolvimento de uma demência, como é o caso da doença de Alzheimer, doença Vascular, doença de Corpos de Lewy, doença de Parkinson, entre outras que serão exploradas num próximo artigo.

Mas será tudo um processo demencial?

Existem várias situações que produzem sintomas semelhantes à Demência, como por exemplo algumas carências vitamínicas e hormonais, depressão, sobredosagem ou incompatibilidades medicamentosas, infeções e tumores cerebrais. Mas quando as situações são tratadas, os sintomas desaparecem, são portanto consideradas as “pseudo-demências”.

Apesar da maioria das pessoas com demência ser idosa, é importante salientar que nem todas as pessoas idosas desenvolvem demência e que esta não faz parte do processo de envelhecimento natural. A demência pode surgir em qualquer pessoa, mas é mais frequente a partir dos 65 anos. Em algumas situações pode ocorrer em pessoas com idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos.

A característica primária da demência é o progresso de défices cognitivos variados, como a diminuição da memória e de pelo menos uma perturbação cognitiva, como afasia, apraxia, agnosia ou perturbação na capacidade de execução.

Os défices cognitivos devem ser razoavelmente graves para causarem diminuição do funcionamento ocupacional ou social.

E quando nos deparamos com um familiar demenciado?

A prestação de cuidados ao idoso demenciado, é uma tarefa que pode ser exaustiva fisica e psicológicamente e que procura a manutenção do estatuto de ser humano que todos nós temos.

Mas será que todos somos dignos de cuidar? Segundo Kitwood, este estatuto de dignidade humana só poderá ser mantido se, durante a prestação de cuidados, formos capazes de (re)conhecer e responder às necessidades psicológicas das pessoas com demência. O ser humano é uma espécie social que necessita de se sentir ligado aos outros, em particular em momentos de ansiedade e mudança. A existência de um vínculo, a união, ligação, confiança e relação torna-se essencial no processo de bem cuidar. É necessário proporcionar conforto, pois para além de promover a segurança, reduz a ansiedade. Fazer parte de um grupo é importante para a sobrevivência do ser humano. As pessoas com demência estão em grande risco de serem isoladas socialmente, mesmo quando vivem em contexto comunitários. Se não houver um esforço por parte dos outros, a pessoa perderá gradualmente a capacidade de se incluir.

Estar envolvido numa ocupação é estar envolvido no processo de vida. Preenche uma profunda necessidade que os indivíduos têm de agir sobre o mundo e de ter impacto sobre os que os rodeiam. Para que a participação da pessoa com demência seja significativa e proporcione bem-estar, a atividade não pode criar frustração, tem que ser adequada à pessoa e deve ser realizada num meio amigável.É necessário saber quem somos, o que sentimos e pensamos a nosso respeito. Frequentemente, e devido às dificuldades de memória e de comunicação, a identidade é conferida pelos outros. Identidade é ter uma noção de continuidade com o passado. Todos temos uma história de vida que pode ser valorizada e mantida pelos outros.

Em sinal de desfecho deixo-vos a refletir sobre esta frase: “See the person, not the dementia” (Tommy Whitelaw).

 

Imagem: Sabine van Erp

 

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Categorias: Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Tânia Marisa Silva

Gerontóloga Clínica. Especialista em Envelhecimento e Saúde Mental.

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